sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lição Adultos - Estudo adicional

“Evite toda questão relativa à humanidade de Cristo que esteja sujeita a ser mal entendida. A verdade e a suposição estão muito próximas uma da outra. Ao tratar da humanidade de Cristo, você deve vigiar ao máximo cada afirmação, para que suas palavras não sejam interpretadas como se significassem mais do que sugerem, e assim você perca ou anuvie a clara concepção de Sua humanidade combinada com a divindade. Seu nascimento foi um milagre de Deus. […] Nunca, de nenhuma forma, deixe sobre a mente humana a mais leve impressão de que repousou sobre Cristo qualquer mácula de corrupção ou inclinação para a corrupção, ou que Ele, de algum modo, tenha cedido à corrupção. Ele foi tentado em todos os pontos como o homem é tentado, mas é chamado de ‘Ente santo’. É um mistério sem explicação para os mortais o fato de que Cristo pudesse ser tentado em todos os pontos como nós somos e, ainda assim, ser sem pecado. A encarnação de Cristo sempre foi e sempre permanecerá um mistério” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 5, p. 1260, 1261).


Perguntas para reflexão

1. Ellen G. White escreveu: “A encarnação de Cristo sempre foi e sempre permanecerá um mistério.” Por que precisamos ser cuidadosos para não julgar com severidade aqueles que não entendem esse “mistério” da mesma forma que nós?

2. Diante da transfiguração, os discípulos estavam sonolentos. Qual é a sua condição diante da volta de Jesus? Você está se preparando?

3. Diante do que Jesus disse sobre Si mesmo, haveria lógica em crer que Ele foi meramente um grande homem, um grande profeta ou um grande líder espiritual? Por que precisamos aceitar que Ele é quem disse ser, ou então que Ele é um lunático ou alguém muito enganado a respeito de Si mesmo? Por que não há outra opção com respeito à identidade de Jesus?

Lição Jovens - Você O conhece?

Naquele dia, estavam sentadas na sinagoga pessoas que conheceram a Jesus enquanto Ele crescia. Outras haviam somente escutado falar a Seu respeito, e algumas O tinham visto algumas vezes. Também pode ser que esivessem presentes alguns parentes e viajantes curiosos que foram escutar o Filho de José e Maria falar.

Mas espere! Ele alegou ser Aquele de quem o profeta Isaías falou? Sim! Ele leu como se cada palavra tivesse sido escrita sobre Ele. Era a imaginação deles ou parecia que Ele estava recitando as palavras do profeta quase de cor: “O Espírito do Senhor está sobre Mim” (Lc 4:18)? Eles se esforçaram para escutar e compreender que confusão era aquela. Quem seria esse Homem?

Eles haviam escutado as histórias. Os milagres certamente não podiam ser reais. E, mesmo que fossem, que diferença fariam? Ele era somente o filho de José e Maria. Muitas pessoas que O tinham visto realizar milagres ou haviam sido curadas por Ele também não sabiam quem Ele realmente era. Estavam satisfeitas com as coisas que Ele havia feito, portanto não se preocuparam em saber mais sobre Ele.
Corremos o risco de fazer o mesmo hoje. Muitos estão satisfeitos em adorar o Deus que nossos pais e pastores descrevem, em vez de procurar conhecê-Lo pessoalmente. Oswald Chambers escreveu: “Procure sempre fazer distinção entre o que você sabe que Jesus é e o que Ele fez por você. Se seu conhecimento se limita apenas ao que Ele fez por você, então você não tem um Deus suficientemente grande; mas, se tiver tido uma visão de Jesus como Ele é, as experiências podem ir e vir, você permanecerá firme ‘como quem vê Aquele que é invisível’.”*

Você realmente conhece Jesus? Tem permitido que Ele o ajude em cada aspecto da sua vida? Semelhante à mulher com o problema de hemorragia, tem você pessoalmente experimentado o poder de Cristo (Lc 8:40-48)? Se fizermos isso, então, como Paulo, também poderemos dizer: “Eu sei em quem tenho crido” (2Tm 1:12).

* Oswald Chambers, My Utmost for His Highest (Grand Rapids, Mich.: Oswald Chambers Pub. Assn. Ltd., 1992), 9 de abril.


Mãos à Bíblia

- Liste os traços de caráter que definem Jesus e avalie como você está manifestando esses traços em sua própria vida. Ore para que o Espírito Santo o ajude a crescer em áreas nas quais você se sente fraco.

- Assista a um filme ou a um programa de televisão ou leia um livro sobre um aspecto da natureza que particularmente lhe interessa. O que isso lhe ensina sobre nosso Criador?

- Liste as características de Cristo que mais chamam sua atenção. Peça a guia do Espírito Santo para desenvolver esses traços.


Pense nisto

- Por que é importante considerar o que Jesus tem feito por você e quem Ele é para você?

- O que significa ter uma experiência pessoal com Jesus? Compartilhe sua opinião com a classe no sábado.

Ogechi Nwankwo | Moreno Valley, Califórnia, EUA 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Lição Adultos - A transfiguração

5. Leia os relatos da transfiguração nos três evangelhos (Lc 9:27-36; Mt 17:1-9; Mc 9:2-8). (Leia também o relato de primeira mão feito por Pedro acerca do incidente, e note a verdade que o apóstolo estabeleceu a partir de sua experiência como testemunha ocular; ver 2Pe 1:16-19). Quais informações adicionais Lucas apresenta, e por que elas são importantes?

Lucas iniciou a narrativa com um detalhe que Mateus e Marcos não mencionam: Jesus levou Pedro, Tiago e João a um monte para orar. Jesus tinha os olhos e a mente fixos na direção de Jerusalém e predisse a vereda de sofrimento que se estendia diante dEle. Jesus desejava estar seguro de que estava fazendo o que Deus queria que Ele fizesse. Em momentos como esse, a oração é a única maneira de encontrar certeza e segurança. O processo da oração fez com que a glória divina se derramasse imediatamente sobre a pessoa de Jesus: “A aparência do Seu rosto se transfigurou e Suas vestes resplandeceram de brancura” (Lc 9:29).

O Jesus transfigurado estava conversando com Moisés e Elias sobre “Sua partida, que Ele estava para cumprir em Jerusalém” (v. 31). A palavra “partida” pode ser entendida de duas formas: Sua morte iminente em Jerusalém, embora a palavra grega usada aqui, exodus, não seja usada com frequência para a morte; portanto, “partida” pode também significar o grande “êxodo” que Jesus estava para efetuar em Jerusalém, o poderoso êxodo redentor que traria livramento do pecado.

A conversa dos três terminou com uma voz de aprovação vinda do Céu: “Este é o Meu Filho […] a Ele ouvi” (v. 35). A transfiguração ungiu Jesus com glória, assegurou-Lhe novamente Sua filiação, e anunciou que a redenção custaria a vida do Filho. Esse foi o motivo da ordem celestial para os discípulos: Ouçam-nO. Sem obediência e lealdade exclusiva a Ele, não há discipulado.

Ellen G. White escreveu, referindo-se a Moisés e Elias, que esses homens, que haviam sido “escolhidos de preferência a todos os anjos que rodeiam o trono, tinham vindo para conversar com Jesus acerca das cenas de Seu sofrimento e confortá-Lo com a certeza da simpatia do Céu. A esperança do mundo, a salvação de toda criatura humana, eis o assunto de sua entrevista” (O Desejado de Todas as Nações, p. 425).

Até mesmo o próprio Jesus, que havia confortado tantas outras pessoas, buscou consolo e conforto para Si mesmo. O que isso deve nos dizer sobre o fato de que até os mais fortes espiritualmente entre nós, podem, às vezes, precisar de consolo, encorajamento e ajuda da parte de outros? Você conhece alguém que necessita de consolo, conforto e encorajamento? 

Lição Jovens - “Quem vocês dizem que Eu sou?”

Cristo desafiou Seus discípulos com essa pergunta (Mc 8:29). Hoje, Ele nos desafia com a mesma indagação. O próprio Jesus nos diz quem Ele é: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14:6); “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22:13).

Para o filho pródigo, Ele é o pai amoroso esperando pacientemente que ele volte para casa (Lc 15:11-32). Para o enfermo, Ele é o Doador da vida (Jo 10:10). Para o viciado em drogas, álcool ou outra coisa, Ele é o Curador (Êx 15:26). Para o estudante com dificuldades financeiras, Ele é o Provedor (Fp 4:19). Para o deprimido, Ele é o Doador da paz (Fp 4:7). Quem você diz que é Jesus? Passe a conhecê-Lo como seu melhor Amigo, sempre colocando as seguintes estratégias em prática:

Passe tempo com Ele. Separe uma parte especial cada dia para conhecer Jesus. Tiago 4:8 nos diz que, se nos achegarmos a Ele, Ele Se achegará a nós. Medite nEle, em Suas palavras, Seu estilo de vida e Seu dom de salvação. “Esta é a vida eterna: que Te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3).

Procure agradá-Lo em vez de a si mesmo. É necessário um esforço para fazer o que Lhe agrada. “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento” (Mt 22:37, 38).

Fale com Ele. Sim! Jesus ouve e responde às orações. Ele responde às orações proferidas em nossa mente enquanto trabalhamos, nos dirigimos para a escola, ou dirigimos pela rodovia. Ele está sempre pronto para responder nossas orações. “Antes de clamarem, Eu responderei; ainda não estarão falando, e Eu os ouvirei” (Is 65:24).

Confie nEle. Deixe Jesus ser o Senhor de sua vida. Por que tentar resolver seus problemas sozinho, ou enfrentar sozinho os desafios, quando Jesus promete estar ao seu lado para ajudar você? “Entregue seu caminho ao Senhor; confie nEle, e Ele agirá” (Sl 37:5). 

Mãos à Bíblia

5. Leia os relatos da transfiguração nos três evangelhos (Lc 9:27-36, Mt 17:1-9, Mc 9:2-8). (Leia também o relato de primeira mão feito por Pedro acerca do incidente, e note a verdade que o apóstolo estabeleceu a partir de sua experiência como testemunha ocular; ver 2 Pedro 1:16-19). Quais informações adicionais Lucas fornece, e por que elas são importantes?

O Jesus transfigurado estava conversando com Moisés e Elias sobre “Sua partida, que Ele estava para cumprir em Jerusalém” (v. 31). A palavra “partida” pode ser entendida de duas formas: Sua morte iminente em Jerusalém, embora a palavra grega usada aqui, exodus, não seja usada com frequência para a morte; portanto, “partida” pode também significar o grande “êxodo” que Jesus estava para efetuar em Jerusalém, o poderoso êxodo redentor que traria livramento do pecado.

Nadia Ammitie King | Nassau, New Providence, Bahamas 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Lição Adultos - “O Cristo de Deus”

4. Leia Lucas 9:18-27. Por que Jesus teria feito aos discípulos uma pergunta cuja resposta Ele já sabia? Que lição Ele estava procurando ensinar-lhes, não apenas sobre Si mesmo, mas sobre o que significa segui-Lo?

“Mas vós […] quem dizeis que Eu sou?” (Lc 9:20). A pergunta que Jesus fez dois mil anos atrás ainda perturba a História. As pessoas têm dado diferentes respostas: um grande mestre; um profundo filósofo ético; uma personificação da verdade; um monumento de autossacrifício; um profeta destemido; um reformador social; um grande modelo de tudo que o ser humano deve ser. Mas nenhuma resposta serve, a não ser a confissão que a pergunta original arrancou dos lábios de Pedro.

Depois de revelar Sua autoridade sobre a natureza (Lc 8:22-25), Seu poder sobre os demônios (v. 26-35), Seu poder sobre as doenças (Lc 5:12-15, 8:43-48), Sua capacidade de alimentar cinco mil pessoas a partir de quase nada (Lc 9:13-17) e Seu poder sobre a própria morte (Lc 8:51-56), Jesus confrontou Seus discípulos com o que, na realidade, são duas perguntas: primeiro, o que os outros pensavam dEle; depois, o que os próprios discípulos pensavam. Ele não perguntou a fim de Se informar sobre algo que ainda não soubesse. Ao contrário, perguntou a fim de ajudá-los a compreender que o fato de Ele ser quem era exigiria deles, na verdade, uma entrega que custaria tudo.

“Nosso conhecimento de Jesus nunca deve ser de segunda mão. Podemos conhecer todas as opiniões dadas sobre Jesus; podemos conhecer toda a Cristologia já formulada por mentes humanas; podemos ser capazes de dar um resumo abalizado do que todos os grandes pensadores e teólogos já ensinaram sobre Cristo – e mesmo assim não ser cristãos. O cristianismo nunca consiste em saber sobre Jesus; sempre consiste em conhecer Jesus. Cristo sempre exige um veredito pessoal. Ele não perguntou apenas a Pedro, mas pergunta a cada um de nós: ‘Você – o que você pensa de Mim?’” (William Barclay, The Gospel of Matthew. Bangalore, Theological Publications in India, 2009; v. 2, p. 161).

Nossa resposta à pergunta que Jesus fez não pode ser outra senão a confissão de Pedro: Jesus é “o Cristo de Deus” (Lc 9:20). Cristo significa “o Ungido”, o Messias, cuja missão não é a de um libertador político, mas a de um Salvador que libertará a humanidade das garras de Satanás e do pecado e inaugurará o reino da justiça.

Não basta simplesmente saber quem foi Jesus. Precisamos conhecê-Lo por nós mesmos. Se, então, você afirma que conhece Jesus, o que, de fato, você sabe sobre Ele? Isto é, o que seu próprio conhecimento pessoal de Jesus lhe ensina sobre Ele e como Ele é?

Lição Jovens - Profecia personificada

Jesus foi a semente prometida para esmagar a cabeça da serpente, Satanás (Gn 3:15). As profecias a respeito da vinda de um Rei e Redentor encheram os livros dos profetas. Ele seria “Príncipe da Paz” para os cativos e um “Conselheiro” para os quebrantados (Is 9:6).
O registro de Lucas sobre o nascimento de Cristo provê a evidência do surgimento do Salvador prometido. O nascimento virginal profetizado por Isaías (7:14) encontra seu cumprimento no relato de Lucas quando o anjo fala a Maria.

Achados arqueológicos recentes apoiam o registro do nascimento de Jesus. Uma equipe estava trabalhando em favor da Autoridade Israelita de Antiguidades e encontrou em suas escavações um selo contendo o nome “Belém”. O selo teria sido usado para rotular remessas fiscais de Belém para a Judeia.1

“Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em Sua aparência para que O desejássemos” (Is 53:2). Lucas 7:24-30 nos diz que Ele deveria ser rejeitado por Sua geração.

Lucas nos apresenta um Cristo pessoal. Pedro, após presenciar os atos de Jesus, se referiu a Ele como o “Cristo de Deus”. A palavra “Cristo” no grego é traduzida como “ungido”.2 Pedro descreveu Jesus como o “ungido” de Deus; e Lucas concorda que Ele verdadeiramente é o ungido do Senhor.

1. Diaa Hadid, “Ancient Bethlehem Seal Unearthed In Jerusalem”, Huffington Post Religion, 23 de maio de 2012,
http://www.huffingtonpost.com/2012/05/23/ancient-bethlehem-seal_n_1538605.html.

2. Wikipedia, ver “Christ” [“Cristo”], modificado pela última vez em 11 de maio de 2014, http://en.wikipedia.org/wiki/Christ.

Pense nisto

- Lucas apresentou Jesus como ele O viu. Como você vê Jesus?

- Como pode sua perspectiva pessoal de Jesus, o Ungido de Deus, ajudar outros a se aproximarem dEle?


Mãos à Bíblia

4. Leia Lucas 9:18-27. Por que Jesus teria feito aos discípulos uma pergunta cuja resposta Ele já sabia? Que lição Ele estava procurando ensinar-­lhes, não apenas sobre Si mesmo, mas sobre o que significa segui-Lo?

“Mas vós ... quem dizeis que Eu sou?” (Lc 9:20). A pergunta que Jesus fez dois mil anos atrás ainda perturba a História. Depois de revelar Sua autoridade sobre a natureza (Lc 8:22-25), Seu poder sobre os demônios (v. 26-35), Seu poder sobre as doenças (Lc 5:12-15, 8:43-48), Sua capacidade de alimentar cinco mil pessoas a partir de quase nada (Lc 9:13-17), Seu poder sobre a própria morte (Lc 8:51-56), Jesus confrontou Seus discípulos com o que, na realidade, são duas perguntas: primeiro, o que os outros pensavam dEle; depois, o que os próprios discípulos pensavam.

Scheri-lyn Makombe | Indianápolis, Indiana, EUA 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Lição Adultos - Filho do Homem

Embora Jesus tivesse plena consciência de que era tanto o Filho do Homem como o Filho de Deus (Lc 22:67-70), “Filho do Homem” era a maneira favorita de nosso Salvador Se referir a Si mesmo. Ninguém mais se dirigiu a Ele por esse título. As únicas outras ocorrências do termo estão no discurso de Estêvão (At 7:56) e em Apocalipse 1:13 e 14:14. O termo aparece mais de 80 vezes nos evangelhos, e 25 vezes em Lucas. O uso que Lucas faz do título mostra o profundo interesse do autor na humanidade de Jesus como o Homem universal enviado por Deus para proclamar as boas-novas da salvação.

“A humanidade do Filho de Deus é tudo para nós. É a corrente de ouro que nos liga a Cristo, e por meio de Cristo a Deus. Isso deve constituir nosso estudo. Cristo foi um homem real; deu prova de Sua humildade, tornando-Se homem. Entretanto, era Ele Deus na carne” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 244).

O uso do termo “Filho do Homem” em Lucas apresenta várias revelações da natureza, missão e destino do Jesus encarnado.
Primeira, o título O identifica como um ser humano (Lc 7:34), sem lar ou abrigo no mundo (Lc 9:58).

Segunda, Lucas usou o título para assegurar a natureza e a posição divinas de Cristo: pois “o Filho do Homem é Senhor do sábado” (Lc 6:5). Portanto, Ele é também criador, com o poder de perdoar pecados (Lc 5:24).

Terceira, para realizar a missão redentora determinada pela Divindade antes da fundação do mundo (Ef 1:3-5), o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido (Lc 9:56, 19:10). Mas a redenção em si mesma não pôde ser completada até que “o Filho do Homem [sofresse] muitas coisas, [fosse] rejeitado [… e] morto e, no terceiro dia, [ressuscitasse]” (Lc 9:22). Essa autoconsciência do Filho do Homem sobre o caminho que Ele tinha de trilhar e sobre o preço que tinha de pagar para redimir a humanidade do pecado revela não só a origem divina do plano da redenção, mas também a submissão de Cristo, em Sua humanidade, a esse plano.

Quarta, note quanto é completo o quadro que Lucas apresenta do sofrimento do Messias nas seguintes passagens: Sua presciência da cruz (Lc 18:31-33), da traição (Lc 9:44), de Sua morte em cumprimento da profecia (Lc 22:22), de Sua crucifixão e ressurreição (Lc 24:7; ver Lc 11:30) e de Sua função como Mediador diante do Pai (Lc 12:8).

Quinta, Lucas via o Filho do Homem, em termos dos últimos dias, como Aquele que voltará à Terra para recompensar Seus santos e pôr fim ao grande conflito (Lc 9:26; 12:4; 17:24, 26, 30; 21:36; 22:69).

Em resumo, o título “Filho do Homem” incorpora o aspecto multifacetado não só de quem Cristo é, mas do que Ele veio fazer, já fez e ainda fará por nós no plano da salvação.

Lição Jovens - Só Jesus

Nas Escrituras existem descrições do Salvador vindouro, do Filho do homem e de Sua obra. “Ele deveria ficar entre o pecador e a condenação do pecado; poucos, entretanto, O receberiam como o Filho de Deus. Ele deixaria Sua elevada posição como a Majestade do Céu, apareceria na Terra e Se humilharia como um homem, e, pela Sua própria experiência, Se familiarizaria com as tristezas e tentações que o homem teria de enfrentar. Tudo isso seria necessário a fim de que Ele pudesse socorrer os que fossem tentados.”1 Precisamente, por meio de Sua vida e Seu ministério, Jesus conseguiu alcançar tudo isso. Mas quem é Ele para você?

“Nosso Senhor Jesus Cristo veio a este mundo como o infatigável servo das necessidades do homem. ‘Tomou sobre Si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças’ (Mt 8:17), a fim de poder ajudar todas as necessidades humanas. Veio para remover o fardo de doenças, misérias e pecado. Era Sua missão restaurar inteiramente os seres humanos; veio trazer-lhes saúde, paz e perfeição de caráter.”2

“Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2:1). Essas palavras confortantes falam ao nosso coração saudoso enquanto, ao mesmo tempo, nos fazem saber que “temos um advogado no trono de Deus, que está circundado pelo arco da promessa, e somos convidados a apresentar nossas petições diante do Pai em nome de Cristo. Jesus diz: Peça o que quiser em Meu nome, e isso lhe será dado. Ao apresentar Meu nome, vocês mostrarão que pertencem a Mim, que são Meus filhos e filhas, e o Pai lhes tratará como Seus próprios filhos, e os amará como ama a Mim.”3 Todas essas promessas acalmam e confortam nosso coração atribulado.

1. Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 64.

2. ___________ , A Ciência do Bom Viver, p. 17.

3. ___________ , Jesus, Meu Modelo [MM 2009], p. 14.

Pense nisto

- Jesus tem sido “muitas coisas” para muita gente. E em sua experiência de vida, quem é Jesus para você?

- Dentre as muitas áreas da sua vida que Jesus satisfaz, qual você acha ser a mais vital?


Mãos à Bíblia

Embora Jesus tivesse plena consciência de que era tanto o Filho do homem como o Filho de Deus (Lc 22:67-70), “Filho do homem” era a maneira favorita de nosso Salvador Se referir a Si mesmo. O termo aparece mais de 80 vezes nos evangelhos, e 25 vezes em Lucas. O uso que Lucas faz do título mostra o profundo interesse do autor na humanidade de Jesus como o Homem universal enviado por Deus para proclamar as boas-novas da salvação.

Wayne Duncombe | New Providence, Bahamas 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Lição Adultos - Filho de Deus

“Filho do Homem” e “Filho de Deus” são dois nomes usados nos evangelhos para descrever Jesus. O primeiro indica que Ele era Deus encarnado; o segundo aponta para Sua natureza divina como a segunda Pessoa da Divindade. Juntas, as duas frases nos convidam a refletir no milagre de Jesus Cristo: Deus que é tanto divino quanto humano. Esse é um conceito difícil de ser entendido, mas a dificuldade de forma alguma diminui essa verdade e a grande esperança que ela nos oferece.

3. Leia Lucas 1:31, 32, 35; 2:11. O que esses versos nos dizem sobre quem Jesus realmente é?

Em Lucas 1:31, 32, o anjo liga o nome “Jesus” com o “Filho do Altíssimo” a quem o Senhor “dará o trono de Davi”. Jesus é o Filho de Deus. É também o Cristo, o Messias, que restaurará o trono de Davi, não como um libertador terreno, mas no sentido escatológico de que Ele finalmente derrotará Satanás em sua tentativa de usurpar o trono do próprio Deus. Aos pastores, o anjo anunciou que o bebê que estaria na manjedoura era “o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2:11).

Ao mesmo tempo, o título “Filho de Deus” não só afirma a posição de Cristo na Divindade, mas também revela a estreita e íntima relação que Jesus tinha com Deus, o Pai, enquanto esteve na Terra.

Contudo, a relação entre o Pai e o Filho não é a mesma que nós temos com Deus. Enquanto nossa relação é resultado da obra de Cristo, tanto como Criador quanto como Redentor, Sua relação para com o Pai, como Filho, é a de um entre três parceiros iguais e eternos. Através de Sua divindade, Jesus conservou os laços mais íntimos possíveis com o Pai. “Jesus disse: ‘Meu Pai, que está nos Céus’, como a lembrar aos discípulos que, enquanto por Sua humanidade Ele Se achava ligado a eles, participante das provações deles, e compadecendo-Se deles em seus sofrimentos, por Sua divindade estava em comunicação com o trono do Infinito” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 442).

O que significa para nós o fato de que Jesus é Deus no mais pleno sentido? Embora essa verdade tenha muitas implicações, uma delas é que, embora fosse Deus, Jesus condescendeu não apenas em tomar sobre Si nossa humanidade, mas em Se oferecer como sacrifício por nós nessa humanidade. Estamos falando de Deus, aqui! Que maravilhosa esperança essa verdade tem para nós, devido ao que ela nos diz sobre Deus e como realmente Ele é?

Lição Jovens - Quem é Jesus para você?

O Filho de Deus, o Filho do Homem (Lc 1:26-38; 3:21-38). Para mostrar quanto Ele nos ama, Jesus, o Filho do Deus Altíssimo, envolveu-Se em vestes humanas e nasceu em um estábulo em Belém. Apesar de ser o Filho de Deus, também é o exemplo perfeito de humildade. Não achou vergonhoso ser contado entre nós. Não exigiu ser adorado, nem saiu proclamando Sua autoridade. Em vez disso, Ele identificou a Si mesmo como o Filho do homem. Dessa maneira, foi capaz de evitar a ira dos judeus até completar Seu ministério.

O grande curador (Lc 4:16-41; 7:2-17; 8:41-56). Grande parte dos relatos de Lucas mostra Jesus curando enfermos, restaurando a visão dos cegos, expulsando demônios e ressuscitando amados de volta à vida. Esse trabalho foi profetizado em Isaías 61:1, 2, ao qual Jesus Se referiu em uma sinagoga no dia de sábado (Lc 4:16). Cristo foi ungido pelo Espírito Santo para pregar as boas- novas da salvação a todos aqueles cujo coração estava ansioso pelo conhecimento real da Palavra de Deus. Ele curou corações dilacerados pelos efeitos do pecado. Livrou pessoas que estavam sob a influência do maligno e deu visão tanto ao cego físico quanto ao espiritual.

O defensor dos rejeitados (Lc 8:1-3, 41-56). Nos tempos bíblicos, mulheres, crianças, pobres e estrangeiros eram considerados a “classe baixa”. Mulheres e as crianças eram vistas como possessão dos homens, e frequentemente eram vendidas como escravas para pagamento de dívidas. Jesus, ciente dessa desigualdade cultural, manifestou profundo interesse na valorização dessas pessoas. Ele acolheu e abençoou as criancinhas, até mesmo declarando que o Reino do Céu precisava ser recebido como elas (Lc 18:15-17). Ele revolucionou as normas culturais, tratando as mulheres com igualdade, ministrou a elas e permitiu que elas O auxiliassem em Seu ministério (Lc 4:38, 39; 8:1- 3).

No entanto, isso não agradou aos escribas nem aos fariseus e saduceus que observavam rigidamente as leis cerimoniais. Com grande desprezo, eles evitavam os impuros, os mortos, os estrangeiros, os leprosos e as mulheres em sua menstruação. As ações de Jesus desafiaram o raciocínio legalista deles. Ele não considerou contaminação oferecer o toque da cura quando tomou pela mão a filha de Jairo trazendo-a de volta à vida ou quando a mulher com grave fluxo de sangue O tocou (Lc 8:41-56). Para elas, Ele foi seu Herói.
O Salvador do mundo (Lc 4:16-30; 9:18-36; Jo 3:16-19). Por séculos, as profecias anunciaram a vinda do Salvador. Toda mulher judia se perguntava se Ele seria seu filho, mas Deus concedeu essa graça a Maria.

“Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus!” (Lc 1:30). Finalmente, quando Jesus veio para os Seus, “eles não O receberam” e alguns, em sua descrença, buscaram lançá-Lo de um penhasco. Jesus não satisfazia as noções preconcebidas que eles tinham a respeito do Messias. Esperavam que Ele desfilasse ao som de trombetas, mas em vez disso, Ele veio como um modesto bebê em uma família humilde e simples. Eles esperavam um Salvador que os livrasse da opressão romana, mas Jesus veio para salvar do pecado. Sua própria essência ia contra o sistema de valores deles. Em vez de tolerar a maldade deles, Ele os censurou por terem escolhido habitar nas trevas. Assim, eles endureceram o coração para a mensagem de salvação e vida eterna.

João Batista confiou na palavra de Deus. Ele e seus seguidores esperaram com grande antecipação para ver o Salvador. No entanto, quando Jesus veio, apesar de terem crido, queriam ter certeza. Buscaram essa garantia perguntando a Jesus, e Ele lhes assegurou isso por meio de palavras e de atos de cura (Lc 7:18-22).

Os discípulos também foram receptivos a Jesus. Apesar de cegos a princípio pela cultura prevalecente, seu coração se abriu para as verdades que Jesus ensinou. Pedro, com discernimento divino, declarou que Jesus era, sem dúvida, “o Cristo de Deus”. No episódio da transfiguração, ele teve ainda mais prova dessa afirmação.

Jesus veio para dar Sua vida em resgate dos perdidos. No entanto, a vida eterna é garantida somente àqueles que creem que Ele é o Salvador e O recebem como Senhor. Ele nos convida ao arrependimento. Ele quer ser nosso Salvador, Senhor e Amigo. Quem é Ele para você? 

Pense nisto

- Durante o ministério de Jesus na Terra, houve reações diferentes para com Ele. Se você vivesse naquela época, como acha que teria reagido?

- Você teria desprezado Jesus porque Suas repreensões doeram em você ou O teria amado por mostrar-lhe a verdade e o caminho para a salvação?


Mãos à Bíblia

“Filho do homem” e “Filho de Deus” são dois nomes usados nos evangelhos para descrever Jesus. O primeiro indica que Ele era Deus encarnado; o segundo aponta para Sua natureza divina como a segunda Pessoa da Divindade.

3. Leia Lucas 1:31, 32, 35; 2:11. O que esses versos nos dizem sobre quem Jesus realmente é?

Em Lucas 1:31, 32, o anjo liga o nome “Jesus” com o “Filho do Altíssimo” a quem o Senhor “dará o trono de Davi”. Jesus é o Filho de Deus. É também o Cristo, o Messias.

Audwin e Laël Josiah | St. John’s, Antigua, Antilhas 

domingo, 12 de abril de 2015

Lição Adultos - Reações diante de Jesus

Leia os evangelhos; leia o Novo Testamento. Nesses livros são feitas incríveis reivindicações, não apenas sobre o que Jesus fez, mas, o que é mais importante, sobre quem Ele era. Essas reivindicações – de que Ele é Deus, de que é nosso Redentor e de que somente Ele é o caminho para a vida eterna – exigem nossa atenção, porque estão cheias de implicações que têm consequências eternas para todo ser humano.

1. Leia Lucas 4:16-30. O que fez com que as pessoas reagissem da maneira como o fizeram? Veja também João 3:19.

As pessoas que O ouviram em Sua cidade natal ficaram, a princípio, entusiasmadas ao ver Jesus, que havia voltado a Nazaré depois de realizar muitos milagres e maravilhas, e elas “se maravilhavam das palavras de graça” que Ele falava (Lc 4:22). Mas a reação delas à repreensão de Jesus mostrou qual era o espírito que, na verdade, as movia.

2. Leia Lucas 7:17-22. Qual foi a pergunta de João sobre Jesus, e qual seria a razão pela qual ele a fez?

Até mesmo João Batista, o precursor de Jesus, aquele que O anunciou como “o Cordeiro de Deus”, viu dúvidas se insinuarem nas profundezas de sua alma. Ele quis saber: “És Tu Aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Lc 7:19).

Note, também, que Jesus não respondeu diretamente à pergunta de João; em vez disso, apontou para os atos que davam testemunho dEle: “Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres, anuncia-se-lhes o evangelho” (v. 22). Alguém poderia argumentar que Jesus não precisava responder diretamente à pergunta de João, pois Seus atos e Seus feitos davam amplo testemunho de quem Ele era.

Em certo sentido, a resposta de Jesus poderia ter causado a João ainda mais consternação. Afinal de contas, se Jesus tinha o poder de fazer todas aquelas maravilhas, por que João estava ali definhando na prisão? Quem, em meio a suas próprias tragédias pessoais, já não teve questionamentos semelhantes: se Deus tem todo esse poder, por que isto está acontecendo comigo? Por que a cruz, e tudo o que ela representa e promete, é nossa única resposta? 

Lição Jovens - Meu tudo

Em maio de 2013 fui enviada para trabalhar em Porto Príncipe, no Haiti. Ao preparar a mudança, pedi a proteção divina enquanto eu estivesse lá. No dia em que cheguei, houve uma pequena demonstração de procedimentos em caso de emergências. No entanto, eu estava em paz, confiante de que estava segura nos braços de Jesus. Meu relacionamento com Cristo me manteve calma. Durante os muitos desafios que enfrentei, meus colegas de trabalho sempre me perguntavam se eu estava com medo. E eu sempre respondia: “Fiz um trato com Deus antes de vir para o Haiti. Portanto, não tenho nada a temer.”

Contudo, têm existido momentos ao longo da vida em que me sinto como João Batista atrás das grades da prisão, mesmo que teoricamente eu saiba que Cristo está comigo e que virá em meu socorro. Nesses momentos em que a vida parece me encurralar, preciso buscar reafirmação em relação a Cristo e a tudo o que Ele representa para mim. Tenho questionado: “‘És Tu Aquele’? (Lc 7:19)?” E toda vez Seu amor tem me provado quem Ele é. Tenho visto os milagres de Cristo em minha vida e na vida daqueles que estão ao meu redor. Pessoalmente tenho conhecido o Cristo do Evangelho de Lucas. E Ele é meu tudo.

Um mês após chegar a Porto Príncipe, eu não mais vivia atrás de paredes de dois metros de altura e não mais havia um guarda armado no meu portão. O trabalho exigiu que eu morasse aproximadamente a uma hora da cidade, na comunidade em que eu servia. Ali, a tranquilidade da água e a magnificência das montanhas revestiam cada dia com a presença de Cristo. Frequentemente, antes de sair para o trabalho, eu escalava a colina para ver os fazendeiros indo para seus campos e os barcos vindo da Ilha de la Gonâve, em dias de compras. Mas o mais importante era que eu encontrava paz na natureza. Nas ocasiões em que meu espírito estava atribulado, eu orava para que Cristo honrasse Sua promessa de me manter segura. No coração, eu estava decidida a fazer dessa uma experiência como nenhuma outra – não pedia simplesmente proteção nesta vida, mas preparo para a vida por vir. A pergunta: “Quem é Cristo Jesus?” pode ser respondida somente pelo estudo da Bíblia e por um relacionamento pessoal com o Senhor. Nesta semana, buscaremos responder a essa pergunta individualmente ao continuarmos o estudo do Evangelho de Lucas.

Mãos à Bíblia

1. Leia Lucas 4:16-30. O que fez com que as pessoas reagissem da maneira como o fizeram? Veja também João 3:19.

2. Leia Lucas 7:17-22. Qual foi a pergunta de João sobre Jesus, e qual seria a razão pela qual ele a fez?

Até mesmo João Batista, o precursor de Jesus, aquele que anunciou Jesus como “o Cordeiro de Deus”, viu dúvidas se insinuarem nas profundezas de sua alma. Ele quis saber: “És Tu Aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Lc 7:19).

Camaria Holder | Calgary, Alberta, Canadá 

sábado, 11 de abril de 2015

Lição Adultos - Quem é Jesus Cristo?

“Mas vós, perguntou Ele, quem dizeis que Eu sou? Então, falou Pedro e disse: És o Cristo de Deus” (Lc 9:20).

Quem é Jesus Cristo?

A pergunta não é um artifício filosófico nem sociológico. Ela chega até a essência daquilo que o ser humano é e do que a eternidade lhe reserva.

As pessoas podem admirar as obras de Jesus, honrar Suas palavras, exaltar Sua paciência, advogar Sua não violência, aclamar Sua determinação, elogiar Sua abnegação e ficar sem palavras diante do cruel fim de Sua vida. Muitos podem até estar prontos a aceitar Jesus como um bom homem que tentou endireitar as coisas – infundir justiça onde havia injustiça, oferecer cura onde havia doença e levar conforto onde havia apenas miséria.

Sim, Jesus poderia perfeitamente ganhar o título de o melhor professor, de um revolucionário, de um líder por excelência e de um psicólogo capaz de sondar as profundezas da alma. Ele era tudo isso e muito mais.

Porém, nenhuma dessas coisas pode, nem de longe, ser a resposta da pergunta de suprema importância que o próprio Jesus suscitou: “Mas vós, […] quem dizeis que Eu sou?” (Lc 9:20).

Essa é uma pergunta que exige resposta, e dessa resposta depende o destino da humanidade.

Lição Jovens - Quem é Jesus Cristo?

“‘E vocês, o que dizem?’, perguntou [Jesus]. ‘Quem vocês dizem que Eu sou?’ Pedro respondeu: ‘O Cristo de Deus’” (Lc 9:20).

Prévia da semana: Foi a natureza humana do Filho de Maria transformada na natureza divina do Filho de Deus? Não. As duas naturezas fundiram-se misteriosamente numa só pessoa: O Homem Cristo Jesus” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 5, p. 1.242).

Leitura adicional: Salmo 23; Mateus 1:23. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, “Servo dos Servos”, p. 642 

Comentários LES - Quem é Jesus Cristo?

Autor: Pr. Jônatas Leal
Revisão: Josiéli Nóbrega 

Introdução

Há uma longa história de debate sobre quem foi Jesus. Na verdade esse mesmo debate foi igualmente desenvolvido dentro do judaísmo que antecedeu o primeiro século. Apenas a perspectiva era diferente: quem seria o Messias? Como Ele viria? E foram exatamente as expectativas equivocadas que levaram em grande medida muitos a rejeitar Jesus como o Messias. Por isso, a questão não é periférica. Deve-se reconhecer que, atualmente, não há menos ideias equivocadas sobre Cristo do que havia no tempo de sua primeira vinda. Pelo contrário, o tempo serviu de incubadora para tais ideias.

De fato, Jesus dividiu a História. Mas não apenas isso, dividiu as pessoas em dois grupos. Hoje não é diferente. Diante de Jesus não é possível a neutralidade. Nesta semana, temos a oportunidade de refletir sobre a importante questão de quem foi Jesus através do evangelho de Lucas. Contudo, mais do que conhecer a verdade sobre esse personagem que mudou a História, sempre será indispensável ponderar sobre o que isso significa para nós.


“Mas vós, quem dizeis que Eu sou?”

De fato, “a influência titânica desse Homem fez dEle um grande alvo das flechas do criticismo e o objeto supremo de revisão de acordo com os preconceitos do intérprete.1 Curiosamente, depois de tantos anos, “o que os eruditos descobriram por trás do véu foi um Jesus criado às suas próprias imagens, segundo seus próprios preconceitos. Os liberais do século 19 descobriram um Jesus ‘liberal’; os existencialistas descobriram um herói existencialista, e os marxistas descobriram um revolucionário político. Idealistas descobriram um idealista e os pragmáticos descobriram um Cristo pragmático”.2

Assim, a resposta à pergunta “mas vós quem dizeis que Eu sou?” tem um lado objetivo e outro subjetivo. Do ponto de vista objetivo, é importante levar em consideração aquilo que a revelação divina, por meio das Escrituras, revela acerca de Cristo. Muitos estão sinceramente enganados sobre quem foi Cristo porque levam em conta apenas suas próprias ideias preconcebidas, sem parar para ouvir o que a palavra de Deus revela sobre Sua identidade. Desse modo, criam seus próprios “messias” exatamente como fizeram muitos dos contemporâneos de Cristo.

Do ponto de vista subjetivo, devemos sempre refletir sobre o que Jesus significa para nós, individualmente, qual é o impacto disso em nossa vida. O conhecimento objetivo de Cristo por si não pode causar transformação. O termo “conhecer” nos evangelhos, principalmente em João, está intimamente ligado ao relacionamento entre o discípulo e o mestre. Contudo, se apenas a experiência e o relacionamento forem levados em conta, podemos ter uma ideia distorcida e equivocada sobre Jesus. Para isso, precisamos da revelação divina objetiva em Sua Palavra. Tudo que sabemos sobre Deus e a salvação depende do que Ele mesmo revela sobre Si. Uma das formas mais eficazes de aprender sobre a pessoa de Cristo é prestar atenção aos títulos que os evangelhos Lhe conferem e como Ele Se relacionou com os mesmos.


Os títulos de Jesus nos evangelhos

A resposta dos discípulos em Lucas 9:18 revela as diferentes concepções sobre Cristo em Sua época: um antigo profeta, Elias e mesmo João Batista ressurreto. Poderíamos passar anos estudando os muitos títulos atribuídos a Jesus nas Escrituras: Profeta, Servo Sofredor, Sumo Sacerdote, Verbo, Senhor, Mestre, Filho de Davi, Cordeiro de Deus, Salvador, Lírio dos Vales, Leão da Tribo de Judá, etc. A lista ainda se estenderia muito. Contudo, não há espaço aqui para isso. Então, nos deteremos apenas naqueles que estamos estudando nesta semana: Filho de Deus, Filho do homem e Cristo (Messias).

O título “Filho de Deus” ocorre trinta e sete vezes no Novo Testamento para designar a pessoa de Jesus3, e aponta dois aspectos: Sua submissão ao Pai ao cumprir Sua missão de salvar o mundo e Seu relacionamento único com Ele. O título deve ser entendido à luz do seu contexto. No início do século 4 d.C. alguns, liderados por Ário, interpretaram o título como uma evidência de que Cristo possuía uma pré-existência limitada e que em algum momento da eternidade Ele teria sido gerado pelo Pai.

Contudo, o título quer dizer exatamente o contrário. De fato, “este é um título de natureza e não de ofício. A filiação de Deus denota Sua igualdade com o Pai. Chamar Cristo ‘o Filho de Deus é afirmar Sua verdadeira divindade”.4 O termo aramaico bar (filho) é muitas vezes usado em sentido figurado. Por exemplo, em vez de se dizer mentiroso, fala-se “filho da mentira”, em vez de irado, “filho da ira”, em vez de rico, “filho da riqueza”. O mesmo ocorre frequentemente no hebraico do Antigo Testamento. Sendo assim, ao se designar Jesus o Filho de Deus, se quer dizer que Ele é divino. Isso fica muito claro na reação dos fariseus em João 5:18, “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-Lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era Seu próprio Pai, fazendo-Se igual a Deus”.

O título “Filho do Homem” é praticamente exclusivo dos evangelhos. Aparece apenas 4 vezes fora deles (At 7:56; Hb 2:6; Ap 1:13; 14:14). Levando em consideração a informação do parágrafo acima, o título pode ser entendido apenas como “o homem”. Por mais vago que o título possa parecer, ele tinha adquirido já nos tempos de Cristo um tom fortemente messiânico. Era usado pelo judeus “para designar um Salvador escatológico [...] um mediador especial a aparecer no fim dos tempos”.5

Contudo, por meio de seu uso nos evangelhos, “a noção de Filho do Homem é mais ampla, e mais do que qualquer outra, é suscetível a descrever a obra total de Cristo”.6 Por exemplo, Jesus usou esse título em relação a Si mesmo ao descrever Sua atividade e o exercício de Sua autoridade sobre a Terra (Mt 13:37; Mc 2:10, 28; 10:45; Lc 7:34; 9:58; 12:10; 19:10), ao predizer Seu sofrimento e morte (Mc 8:31; 9:31; 10:33), e ao falar de Seu retorno e governo escatológico (Mt 10:23; 19:28; 25:31; Mc 8:38; 14:62; Lc 17:22-30; 21:36).7

Por sua vez, o título “Cristo” acabou se tornando parte do Seu próprio nome, tanto que muitos nem mesmo se dão conta disso. Cristo (do verbo grego chrio-ungir) é a tradução da palavra hebraica “ungido” (mashiach) ou “messias”. Ela designava o Salvador prometido para o qual as profecias do Antigo Testamento apontavam. É possível observar que Jesus sempre observou a mais extrema reticência no tocante ao título de Messias. Embora não tenha recusado verdadeiramente o título, manifestou grande reserva para com ele.8

Não é difícil saber o porquê. Em Sua época, os judeus haviam criado expectativas equivocadas quanto à obra do Messias. Esperavam um libertador meramente político. Assim, “Jesus via por trás da concepção messiânica do judaísmo de então, a obra de Satanás”.9 Não obstante, o título messiânico é usado nos evangelhos em sua perspectiva correta para expressar “Sua origem celestial, Sua missão terrestre e Sua futura vinda gloriosa”.10


Mas o Céu, quem diz que Eu sou? A transfiguração

Os evangelhos são unânimes em situar a transfiguração seis dias depois do diálogo entre Cristo e Seus discípulos sobre quem a multidão e eles mesmos consideravam ser Ele (Lc 9:18-22; cf. com Mt 16:13-23; Mc 8:27-33). Lucas menciona oito dias. Tal diferença pode estar relacionada à forma de contagem, inclusiva ou não, dos dois dias que a experiência no monte durou (Lc 9:37). Seja como for, esse detalhe não afeta o ponto principal que os evangelistas querem deixar claro ao organizarem o material narrativo dessa forma: a transfiguração era uma confirmação das verdades declaradas naquela ocasião. De acordo com Mateus e Marcos, seguindo a confissão de Pedro sobre o messiado de Cristo, Jesus falou que era necessário que o Filho do homem morresse e ressuscitasse ao terceiro dia. Em outras palavras, a obra do Messias envolvia glória e cruz. No monte foram confirmados “os dois fatos do messiado e a capacidade salvadora de Cristo”.11 Desse modo, “o monte endossou a confissão de Pedro e o ensino de Cristo”12 sobre Sua morte de cruz. Era necessário que Cristo subisse os dois montes: o monte da transfiguração e o monte do Calvário.

Os discípulos eram relutantes em entender a segunda parte. E até o fim fixaram-se na glória, brigando pelos primeiros assentos no reino, mesmo momentos antes da paixão de Cristo. Sua fuga em massa e mesmo a traição de Judas não apenas se deu por medo no primeiro caso ou cobiça no segundo. Era em grande medida desilusão. Eles não esperavam um Messias crucificado, mesmo depois de muitos avisos de Cristo. O mesmo sentimento de desilusão não poupou nem mesmo a mente do grande precursor do Messias, João Batista (Lc 7:20). A atitude de Pedro na ocasião é emblemática. Seis dias antes ele havia dito: “tem compaixão de Ti, Senhor”(Mt 16:22), em vista da cruz. Agora, na transfiguração, ele afirmou: “É bom estar aqui” (Lc 9:33), diante da luz da glória. Em outras palavras, “A cruz? Não! A glória, sim”.13

Desse modo, a transfiguração visava fortalecer a fé dos apóstolos. Ellen White afirmou: “O Salvador havia notado a tristeza dos discípulos, e desejou amenizar-lhes a mágoa, com a certeza de que sua fé não havia sido em vão”. Em oração “rogou que testemunhassem uma manifestação de Sua divindade que, na hora de Sua suprema agonia, os confortasse com o conhecimento de que Ele é o Filho de Deus e que Sua ignominiosa morte era parte do plano da redenção”.14 As três testemunhas (Pedro, Tiago e João) escolhidas eram deveras influentes entre os discípulos. Logo após a ascensão, eles assumiram importante papel de liderança na igreja primitiva. Esses mesmos personagens acompanhariam algum tempo depois a angústia de Cristo no Getsêmani, onde diferentemente desse caso, Sua oração não seria respondida de modo positivo. Louvado seja Deus, pois reconhece nossas debilidades e nos ajuda em nossas fraquezas!

Seis dias antes, Jesus havia indagado sobre quem os homens diziam que Ele era. No monte foi a opinião de Deus que se fez ouvir: “Este é o Meu Filho, o Meu eleito, a Ele ouvi” (Lc 9:35). Não importava o que os homens diziam. Como Pedro no monte da transfiguração, muitos falam sem saber o que estão dizendo (Lc 9:33). Mas nas Escrituras Deus abriu as cortinas invisíveis dos Céus, revelando à humanidade quem Ele é o que está disposto a fazer por amor.


Conclusão

Quem é Jesus? É o Deus encarnado, é o amor encarnado. É tudo o que o Céu tinha a oferecer. É o infinito dentro do finito. É eternidade dentro do tempo. É a única esperança que a humanidade tem para ter esperança. É aquele cujas definições nunca serão suficientes.

A pergunta direta de Cristo aos discípulos em Lucas 9:20: “Mas vós quem dizeis que Eu sou?”, traz a questão para o âmbito pessoal. A resposta não será achada em livros, em debates, na opinião alheia, nos documentários ou comentários. A resposta sempre estará em nosso coração. E sempre será decisiva. As implicações de nossa resposta só poderão ser medidas apropriadamente pela eternidade.


Referências:

1. SPROUL, R. C. Who Is Jesus?. v.1 Lake Mary, FL: Reformation Trust Publishing, 2009, p. 2.
2. Ibid, p. 3.
3. Easton, M. G. In Easton’s Bible dictionary. New York: Harper & Brothers, 1893.
4. Idem.
5. CULLMANN, Oscar. Cristologia do Novo Testamento. Tradução de Daniel Costa, Daniel de Oliveira. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 184.
6. CULLMAN, 2008, p. 184.
7. MYERS, A. C. In The Eerdmans Bible Dictionary. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1987, p. 962.
8. CULLMAN, 2008, p. 166, 167.
9. Idem, p. 165.
10. ELWELL, W. A., & BEITZEL, B. J. In Baker Encyclopedia of the Bible. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988, p.1983.
12. MORGAN, G. C. The Crises of the Christ (p. 215). New York; London: Fleming H. Revell Company, 1936, p. 215.
13. MORGAN, 1936, p. 216.
14. Idem, 1936, p. 217.
15. WHITE, Ellen Gould. O Desejado de Todas as Nações. Tradução de Isolina A. Waldvogel. 22ª ed., Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004, p. 297.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lição de Adultos - Estudo adicional

“Se José e Maria houvessem firmado a mente em Deus, mediante meditação e oração, teriam avaliado a santidade do depósito que lhes era confiado, e não teriam perdido Jesus de vista. Pela negligência de um dia perderam o Salvador. Custou-lhes, porém, três dias de ansiosas buscas para tornar a encontrá-Lo. O mesmo quanto a nós; pelas conversas ociosas, por maledicência ou negligência da oração, podemos perder num dia a presença do Salvador, e talvez leve muitos dias de dolorosa busca para tornar a achá-Lo, e reconquistar a paz que perdemos” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 83).

Perguntas para reflexão

1. A tentação em si não é pecado. No sentido bíblico, a tentação tem o potencial de confirmar a possibilidade de santidade. Ser tentado é uma coisa; cair em pecado é outra. Qual é nossa responsabilidade com respeito a fazer tudo o que podemos até mesmo para evitar a tentação?

2. Filósofos e teólogos muitas vezes falam sobre o que chamam de “metanarrativa”, isto é, uma grande história ou tema global dentro do qual ocorrem outras histórias. Em outras palavras, uma metanarrativa é a tela de fundo, o contexto em que outras histórias e eventos se desenrolam. Como adventistas do sétimo dia, vemos o grande conflito como a “metanarrativa”, ou a tela de fundo do que tem acontecido na Terra e no Céu. Quais passagens da Bíblia nos mostram a realidade do grande conflito, e como ele nos ajuda a explicar o que está acontecendo no mundo?

3. Quais são algumas das passagens bíblicas mais fortes que nos prometem vitória sobre as tentações que cruzam nosso caminho? Por que, porém, mesmo com essas promessas, ainda é tão fácil cair?

4. “Duvidar da Palavra de Deus é o primeiro passo para ceder à tentação”. Você concorda?

5. De que maneiras a idolatria pode ser muito mais sutil do que curvar-se e adorar algo que não seja o Senhor?

Lição Jovens - Marcos vivos

O mundo não precisa de mais discursos de líderes mundiais e políticos que fazem grandes promessas aos cidadãos de seus países. O mundo também não precisa de mais tropas de exércitos em tentativas de aquisições. A maior necessidade do mundo é a de jovens, “marcos vivos”, que reflitam a luz de seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Isso só é possível pelo novo nascimento e pela habitação do Espírito de Deus.

O batismo de Jesus é um exemplo para nós. A sequência dos eventos – Seu batismo, Sua oração, o Espírito Santo e o testemunho do Pai em conexão com o evento – oferecem profundos ensinamentos a respeito de Sua morte e ressurreição, e a morte de nosso ser para o pecado.1 O mundo pode testemunhar que nossa renovação espiritual é o resultado do Espírito Santo em nossa vida. “Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5:22, 23) – por esses frutos as pessoas nos conhecerão (Mt 7:20).

Cada passo após o batismo deve ser dado com Cristo ao nosso lado. O estudo diário de Sua Palavra iluminará o caminho para o Céu. Claro que essa nova vida não estará livre de dificuldades. Por isso, é importante lembrar que Deus nos ama e Se importa conosco e que o Espírito Santo vive em nós para nos tornar fortes. O Espírito nos concede uma armadura espiritual para que sejamos vitoriosos contra o pecado – uma vitória que Cristo nos garantiu por meio de Sua própria vitória, no deserto, contra Satanás. “Paulo declara que essa armadura consiste no cinturão da verdade, no peitoral da justiça, nos sapatos do evangelho da paz, no escudo da verdade, no capacete da salvação, na espada do Espírito e no infalível poder da oração. [...] Protegidos por essa armadura e dependendo inteiramente do infalível poder do Espírito, não há como não crescer em valor espiritual e vencer a guerra em que estamos engajados.”2

1. Nisto Cremos, p. 243.

2. Ibid., p. 180.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Lição Adultos - Cristo, o Vencedor

Lucas e Mateus apresentam a segunda e a terceira tentações em ordem invertida. A razão para tanto não é clara, mas não precisamos nos demorar nisso. A questão importante é a vitória final de Jesus sobre Satanás, proclamada pelos dois evangelhos. O fator significativo que emerge do estudo das tentações é que Jesus Cristo é uma Pessoa real. Ele foi tentado como nós, mas sem pecado (Hb 4:15). Com a vitória em cada uma das tentações, com Seu triunfo sobre Satanás, com a Palavra de Deus em Sua boca e ligado à fonte celestial de poder por meio da oração, Jesus saiu para proclamar o reino de Deus e para inaugurar a era messiânica.

5. Leia Lucas 4:9-13 e Mateus 4:5-7. Nas duas primeiras tentações, Jesus usou as Escrituras para vencer as provocações de Satanás. Então, na terceira, Satanás fez o mesmo e citou as Escrituras para testar se Jesus realmente levava a Palavra de Deus a sério. O que estava acontecendo ali, e como Jesus reagiu?

Satanás levou Jesus ao pináculo do templo em Jerusalém, que é o lugar mais sagrado da história judaica. A cidade de Sião, o templo onde Deus habitava entre Seu povo, se tornou o palco do confronto entre Satanás e Cristo. Novamente, o prefácio foi: “Se és o Filho de Deus.” Observe o que Satanás disse: Se Deus é de fato Seu Pai, e se Sua missão de fato é ordenada por Ele, atire-Se do pináculo abaixo e comprove isso de uma vez por todas. Certamente, se tudo isso é verdade, Deus não deixará que Você Se machuque. Ele então cita as Escrituras: “Aos Seus anjos ordenará a Teu respeito que Te guardem” (Lc 4:10).

Satanás conhecia a Bíblia, mas torceu sua interpretação. Sua tática foi levar Jesus a colocar Deus à prova. Deus, de fato, prometeu proteção por parte de Seus anjos, mas somente dentro do contexto da execução de Sua vontade, como no caso de Daniel e seus companheiros. Novamente Jesus, usando as Escrituras, deu uma resposta decisiva a Satanás, declarando que não nos compete pôr Deus à prova (v. 12). Nosso dever é nos colocar nas mãos de Deus e deixar que Ele faça o resto.

Note quatro ensinos importantes da Bíblia sobre a tentação: (1) Ninguém está livre de tentações; (2) quando Deus permite que tentações nos sobrevenham, também provê graça para resistirmos a elas e força para as vencermos; (3) as tentações não vêm da mesma forma todas as vezes; (4) ninguém é tentado além do que é capaz de suportar (1Co 10:13).

Lição Jovens - Uma vida devocional

Assim como as multidões vinham até João Batista e perguntavam o que deveriam fazer para ser salvas, também nós, precisamos estar atentos ao que Deus nos pede.

Viver como Jesus. Com a ajuda do Espírito Santo, podemos ser justos em tudo o que fazemos. Ao compartilharmos nossa fé, também devemos compartilhar nossos bens com aqueles que têm pouco. De acordo com as necessidades das pessoas, Deus nos dá palavras bondosas e sábias a fim de ajudarmos ao próximo. Ele prepara aqueles que desejam compartilhar Seu amor segundo o dom de cada um.
Ser cheio do Espírito Santo. As palavras de Lucas devem estar gravadas em nosso coração. Elas revelam como devemos nos achegar a Deus em nossa vida diária. O Espírito Santo nos transforma para que possamos produzir o fruto do arrependimento (Lc 3:8). Paulo descreve esse fruto em Gálatas 5:22-26: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.”

Ter uma vida de louvor e adoração. Conheço um membro da igreja que ora enquanto está lavando a louça para que Deus lave também seu coração. Ela faz orações semelhantes enquanto realiza atividades domésticas. Separar um tempo específico, diariamente, para a comunhão com Deus é importante, mas transformar situações comuns em momentos de oração nos fortificará para resistir às tentações de Satanás.

Use a armadura divina contra o inimigo. Deus conhece nossos limites e nos capacita com as armas de que precisamos para que não fiquemos indefesos contra Satanás. Mas precisamos ter a Palavra de Deus em nosso coração. Isso implica um relacionamento constante com Ele. Precisamos fazer de Deus nossa prioridade em todos os aspectos da vida e clamar por Suas promessas. Então Ele nos dará discernimento, inteligência espiritual, disciplina e perseverança.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Lições Adultos - “Se… me adorares”

4. Leia Lucas 4:5-8. Por que Satanás desejava que Jesus o adorasse? Que assunto crucial estava em jogo?

Receber adoração é prerrogativa exclusiva de Deus; esse é o único fator que separa para sempre a criatura do Criador. Uma das questões na rebelião de Lúcifer contra Deus no Céu foi a adoração. A ambição de Lúcifer é bem sintetizada por Isaías 14:13, 14: ascender ao Céu, exaltar seu trono acima das estrelas de Deus, ser semelhante ao Altíssimo. Foi uma tentativa de usurpar a autoridade que pertence apenas ao Criador.

Nesse contexto, podemos entender melhor o que estava acontecendo nessa tentação. Quando Jesus estava prestes a iniciar Sua missão de redimir o mundo e restaurá-lo à posse e à autoridade de Deus, Satanás O levou ao topo de um monte, apresentou-Lhe uma visão panorâmica de todos os reinos e Lhe ofereceu a glória deles em troca de um simples ato: “Portanto, se prostrado me adorares, toda será Tua” (Lc 4:7).

Satanás estava tentando desviar a perspectiva de Cristo de Sua prioridade divina, e tentando seduzi-Lo com pompa e glória ao preço de apenas um gesto Seu de curvar-Se. Ele estava tentando obter aqui, novamente, a autoridade e a adoração que não conseguira no Céu. 
Note como Cristo despediu o tentador com total desprezo: “Vai-te, Satanás” (Lc 4:8, ARC). A adoração e o serviço que a acompanha pertencem somente ao Deus criador. Então, novamente a Palavra de Deus veio para ajudar Jesus. Não disse a inspiração, através de Moisés: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus […] O Senhor, teu Deus, temerás, a Ele servirás” (Dt 6:4, 5, 13)? A resposta suprema às mentiras e engodos de Satanás é decidir seguir a Deus de maneira absoluta, em fé e obediência.

Qualquer um de nós pode enfrentar a tentação de comprometer a fé, mesmo que seja em “pequenas coisas”: seu emprego, sua aprovação num exame na universidade ou sua promoção requer uma transigência com respeito ao sábado. Seu visto para entrar num país melhor depende de uma mudança de nome que oculte sua fé. Em que ponto você pode fazer uma concessão? O preço alguma vez é justo? Se sim, quando? 

Lição Jovens - A família real

“Na ocasião do batismo de Cristo, Satanás achava-se entre os espectadores. Viu a glória do Pai cobrir o Filho. Ouviu a voz de Jeová testificando da divindade de Jesus. Desde o pecado de Adão, a humanidade tinha estado separada da direta comunhão com Deus; a comunicação entre o Céu e a Terra se fez por meio de Cristo; mas então, quando Jesus veio ‘em semelhança da carne do pecado’ (Rm 8:3), o próprio Pai falou. Antes, comunicara-Se com a humanidade por intermédio de Cristo; fazia-o agora em Cristo. Satanás havia esperado que, devido ao aborrecimento de Deus pelo pecado, se daria eterna separação entre o Céu e a Terra. Era, então, manifesto que a ligação entre Deus e o homem tinha sido restaurada.”1

“Jesus não recebeu o batismo como confissão de pecado de Sua própria parte. Identificou-Se com os pecadores, dando os passos que nos cumpre dar. A vida de sofrimento e paciente perseverança que viveu depois do batismo, foi também um exemplo para nós.”2
“O batismo simboliza soleníssima renúncia do mundo. Os que, ao iniciar a carreira cristã, são batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo declaram publicamente que renunciaram o serviço de Satanás, e se tornaram membros da família real, filhos do celeste Rei. Obedeceram ao preceito que diz: ‘Saiam do meio deles, e separem-se [...] não toquem em coisas impuras’ (2Co 6:17). Cumpriu-se em relação a eles a promessa divina: ‘E Eu os receberei e lhes serei Pai, e vocês serão Meus filhos e Minhas filhas, diz o Senhor todo-poderoso’ (2Co 6:17, 18).”3

“Cristo sabia que o inimigo viria a toda criatura humana, para se aproveitar da fraqueza hereditária e, por suas falsas insinuações, enredar todos cuja confiança não se firma em Deus. E, passando pelo terreno que devemos atravessar, nosso Senhor nos preparou o caminho para a vitória. Não é de Sua vontade que estejamos em desvantagem no conflito com Satanás. Não quer que fiquemos intimidados nem desfalecidos pelos assaltos da serpente. ‘Tenham ânimo!’, diz Ele, ‘Eu venci o mundo’ (Jo 16:33).”4

1. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 116.

2. Ibid., p. 111.

3. Ellen G. White, Evangelismo, p. 307.

4. ___________ , O Desejado de Todas as Nações, p. 122, 123.