sábado, 4 de abril de 2015

Comentários da Lição - O batismo e as tentações

Autor: Pr. Jônatas Leal
Revisão: Josiéli Nóbrega

Ampliação

O início do ministério público de Jesus foi marcado por dois importantes eventos. Seu batismo no rio Jordão e Sua tentação no deserto por quarenta dias. Ambos os eventos foram antecedidos por um grande reavivamento e reforma realizados pela obra de João Batista. Tão impactante foi seu ministério que muitos pensavam ser ele o Cristo, o Messias prometido (Lc 3:15).

Nesta semana tivemos a oportunidade de reexaminar essas três importantes etapas do plano da salvação: o ministério de João, o batismo de Jesus e Sua tentação no deserto. Ali Cristo começou a trilhar o caminho que João havia de antemão preparado. Desde o início ficaria claro que, embora o fim do caminho fosse glorioso, como a voz do Céu no batismo o atestou, Jesus não chegaria nele sem passar pelo deserto da tentação. Por isso, vamos acompanhar Cristo nesse movimento do Jordão para o deserto, das águas para a sequidão. Mas acima de tudo, da tentação para a vitória. 


O ministério de João

Uma das marcas distintivas do ministério de João era sua prática de batizar. Isso acabou conferindo-lhe o título de “o Batista”. O batismo por imersão no judaísmo não era novidade. Alguns rabis chegaram a afirmar que o rito foi inaugurado antes da entrega da lei no Sinai1. Durante a existência do templo, o batismo por imersão, juntamente com a circuncisão e o devido sacrifício, eram exigidos dos novos prosélitos. Para esses, o rito visava limpar a impureza da idolatria e restaurar o homem à pureza de um recém-nascido. Além disso, também era praticado como forma de penitência pelo antigo judaísmo essênio e hassídico.

Contudo, o batismo de João ia além. Era um chamado ao arrependimento à luz da chegada da era messiânica. Sua pregação era contundente (Lc 3:7) e urgente (Lc 3:9). Seu chamado ao arrependimento envolvia reforma de vida pelo abandono dos pecados conhecidos (Lc 3:10-14). Com coragem profética, ele denunciou os pecados de líderes civis como Herodes e religiosos como os fariseus (Mt 3:7; Lc 3:19). Sua influência se tornou tão abrangente que ambos os grupos temiam fazer-lhe mal. A Bíblia fala de multidões que iam ouvir João e ser por ele batizadas (Lc 3:7).

Conforme o relato de Lucas “quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi” (Lc 3:21, NVI). Mesmo um leitor superficial do evangelho é levado a indagar a razão do batismo de Jesus. Se o batismo de João era um chamado ao arrependimento e um sinal público de renúncia da vida de pecado em preparação para a vinda do Messias, então como entender o fato de o próprio Messias ter sido batizado por ele? Ademais, a própria Bíblia é inequívoca ao afirmar a impecabilidade de Jesus (Hb 4:15). Isso nos leva a refletir sobre o verdadeiro significado do batismo de Cristo. 


O batismo de Jesus

Depois de trinta anos de anonimato na Galileia (pelo menos naquilo que os evangelhos narram), Jesus apareceu para Seu primeiro ato público. Embora fosse época das grandes festas religiosas do outono (Trombetas, Expiação e Tabernáculos), em que grandes peregrinações ocorriam em Jerusalém, Jesus foi à Judeia especificamente “para ser batizado por João” (Mt 3:13). Tais festas sequer são mencionadas. O motivo da viagem de 100 km era claro. A princípio nem o próprio João compreendeu (Mt 3:14), chegando até mesmo a resistir. Se muitos dos fariseus não eram adequados para receber o batismo, no caso de Jesus era o batismo que não lhe era adequado. 
Mas Jesus foi incisivo com João ao afirmar que naquele momento isso era necessário “a fim de cumprir toda a justiça” (Mt 3:15). Nesse contexto, “‘cumprir toda a justiça’ significava completar tudo que faz parte de um relacionamento de obediência a Deus. Assim, Jesus Se identificou e ao mesmo tempo endossou o ministério de João como divinamente ordenado e sua mensagem como algo que deve ser ouvido”.2

Algumas observações devem ser feitas sobre o batismo de Cristo. Em primeiro lugar, não foi um batismo de arrependimento. Então, não nos batizamos com o mesmo propósito de Cristo. Em segundo lugar, Seu batismo não foi uma simples formalidade. Cristo mesmo Se opôs tenazmente à religião formalista de Sua época. De fato, havia uma profecia que apontava para o início de Seu ministério como “ungido”, o Messias prometido. No batismo, Ele foi ungido pelo Espírito Santo e começou a última semana de Daniel 9:24-27. Por fim, da mesma forma, Seu batismo não pretendia ser apenas um exemplo a outros. Pois nele, Jesus verdadeiramente recebeu de modo especial o poder do Espírito Santo para cumprir Sua missão.  

Como resultado de Seu batismo, houve uma visão e uma audição. O céu se abriu e o Espírito desceu em forma de pomba (Lc 3:21, 22). O paraíso foi fechado por Adão, mas o céu se abriu para Cristo. O batismo marcou o caminho de volta para casa (Mc 16:16). O batismo não deve ser visto como o fim, mas o início da jornada rumo à santificação. A voz do Céu (Lc 3:22b) citou porções de Salmo 2:7 (“Tu é o Meu Filho”) e Isaías 42:1 (“em quem a Minha alma se compraz”). Respectivamente, ambas as profecias tratam da entronização do Filho divino como rei e da comissão do servo sofredor que, com Seu próprio sangue, tornou-se Mediador da nova aliança. Assim, em Seu batismo, Cristo foi empossado e comissionado. É somente à luz desse contexto que o significado de Seu batismo pode ser entendido.                           


As tentações de Jesus

Os evangelhos sinóticos (Mt, Mc, Lc) são unânimes em afirmar que o evento subsequente ao batismo de Cristo foi Sua tentação no deserto. Imediatamente (Mc 1:12) após o Jordão, Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito para ser tentado. (Lc 4:1, 2). De acordo com Hebreus 2:17,18, “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, Se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.”

Curiosamente, Lucas é o único evangelista que insere uma genealogia de Jesus entre esses eventos (Lc 3:23-38). Do ponto de vista literário e teológico, duas razões podem ser apontadas aqui. Em primeiro lugar, a genealogia vem entre dois eventos em que a filiação de Jesus estava em questão3. No primeiro, ela é afirmada (Lc 3:22), no segundo ela é questionada (Lc 4:3). Em segundo lugar, a genealogia de Lucas termina em Adão, filho de Deus (Lc 3:38). Essa não é uma ordem comum para as genealogias na Bíblia, que geralmente começam nos ancestrais mais antigos até chegar aos mais contemporâneos. A de Lucas parte do presente em direção ao passado. Por meio disso, Lucas enfatizou o caráter universal da obra messiânica. Porém, mais do que isso, ele preparou o cenário para a cena seguinte, em que Cristo, o segundo Adão, foi tentado no deserto. Exatamente na primeira tentação Jesus foi questionado sobre Sua posição como Filho de Deus.

Na teologia paulina, cuja influência sobre Lucas deve ter sido grande, fica claro o paralelo entre Adão e Cristo. Adão “prefigurava Aquele que havia de vir” (Rm 5:14). Assim como por meio da derrota de Adão todos compartilham da morte, por meio da vitória de Cristo todos obtêm vida livremente (1Co 15:22). Por Sua vida vitoriosa “o último Adão é espírito vivificante” (1Co 15:45). Da mesma forma, Ellen White destacou esse relacionamento. Ela afirmou: “Cristo, no deserto da tentação, ficou no lugar de Adão para suportar a prova que ele deixou de resistir”.4 Contudo, “Ele não estava em posição favorável para suportar as tentações de Satanás, como estava Adão quando foi tentado no Éden”5. De fato, Adão foi derrotado no paraíso, enquanto Cristo foi vitorioso no deserto.

As tentações demonstram que as táticas do inimigo das almas não tinham, em essência, mudado desde o Éden. Na primeira tentação, ao questionar a filiação de Cristo, Satanás estava pondo em dúvida a própria palavra de Deus que, dias antes, havia declarado no batismo de Jesus: “Tu és o Meu Filho”. Essa não seria a última vez que Satanás pronunciaria essa indagação. Na cruz, mais uma vez, por meio de porta vozes humanos, ele exclamaria: “Se és o Filho de Deus, salva a Ti mesmo e desce da cruz” (Mt 27:40). As palavras de Satanás ecoam aquelas ditas no Éden: “É assim que Deus disse [...]?” (Gn 3:1). Diferente de Adão e Eva, Jesus optou por viver da palavra que sai da boca de Deus (Lc 4:4).

Na segunda tentação, Satanás buscou desviar Cristo de Sua missão como servo sofredor Lhe oferecendo “os reinos do mundo” (Lc 4:5). Na verdade, essa era a expectativa tanto do povo como dos líderes judaicos; um messias conquistador, cujo cetro não só livraria Judá da dominação romana, mas os levaria a conquistar os reinos deste mundo. Essa foi uma tentação constante em Seu ministério. Até mesmo Pedro, levado pelos pensamentos humanos de um messias político, usou um refrão parecido, buscando dissuadir Cristo de Sua missão na cruz. O mesmo recebeu uma das mais duras repreensões registradas no Novo Testamento: “Arreda-te de mim Satanás” (Mt 16:22, 23). 
Ao que parece, nem mesmo Satanás percebeu o tamanho de sua presunção, pois oferecia a Cristo o que já era dEle. A lógica dessa tentação também evoca a estratégia usada no Éden. A serpente ofereceu para Eva mais do que ela já tinha. Como se Deus a tivesse privado de algum bem. Ambos poderiam ter mais: Naquele caso, ser “como Deus” (Gn 3:5). Contudo, Eva se esqueceu que já possuía a semelhança e imagem de Deus. O diabo buscava criar a necessidade de algo que ambos aparentemente não possuíam. Por vezes, ainda é assim. A tentação funciona como uma oferta de algo que Deus Se esqueceu de nos dar e que, sem isso, não poderíamos ser felizes. Eis o grande engano por trás das tentações!

Por fim, na última tentação, Satanás apelou para a única autoridade que Cristo havia reconhecido até ali, a Palavra de Deus. No entanto, a distorceu a seu bel prazer, fazendo-a dizer aquilo que nunca tinha pretendido expressar. O diabo citou o Salmo 91:10, 11. Trata-se de uma afirmação do cuidado de Deus para com o salmista. Assim, “a tentação é um teste do cuidado de Deus e da confiança de Cristo em Deus”6. De fato, o homem piedoso não precisa fazer esse teste porque ele tem fé em Deus, e por isso, o ato de atirar-se representa exatamente o oposto: é um sinal de falta de fé.7 Ao longo de Seu ministério, Jesus lutaria para colocar a palavra de Deus na sua devida perspectiva. A vontade de Deus havia sido tão distorcida pelos intérpretes de Seu tempo que havia se tornado um fardo difícil de carregar.

Assim foi no Éden também; ali a serpente distorceu o que Deus havia dito. Ela deu novo significado para o “conhecimento do bem e do mal”, fazendo com que parecesse algo bom que Deus lhes havia privado (Gn 3:5).

Como podemos ver, os mesmos elementos presentes na queda do homem estão presentes na tentação de Cristo no deserto. Na primeira, Ele foi tentado a não crer na palavra de Deus. Na segunda, foi tentado a rejeitar Sua autoridade. Enfim, na terceira, Ele foi tentado a desconfiar da bondade de Deus. Todos esses elementos estavam presentes na estratégia da serpente com Adão e Eva. A diferença é que Cristo venceu todas elas. A lógica da tentação continua a mesma. Apenas a palavra de Deus objetivamente revelada nas Escrituras deve ser nossa salvaguarda. Em Cristo podemos ser vitoriosos. Ele nos deixou o exemplo de como enfrentar a tentação e nos concede o poder, por meio do Espírito, para obter a vitória.


Conclusão

No início de Seu ministério, Cristo começou a trilhar o caminho que Israel havia trilhado muitos séculos antes. Além de ser o segundo Adão, Cristo é o novo Israel. Como Cristo, Israel foi batizado tanto na nuvem como no mar (1Co 10:2) antes de enfrentar o deserto. Para cada ano de Israel no deserto, Cristo passou um dia. Não foi por acaso que todos os textos mencionados por Cristo durante a tentação são extraídos de algum momento da experiência de Israel (Dt 8:3; Êx 20:3-6; Dt 6:14). Cristo não representa apenas Israel, mas a humanidade inteira. Ele carrega em Seus ombros nossas fragilidades, derrotas, e incapacidades. Em troca, coloca sobre nós Sua força, Sua vitória e Seu poder. A vitória de Cristo no deserto é a nossa vitória. Por isso, não hesitemos em dizer que nEle “somos mais que vencedores” (Rm 8:37).


Referências:

1. BAPTISM. Jewish Encyclopedia. Disponível em: http://www.jewishencyclopedia.com
/articles/2456-baptism.    
2. BLOMBERG, C. The New American Commentary: Matthew. v. 22. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 1992. p.81
3. BOCK, D. L. Luke: 1:1-9:50. v. 1. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 1994. p. 349.
4. WHITE, Ellen Gould; SILVA, Horne P. No deserto da tentação: os primeiros e decisivos lances da vitória sobre o pecado. 6ª ed. , 2. reimp. São Paulo - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012. P.38.
5. Idem, p. 38
6. BOCK, 1994, p. 380.
7. Marshall, I. H. The Gospel of Luke: a commentary on the Greek text. Exeter: Paternoster Press, 1978. p. 173.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Lição Adultos - Estudo adicional

“Lucas, o autor do evangelho que tem seu nome, era médico-missionário. Nas Escrituras ele é chamado ‘o médico amado’ (Cl 4:14). O apóstolo Paulo ouviu falar de sua habilidade como médico, e o procurou como a alguém a quem o Senhor havia confiado uma obra especial. Obteve sua cooperação, e por algum tempo Lucas o acompanhou em suas viagens de um lugar para outro. Depois de certo tempo, Paulo deixou Lucas em Filipos, na Macedônia. Ali ele continuou a trabalhar por vários anos, tanto como médico, como na qualidade de professor do evangelho. Em sua obra médica, ministrava aos enfermos, e orava então para que o poder restaurador de Deus repousasse sobre os aflitos. Assim o caminho era aberto para a mensagem evangélica. O êxito de Lucas como médico concedeu-lhe muitas oportunidades para pregar Cristo entre os gentios. É o plano divino que trabalhemos como os discípulos fizeram” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 140, 141).

Perguntas para reflexão

1. Se Lucas, ao escrever seu evangelho, levou em conta materiais publicados anteriormente, como devemos entender a inspiração das Escrituras (2Tm 3:16)? Como a inspiração atua? Ver, de Ellen G. White, “A Inspiração dos Escritores Proféticos”, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 15-23.

2. O nascimento virginal ocorreu por obra de Deus, e é marcado por Seu mistério, Sua majestade e Sua missão. Também está além da compreensão humana. Mas a pergunta é: Que importa isso? Quantas coisas seculares também estão além da compreensão humana? Se Deus de fato existe, e se Ele tem o poder de criar e sustentar o Universo, o nascimento virginal estaria além de Seu poder? Afinal de contas, veja o que o anjo disse a Maria após lhe dar a incrível notícia: “Pois para Deus não haverá impossíveis” (Lc 1:37).

3. Um entrevistador de TV disse que, se tivesse oportunidade, a pessoa que ele mais gostaria de entrevistar seria Jesus, e que faria apenas uma pergunta: “O Senhor de fato nasceu de uma virgem?” Por que essa pergunta e sua resposta são tão importantes? 

Lição Jovens - Servindo ao Deus do impossível

O livro de Lucas é um dos meus favoritos porque descreve mais detalhadamente a vida de Jesus. Fala dos ancestrais de Cristo, Seu nascimento e desenvolvimento. Lucas era médico e, ao ler suas palavras, sinto que ele estava descrevendo todo detalhe de Jesus como se ele fosse o médico da família do Salvador. Outro ponto que me impressiona é a fidelidade de Lucas. Sendo médico e estudado, poderia ter sido cético a respeito dos milagres de Cristo e desacreditado em Suas palavras. No entanto, Lucas não somente acreditou em Jesus, mas também afirmou que “nada é impossível para Deus” (Lc 1:37).

Os que me conhecem já me ouviram dizer que sirvo ao Deus do impossível. Deus tem Se revelado a mim exatamente assim. Certa vez, quando adolescente, lavei as calçadas de nossa casa. Quando terminei, minha mãe me pediu que espalhasse um pouco de desinfetante, mas ao pegar o frasco, espirrei, por engano, ácido sulfúrico. Um pouco do ácido caiu nos meus olhos. Ao lavá-los, orei para que Deus fizesse um milagre. E Ele fez. O oftalmologista disse que minha visão estava perfeita! Se ácido sulfúrico pode derreter uma esponja molhada em segundos*, também poderia facilmente ter queimado meus olhos. Mas para Deus nada é impossível!

Milagres estão conectados diretamente com o impossível. Maria contemplou um anjo e conversou com esse mensageiro de Deus. Gabriel lhe disse que ela daria à luz Jesus enquanto ela ainda era virgem e, ao mesmo tempo, ele a lembrou do milagre que Deus havia feito na vida de Isabel (Lc 1:36).

A Bíblia nos lembra de que não existe nada difícil para Deus (Jr 32:17). Jesus em breve estará voltando para aqueles que morreram aguardando Sua vinda e para aqueles que ainda O estão esperando. Então, jamais fique desencorajado quando enfrentar um desafio. Lembre-se de que o mesmo Deus que abriu o mar Vermelho, deu forças e inteligência a Noé para construir uma arca e fez uma mulher estéril ter filhos é o mesmo Deus que adoramos hoje. E Ele realiza milagres por nós se necessário for.

* “Sulphuric acid vs a wet sponge”, YouTube, acessado em 25 de fevereiro de 2014, http://www.youtube.com/watch?v=F5jfRjzXLbE.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Lição Adultos - Os que deram testemunho a respeito do Salvador

Embora estivesse escrevendo primariamente para os gentios, Lucas estava ciente da importância da herança judaica transmitida por meio do Antigo Testamento. Ele teve o cuidado de ligar a história do Novo Testamento com o Antigo, e apresentou a bela cena de Maria e José circuncidando o bebê Jesus ao oitavo dia e levando-O ao templo de Jerusalém, tudo de acordo com a lei judaica (Lc 2:22-24).

5. Leia Lucas 2:25-32. Note três pontos concernentes à teologia da salvação que Simeão enfatizou: a salvação é através de Jesus; a salvação é preparada por Deus; a salvação é para todos os povos, tanto para os gentios como para Israel. Como essas verdades estão relacionadas à mensagem do primeiro anjo de Apocalipse 14:6, 7?

A profecia de Simeão também predisse dois aspectos significativos do ministério de Jesus.

Primeiro, Cristo estava “destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel” (Lc 2:34). Sim, Cristo trouxe luz e salvação a todos, mas não sem um custo para quem as recebe. Com Cristo não há posição neutra: ou a pessoa O aceita ou O rejeita, e a salvação depende da resposta apropriada. Cristo exige exclusividade: ou permanecemos nEle, ou não. Aqueles que permanecerem nEle ressuscitarão e farão parte de Seu reino; os que O rejeitarem ou ficarem indiferentes a Ele tombarão e perecerão sem esperança. A fé em Cristo é inegociável.

Segundo, Simeão profetizou para Maria: “Uma espada traspassará a tua própria alma” (Lc 2:35). A referência foi, sem dúvida, à morte de Jesus na cruz, que Maria iria testemunhar. Maria e todas as gerações que vieram após ela deviam se lembrar de que sem a cruz não há salvação. A cruz é o eixo em torno do qual gira todo o plano da salvação.

A salvação é um presente no sentido de que não podemos fazer nada para merecê-la. Contudo, mesmo assim, ela pode ter um custo muito grande para aqueles que a aceitam. Qual foi o preço que você já teve que pagar por seguir a Cristo, e por que esse preço é muito pequeno?

Comemore conosco! A programação da Semana Santa está comemorando 45 anos de existência. Esse programa tem abençoado a vida de muita gente!

Lição Jovens - Meu tipo de pessoa

Se você observar os perfis em um website de relacionamentos, notará frases como: “descontraído”, “rapaz/moça normal”, ou “justamente seu tipo de pessoa”. Gostamos de estar perto de tais “tipos” porque nos deixam confortáveis e é fácil a comunicação com eles. Deus nos conhece e também aprecia isso.

A lição desta semana é sobre a primeira vinda de Jesus. Para mim, algo que se destaca é: como Deus usou pessoas comuns para realizar Sua obra de preparar o mundo para esse evento: sacerdotes (Lc 1:5), uma mulher estéril (Lc 1:18), uma virgem, um carpinteiro (Mt 13:53-55; Lc 1:26-34) e um pregador itinerante (Lc 3:1-6) foram algumas. Eram pessoas comuns, fazendo coisas extraordinárias para Deus. Você pode estar pensando: “Uau, que loucura! Gostaria que Deus pudesse me usar assim!” Mas Ele pode, se você permitir! É tão fácil como contar “um, dois, três”!

Familiarize-se com suas fraquezas. O apóstolo Paulo descreveu sua experiência, a qual muito pode nos ajudar na jornada cristã. Ele falou sobre um “espinho na carne”, permitido por Deus para que o incomodasse. Paulo precisou conviver com essa fraqueza a fim de manter sua dependência de Deus (2Co 12:7-10).

Familiarize-se com a força de Cristo. A beleza desse fato é que Paulo reconheceu quanto era fraco e admitiu que o poder divino se aperfeiçoava na fraqueza. Em 2 Coríntios 4:7, mencionou que o poder do evangelho é como tesouro em vasos de barro. Jesus é nossa fonte de força. Precisamos do Seu poder pela presença do Espírito Santo, independente de nossa posição na vida.

Torne-se disponível. Essa é uma área na qual tenho lutado. Oro constantemente para que o Senhor me faça disposta a seguir Sua vontade. Se nos tornarmos disponíveis, Sua força nos susterá. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Lição Adultos - A manjedoura de Belém

Lucas começou o relato da manjedoura de Belém com uma referência histórica. José e Maria saíram de sua casa em Nazaré para viajar até sua cidade natal, Belém, devido a um recenseamento decretado por César Augusto, imperador de Roma, quando Quirino era governador da Síria. Esses detalhes históricos devem levar o estudante da Bíblia a apreciar a submissão de Lucas ao Espírito Santo, que o levou a registrar os detalhes da Encarnação dentro da estrutura da História.

4. Reflita sobre a pobreza de Jesus conforme vista em Lucas 2:7. Compare a imagem de “panos” (NVI), da “manjedoura” e de que “não havia lugar […] na hospedaria” com a descrição feita por Paulo, em Filipenses 2:5-8, sobre a condescendência de Jesus. Que tipo de estrada Ele teve de palmilhar por nós?

A história das circunstâncias pobres em que o Senhor do Céu Se encarnou continua com os primeiros visitantes que foram à manjedoura: os pastores. A “boa-­nova de grande alegria” (Lc 2:10) não foi dada aos ricos nem aos poderosos, nem aos escribas nem aos sacerdotes, nem aos governantes nem aos potentados que tinham domínio sobre o território, mas aos humildes e desprezados pastores. Observe a majestade e a simplicidade da mensagem: “Nasceu um Salvador para vocês na cidade de Davi. Ele é Cristo, o Senhor, o Ungido. Vocês O encontrarão envolto em panos” (tradução do autor). O mais precioso dom do Céu veio numa embalagem simples, como frequentemente ocorre. Mas o presente trouxe “glória a Deus”, “paz na Terra” e “boa vontade para com os homens” (v. 14, ARC).
O relato de Lucas com respeito ao anjo (Lc 2:9-12) apresenta três assuntos vitais da teologia cristã. Primeiro, a boa-nova do evangelho é para “todo o povo”. Em Jesus, judeus e gentios se tornam um só povo de Deus. Segundo, Jesus é o Salvador; não há nenhum outro.
Terceiro, Jesus Cristo é o Senhor. Esses três temas, tão claramente estabelecidos no princípio dos escritos de Lucas, se tornaram, mais tarde, o alicerce da pregação apostólica, particularmente a de Paulo.

Pense sobre aquilo que cremos como cristãos: o Criador de todas as coisas (Jo 1:1-3) não só entrou neste mundo caído como um ser humano, mas também viveu uma vida dura, que terminou numa cruz. Se cremos realmente nisso, por que todos os aspectos de nossa vida devem ser vividos em submissão a essa verdade? Que partes de sua vida refletem sua crença na história de Jesus, e quais partes não a refletem?

O tema de hoje na Semana Santa é Ele Se entregou por você. Envolva-se e seja abençoado.

Lição Jovens - Leve seu guarda-chuva

Conta-se a história de uma pequena comunidade agrícola que estava enfrentando uma seca prolongada. Então, seus habitantes decidiram dedicar um dia para orar pedindo chuva. No dia marcado para as orações, uma grande multidão se formou. Lá atrás, uma garotinha permanecia com um guarda-chuva aberto acima da cabeça. Logo começou a atrair a curiosidade daqueles que estavam à sua volta. Quando lhe perguntaram por que ela havia trazido um guarda-chuva, uma vez que não chovia havia tanto tempo, ela simplesmente respondeu: “Eu vim para orar e creio que irá chover, então eu trouxe meu guarda-chuva.”*

Muitas vezes, somos como as pessoas daquela vila. Oramos mas não acreditamos que acontecerá o que estamos pedindo. Oramos pedindo chuva, mas deixamos nosso guarda-chuva em casa. Em Lucas 1:11-19, lemos sobre o anjo Gabriel que anunciou a Zacarias o nascimento de João Batista. Deus havia escolhido João Batista para ser Seu mensageiro especial a fim de preparar o caminho do Messias. Zacarias e Isabel foram os instrumentos escolhidos por Deus para moldar o caráter da criança.

Eles eram um casal justo e temente a Deus. Havia muito tempo, oravam por um filho. Nos tempos bíblicos, uma mulher que não fosse capaz de conceber filhos era vista como amaldiçoada por Deus. Mas, enquanto os homens enxergavam a esterilidade de Isabel como um indicativo de pecado, Deus via sua condição como uma oportunidade para bênção. Às vezes, parece que nos são negadas as coisas que tanto desejamos (boas notas, dinheiro, etc.). Entretanto, em algumas ocasiões, Deus nos deixa passar por desapontamentos para que possamos apreciar mais completamente Seu poder e o que Ele é capaz de fazer por nós.

Quando o anjo anunciou que Deus finalmente tinha respondido as orações deles, a reação de Zacarias foi de dúvida: “Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher está em idade avançada” (Lc 1:18). De forma semelhante, às vezes, pensamos em todo tipo de razões pelas quais Deus não seria capaz de vir até nós sob um conjunto particular de circunstâncias. A fé sem obras é morta. Se acreditamos, nossa fé deve se revelar em ações. Então, se vamos orar pedindo chuva, não nos esqueçamos de carregar o guarda-chuva conosco!

* “Little Girl brings Umbrella when Families Pray for Rain”, Character Quality Stories, acessado em 24 de março de 2014, http://characterqualitystories.com/cqs/node/439.