O verdadeiro amor não é cego. O fato de “encobrirmos” o erro de alguém por meio do amor não significa que não vejamos o pecado e que não o reconheçamos como tal. O amor e a justiça andam juntos. A palavra hebraica para “justiça”, tsedeq, também significa “amor”, “caridade”. Não podemos ter verdadeira compaixão se não somos justos, e não podemos ser justos se não tivermos compaixão e amor. Os dois conceitos precisam estar juntos.
Por exemplo, o exercício da caridade para com os pobres não deve ocorrer às custas da justiça; daí a recomendação de que não se deve favorecer o pobre no tribunal (Êx 23:3). Se, por um lado, o amor nos obriga a ajudar os pobres, por outro lado seria injusto favorecê-los quando estão errados, só pelo fato de serem pobres. Portanto, a justiça e a verdade devem cooperar com o amor e a compaixão. Esse sábio equilíbrio, que caracteriza a Torah, a lei de Deus, é ensinado e promovido no livro de Provérbios.
3. Leia Provérbios 17:10; 19:25. O que essas passagens dizem sobre a necessidade de repreensão e confrontação?
Não é por acaso que Provérbios 17:10 vem logo depois da ordem para encobrir o erro por meio do amor (Pv 17:9). A menção da “repreensão” em conexão com o “amor” coloca o amor na perspectiva correta. O texto subentende uma forte censura.
4. Leia João 8:1-11. Como Jesus lidou com o pecado aberto?
“Em Seu ato de perdoar essa mulher e animá-la a viver vida melhor, resplandece na beleza da perfeita justiça o caráter de Jesus. Conquanto não tivesse usado de paliativos com o pecado, nem diminuído o sentimento da culpa, procurou não condenar, mas salvar. O mundo não tinha senão desprezo e zombaria para essa transviada mulher; mas Jesus proferiu palavras de conforto e esperança. O Inocente Se compadeceu da fraqueza da pecadora, e estendeu-lhe a mão pronta a ajudar. Enquanto os fariseus hipócritas denunciaram, Jesus lhe recomendou: ‘Vai-te, e não peques mais’” (Jo 8:11, ARC; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 462).
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