A palavra hebraica “tsedeq” é traduzida como “justiça”, “direito”, “honra” e “inocência”. Revela as características de conduta que deveriam existir entre os homens, incluindo um rei em relação aos súditos e um senhor em relação aos servos. Essa palavra exalta de forma acentuada determinados comportamentos humanos e divinos, e também representa o poder que um homem honrado adquire por suas ações e que pode ser expresso, inclusive, na qualidade do que é oferecido por ele (produtos, relacionamentos, entre outros). Koch menciona que a preocupação do autor do livro é apresentar a relação individual entre a boa ação e a salvação, e sua correspondência entre o pecado e a ruína.
Onde há a verdadeira justiça também há amor, com o intuito de promover reconciliação entre as pessoas. É nesse sentido que uma simples reprimenda tem maior efeito no prudente e sábio, pois consegue alcançar sua “mente e coração”, enquanto no insensato nem mesmo um castigo físico o faria reconhecer os erros e abandoná-los. É interessante perceber que em Deuteronômio 25:2, 3 são estipulados quarenta açoites ao infrator, e não mais que isso. Em Provérbios 17:10 utilizam-se cem açoites. Os eruditos entendem isso como uma hipérbole oriental (exagero), do contrário seria uma contradição ao preceito divino anterior.
Não deve ser esquecido que uma repreensão amável consegue produzir excelentes resultados nas pessoas de entendimento, e contribui na construção de relacionamentos sólidos e harmoniosos, acabando com as dificuldades que provocam contendas. Um exemplo muito especial de alguém repreendida com amor e que foi transformada, é o da mulher adúltera de João 8:1-11. Jesus poderia ter atirado a pedra, pois Ele não tinha pecado, mas estava mais preocupado com a reabilitação do pecador do que em ver a lei meticulosamente satisfeita. Aquele que sonda os corações viu que havia arrependimento no coração da mulher. Tudo o que era preciso era uma advertência para o futuro. Esse acontecimento apresenta algumas lições:
(1) Jesus, o Justo, mostra que apenas o homem livre de falta tem o direito de manifestar juízo sobre a falta de outros. A própria realidade da situação humana significa que Deus é o único que tem o direito de julgar, pela simples razão de que nenhum homem é suficientemente bom para julgar outro homem.
(2) Jesus, o Justo, sustenta que o primeiro sentimento para com o pecador deve ser a misericórdia. Devemos oferecer aos outros a mesma compaixão que gostaríamos que nos oferecessem se nos encontrássemos em uma situação similar.
(3) Jesus, o Justo, oferece perdão e reconciliação. Seguir Seu exemplo deve ser uma constante na vida dos Seus seguidores.
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