O elevado estilo linguístico do Evangelho de Lucas revela a capacidade intelectual de seu autor. Provavelmente escrito até 63 d.C., ele tinha como alvo, em especial, leitores gregos. Não é em vão que, em Lucas, Cristo é apresentado como o Amigo da Humanidade, que está “em contato íntimo com as necessidades humanas, enfatizando o lado humano de Sua natureza”.2
O Evangelho de Lucas revela o Salvador compassivo e amoroso que não tolera o preconceito em qualquer de suas formas, seja racial, social ou mesmo religioso. Ele se relaciona em todas as facetas diárias com aqueles que a elite social e religiosa israelita ou romana nem sequer ousava tocar. Por isso, não seria exagero afirmar que em Lucas 19:10 encontramos o resumo mais apropriado da obra do Salvador: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.”
A partir do prefácio de Lucas (1:1-4) também é possível inferir que sua tarefa era oferecer a seus contemporâneos “um relato da história de Jesus capaz de habilitá-los a ver que a história com a qual eles tinham parcialmente se familiarizado era uma base confiável para sua fé”.3 Isso mostra que, em seu lugar adequado, as evidências podem desempenhar um papel muito importante em nosso crescimento espiritual.
Além disso, muitos poderiam questionar como a revelação e inspiração podem se encaixar na “acurada investigação” (1:3) que resultou na obra de Lucas, o que pode parecer um tanto quanto “secular” ou “profano” para alguns. Contudo, Lucas nos ajuda a entender que Deus é capaz de Se comunicar tanto mediante formas significativas criadas por Ele miraculosamente como por aquelas criadas de maneira invisível quando Ele fez uso de objetos, documentos e circunstâncias aparentemente comuns.4
De fato, Deus pode falar muitas vezes e de muitas maneiras (Hb 1:1, 2). Ao longo da Bíblia podemos discernir muitos padrões reveladores. Por exemplo, o padrão teofânico no qual o próprio Deus fala diretamente ao profeta e o padrão profético, no qual Deus usa sonhos e visões para Se comunicar. Como o prefácio revela, Lucas produziu seu evangelho pelo padrão histórico. Qualquer que seja o envolvimento humano na revelação, mesmo aquele mais direto como em Lucas, Deus está em constante controle e supervisão do trabalho editorial ou mesmo da seleção das fontes orais e escritas. Portanto, esse controle divino alcança tanto o pensamento quanto as palavras do profeta. Não obstante, a atuação divina sempre levou em conta a individualidade de cada autor bíblico. É exatamente por isso que a Bíblia pode ser considerada uma obra divino-humana. Ambas as dimensões sempre estão relacionadas inseparável e miraculosamente como acontece na natureza divino-humana de Cristo.5
Vale lembrar que a obra de Lucas é mais do que história sagrada. Do ponto de vista teológico e literário, o livro é um evangelho, ou seja, “uma apresentação do ministério de Jesus a partir de seu significado savífico”.6 De fato, por meio da inspiração Lucas, que era médico de homens (Cl 4:14), passou a ser também médico de almas.
Obrigado pelas informações, meu nome é Lucas.
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