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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lição Jovens - Você O conhece?

Naquele dia, estavam sentadas na sinagoga pessoas que conheceram a Jesus enquanto Ele crescia. Outras haviam somente escutado falar a Seu respeito, e algumas O tinham visto algumas vezes. Também pode ser que esivessem presentes alguns parentes e viajantes curiosos que foram escutar o Filho de José e Maria falar.

Mas espere! Ele alegou ser Aquele de quem o profeta Isaías falou? Sim! Ele leu como se cada palavra tivesse sido escrita sobre Ele. Era a imaginação deles ou parecia que Ele estava recitando as palavras do profeta quase de cor: “O Espírito do Senhor está sobre Mim” (Lc 4:18)? Eles se esforçaram para escutar e compreender que confusão era aquela. Quem seria esse Homem?

Eles haviam escutado as histórias. Os milagres certamente não podiam ser reais. E, mesmo que fossem, que diferença fariam? Ele era somente o filho de José e Maria. Muitas pessoas que O tinham visto realizar milagres ou haviam sido curadas por Ele também não sabiam quem Ele realmente era. Estavam satisfeitas com as coisas que Ele havia feito, portanto não se preocuparam em saber mais sobre Ele.
Corremos o risco de fazer o mesmo hoje. Muitos estão satisfeitos em adorar o Deus que nossos pais e pastores descrevem, em vez de procurar conhecê-Lo pessoalmente. Oswald Chambers escreveu: “Procure sempre fazer distinção entre o que você sabe que Jesus é e o que Ele fez por você. Se seu conhecimento se limita apenas ao que Ele fez por você, então você não tem um Deus suficientemente grande; mas, se tiver tido uma visão de Jesus como Ele é, as experiências podem ir e vir, você permanecerá firme ‘como quem vê Aquele que é invisível’.”*

Você realmente conhece Jesus? Tem permitido que Ele o ajude em cada aspecto da sua vida? Semelhante à mulher com o problema de hemorragia, tem você pessoalmente experimentado o poder de Cristo (Lc 8:40-48)? Se fizermos isso, então, como Paulo, também poderemos dizer: “Eu sei em quem tenho crido” (2Tm 1:12).

* Oswald Chambers, My Utmost for His Highest (Grand Rapids, Mich.: Oswald Chambers Pub. Assn. Ltd., 1992), 9 de abril.


Mãos à Bíblia

- Liste os traços de caráter que definem Jesus e avalie como você está manifestando esses traços em sua própria vida. Ore para que o Espírito Santo o ajude a crescer em áreas nas quais você se sente fraco.

- Assista a um filme ou a um programa de televisão ou leia um livro sobre um aspecto da natureza que particularmente lhe interessa. O que isso lhe ensina sobre nosso Criador?

- Liste as características de Cristo que mais chamam sua atenção. Peça a guia do Espírito Santo para desenvolver esses traços.


Pense nisto

- Por que é importante considerar o que Jesus tem feito por você e quem Ele é para você?

- O que significa ter uma experiência pessoal com Jesus? Compartilhe sua opinião com a classe no sábado.

Ogechi Nwankwo | Moreno Valley, Califórnia, EUA 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Lição Jovens - “Quem vocês dizem que Eu sou?”

Cristo desafiou Seus discípulos com essa pergunta (Mc 8:29). Hoje, Ele nos desafia com a mesma indagação. O próprio Jesus nos diz quem Ele é: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14:6); “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22:13).

Para o filho pródigo, Ele é o pai amoroso esperando pacientemente que ele volte para casa (Lc 15:11-32). Para o enfermo, Ele é o Doador da vida (Jo 10:10). Para o viciado em drogas, álcool ou outra coisa, Ele é o Curador (Êx 15:26). Para o estudante com dificuldades financeiras, Ele é o Provedor (Fp 4:19). Para o deprimido, Ele é o Doador da paz (Fp 4:7). Quem você diz que é Jesus? Passe a conhecê-Lo como seu melhor Amigo, sempre colocando as seguintes estratégias em prática:

Passe tempo com Ele. Separe uma parte especial cada dia para conhecer Jesus. Tiago 4:8 nos diz que, se nos achegarmos a Ele, Ele Se achegará a nós. Medite nEle, em Suas palavras, Seu estilo de vida e Seu dom de salvação. “Esta é a vida eterna: que Te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3).

Procure agradá-Lo em vez de a si mesmo. É necessário um esforço para fazer o que Lhe agrada. “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento” (Mt 22:37, 38).

Fale com Ele. Sim! Jesus ouve e responde às orações. Ele responde às orações proferidas em nossa mente enquanto trabalhamos, nos dirigimos para a escola, ou dirigimos pela rodovia. Ele está sempre pronto para responder nossas orações. “Antes de clamarem, Eu responderei; ainda não estarão falando, e Eu os ouvirei” (Is 65:24).

Confie nEle. Deixe Jesus ser o Senhor de sua vida. Por que tentar resolver seus problemas sozinho, ou enfrentar sozinho os desafios, quando Jesus promete estar ao seu lado para ajudar você? “Entregue seu caminho ao Senhor; confie nEle, e Ele agirá” (Sl 37:5). 

Mãos à Bíblia

5. Leia os relatos da transfiguração nos três evangelhos (Lc 9:27-36, Mt 17:1-9, Mc 9:2-8). (Leia também o relato de primeira mão feito por Pedro acerca do incidente, e note a verdade que o apóstolo estabeleceu a partir de sua experiência como testemunha ocular; ver 2 Pedro 1:16-19). Quais informações adicionais Lucas fornece, e por que elas são importantes?

O Jesus transfigurado estava conversando com Moisés e Elias sobre “Sua partida, que Ele estava para cumprir em Jerusalém” (v. 31). A palavra “partida” pode ser entendida de duas formas: Sua morte iminente em Jerusalém, embora a palavra grega usada aqui, exodus, não seja usada com frequência para a morte; portanto, “partida” pode também significar o grande “êxodo” que Jesus estava para efetuar em Jerusalém, o poderoso êxodo redentor que traria livramento do pecado.

Nadia Ammitie King | Nassau, New Providence, Bahamas 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Lição Jovens - Profecia personificada

Jesus foi a semente prometida para esmagar a cabeça da serpente, Satanás (Gn 3:15). As profecias a respeito da vinda de um Rei e Redentor encheram os livros dos profetas. Ele seria “Príncipe da Paz” para os cativos e um “Conselheiro” para os quebrantados (Is 9:6).
O registro de Lucas sobre o nascimento de Cristo provê a evidência do surgimento do Salvador prometido. O nascimento virginal profetizado por Isaías (7:14) encontra seu cumprimento no relato de Lucas quando o anjo fala a Maria.

Achados arqueológicos recentes apoiam o registro do nascimento de Jesus. Uma equipe estava trabalhando em favor da Autoridade Israelita de Antiguidades e encontrou em suas escavações um selo contendo o nome “Belém”. O selo teria sido usado para rotular remessas fiscais de Belém para a Judeia.1

“Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em Sua aparência para que O desejássemos” (Is 53:2). Lucas 7:24-30 nos diz que Ele deveria ser rejeitado por Sua geração.

Lucas nos apresenta um Cristo pessoal. Pedro, após presenciar os atos de Jesus, se referiu a Ele como o “Cristo de Deus”. A palavra “Cristo” no grego é traduzida como “ungido”.2 Pedro descreveu Jesus como o “ungido” de Deus; e Lucas concorda que Ele verdadeiramente é o ungido do Senhor.

1. Diaa Hadid, “Ancient Bethlehem Seal Unearthed In Jerusalem”, Huffington Post Religion, 23 de maio de 2012,
http://www.huffingtonpost.com/2012/05/23/ancient-bethlehem-seal_n_1538605.html.

2. Wikipedia, ver “Christ” [“Cristo”], modificado pela última vez em 11 de maio de 2014, http://en.wikipedia.org/wiki/Christ.

Pense nisto

- Lucas apresentou Jesus como ele O viu. Como você vê Jesus?

- Como pode sua perspectiva pessoal de Jesus, o Ungido de Deus, ajudar outros a se aproximarem dEle?


Mãos à Bíblia

4. Leia Lucas 9:18-27. Por que Jesus teria feito aos discípulos uma pergunta cuja resposta Ele já sabia? Que lição Ele estava procurando ensinar-­lhes, não apenas sobre Si mesmo, mas sobre o que significa segui-Lo?

“Mas vós ... quem dizeis que Eu sou?” (Lc 9:20). A pergunta que Jesus fez dois mil anos atrás ainda perturba a História. Depois de revelar Sua autoridade sobre a natureza (Lc 8:22-25), Seu poder sobre os demônios (v. 26-35), Seu poder sobre as doenças (Lc 5:12-15, 8:43-48), Sua capacidade de alimentar cinco mil pessoas a partir de quase nada (Lc 9:13-17), Seu poder sobre a própria morte (Lc 8:51-56), Jesus confrontou Seus discípulos com o que, na realidade, são duas perguntas: primeiro, o que os outros pensavam dEle; depois, o que os próprios discípulos pensavam.

Scheri-lyn Makombe | Indianápolis, Indiana, EUA 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Lição Jovens - Só Jesus

Nas Escrituras existem descrições do Salvador vindouro, do Filho do homem e de Sua obra. “Ele deveria ficar entre o pecador e a condenação do pecado; poucos, entretanto, O receberiam como o Filho de Deus. Ele deixaria Sua elevada posição como a Majestade do Céu, apareceria na Terra e Se humilharia como um homem, e, pela Sua própria experiência, Se familiarizaria com as tristezas e tentações que o homem teria de enfrentar. Tudo isso seria necessário a fim de que Ele pudesse socorrer os que fossem tentados.”1 Precisamente, por meio de Sua vida e Seu ministério, Jesus conseguiu alcançar tudo isso. Mas quem é Ele para você?

“Nosso Senhor Jesus Cristo veio a este mundo como o infatigável servo das necessidades do homem. ‘Tomou sobre Si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças’ (Mt 8:17), a fim de poder ajudar todas as necessidades humanas. Veio para remover o fardo de doenças, misérias e pecado. Era Sua missão restaurar inteiramente os seres humanos; veio trazer-lhes saúde, paz e perfeição de caráter.”2

“Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2:1). Essas palavras confortantes falam ao nosso coração saudoso enquanto, ao mesmo tempo, nos fazem saber que “temos um advogado no trono de Deus, que está circundado pelo arco da promessa, e somos convidados a apresentar nossas petições diante do Pai em nome de Cristo. Jesus diz: Peça o que quiser em Meu nome, e isso lhe será dado. Ao apresentar Meu nome, vocês mostrarão que pertencem a Mim, que são Meus filhos e filhas, e o Pai lhes tratará como Seus próprios filhos, e os amará como ama a Mim.”3 Todas essas promessas acalmam e confortam nosso coração atribulado.

1. Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 64.

2. ___________ , A Ciência do Bom Viver, p. 17.

3. ___________ , Jesus, Meu Modelo [MM 2009], p. 14.

Pense nisto

- Jesus tem sido “muitas coisas” para muita gente. E em sua experiência de vida, quem é Jesus para você?

- Dentre as muitas áreas da sua vida que Jesus satisfaz, qual você acha ser a mais vital?


Mãos à Bíblia

Embora Jesus tivesse plena consciência de que era tanto o Filho do homem como o Filho de Deus (Lc 22:67-70), “Filho do homem” era a maneira favorita de nosso Salvador Se referir a Si mesmo. O termo aparece mais de 80 vezes nos evangelhos, e 25 vezes em Lucas. O uso que Lucas faz do título mostra o profundo interesse do autor na humanidade de Jesus como o Homem universal enviado por Deus para proclamar as boas-novas da salvação.

Wayne Duncombe | New Providence, Bahamas 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Lição Jovens - Quem é Jesus para você?

O Filho de Deus, o Filho do Homem (Lc 1:26-38; 3:21-38). Para mostrar quanto Ele nos ama, Jesus, o Filho do Deus Altíssimo, envolveu-Se em vestes humanas e nasceu em um estábulo em Belém. Apesar de ser o Filho de Deus, também é o exemplo perfeito de humildade. Não achou vergonhoso ser contado entre nós. Não exigiu ser adorado, nem saiu proclamando Sua autoridade. Em vez disso, Ele identificou a Si mesmo como o Filho do homem. Dessa maneira, foi capaz de evitar a ira dos judeus até completar Seu ministério.

O grande curador (Lc 4:16-41; 7:2-17; 8:41-56). Grande parte dos relatos de Lucas mostra Jesus curando enfermos, restaurando a visão dos cegos, expulsando demônios e ressuscitando amados de volta à vida. Esse trabalho foi profetizado em Isaías 61:1, 2, ao qual Jesus Se referiu em uma sinagoga no dia de sábado (Lc 4:16). Cristo foi ungido pelo Espírito Santo para pregar as boas- novas da salvação a todos aqueles cujo coração estava ansioso pelo conhecimento real da Palavra de Deus. Ele curou corações dilacerados pelos efeitos do pecado. Livrou pessoas que estavam sob a influência do maligno e deu visão tanto ao cego físico quanto ao espiritual.

O defensor dos rejeitados (Lc 8:1-3, 41-56). Nos tempos bíblicos, mulheres, crianças, pobres e estrangeiros eram considerados a “classe baixa”. Mulheres e as crianças eram vistas como possessão dos homens, e frequentemente eram vendidas como escravas para pagamento de dívidas. Jesus, ciente dessa desigualdade cultural, manifestou profundo interesse na valorização dessas pessoas. Ele acolheu e abençoou as criancinhas, até mesmo declarando que o Reino do Céu precisava ser recebido como elas (Lc 18:15-17). Ele revolucionou as normas culturais, tratando as mulheres com igualdade, ministrou a elas e permitiu que elas O auxiliassem em Seu ministério (Lc 4:38, 39; 8:1- 3).

No entanto, isso não agradou aos escribas nem aos fariseus e saduceus que observavam rigidamente as leis cerimoniais. Com grande desprezo, eles evitavam os impuros, os mortos, os estrangeiros, os leprosos e as mulheres em sua menstruação. As ações de Jesus desafiaram o raciocínio legalista deles. Ele não considerou contaminação oferecer o toque da cura quando tomou pela mão a filha de Jairo trazendo-a de volta à vida ou quando a mulher com grave fluxo de sangue O tocou (Lc 8:41-56). Para elas, Ele foi seu Herói.
O Salvador do mundo (Lc 4:16-30; 9:18-36; Jo 3:16-19). Por séculos, as profecias anunciaram a vinda do Salvador. Toda mulher judia se perguntava se Ele seria seu filho, mas Deus concedeu essa graça a Maria.

“Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus!” (Lc 1:30). Finalmente, quando Jesus veio para os Seus, “eles não O receberam” e alguns, em sua descrença, buscaram lançá-Lo de um penhasco. Jesus não satisfazia as noções preconcebidas que eles tinham a respeito do Messias. Esperavam que Ele desfilasse ao som de trombetas, mas em vez disso, Ele veio como um modesto bebê em uma família humilde e simples. Eles esperavam um Salvador que os livrasse da opressão romana, mas Jesus veio para salvar do pecado. Sua própria essência ia contra o sistema de valores deles. Em vez de tolerar a maldade deles, Ele os censurou por terem escolhido habitar nas trevas. Assim, eles endureceram o coração para a mensagem de salvação e vida eterna.

João Batista confiou na palavra de Deus. Ele e seus seguidores esperaram com grande antecipação para ver o Salvador. No entanto, quando Jesus veio, apesar de terem crido, queriam ter certeza. Buscaram essa garantia perguntando a Jesus, e Ele lhes assegurou isso por meio de palavras e de atos de cura (Lc 7:18-22).

Os discípulos também foram receptivos a Jesus. Apesar de cegos a princípio pela cultura prevalecente, seu coração se abriu para as verdades que Jesus ensinou. Pedro, com discernimento divino, declarou que Jesus era, sem dúvida, “o Cristo de Deus”. No episódio da transfiguração, ele teve ainda mais prova dessa afirmação.

Jesus veio para dar Sua vida em resgate dos perdidos. No entanto, a vida eterna é garantida somente àqueles que creem que Ele é o Salvador e O recebem como Senhor. Ele nos convida ao arrependimento. Ele quer ser nosso Salvador, Senhor e Amigo. Quem é Ele para você? 

Pense nisto

- Durante o ministério de Jesus na Terra, houve reações diferentes para com Ele. Se você vivesse naquela época, como acha que teria reagido?

- Você teria desprezado Jesus porque Suas repreensões doeram em você ou O teria amado por mostrar-lhe a verdade e o caminho para a salvação?


Mãos à Bíblia

“Filho do homem” e “Filho de Deus” são dois nomes usados nos evangelhos para descrever Jesus. O primeiro indica que Ele era Deus encarnado; o segundo aponta para Sua natureza divina como a segunda Pessoa da Divindade.

3. Leia Lucas 1:31, 32, 35; 2:11. O que esses versos nos dizem sobre quem Jesus realmente é?

Em Lucas 1:31, 32, o anjo liga o nome “Jesus” com o “Filho do Altíssimo” a quem o Senhor “dará o trono de Davi”. Jesus é o Filho de Deus. É também o Cristo, o Messias.

Audwin e Laël Josiah | St. John’s, Antigua, Antilhas 

domingo, 12 de abril de 2015

Lição Jovens - Meu tudo

Em maio de 2013 fui enviada para trabalhar em Porto Príncipe, no Haiti. Ao preparar a mudança, pedi a proteção divina enquanto eu estivesse lá. No dia em que cheguei, houve uma pequena demonstração de procedimentos em caso de emergências. No entanto, eu estava em paz, confiante de que estava segura nos braços de Jesus. Meu relacionamento com Cristo me manteve calma. Durante os muitos desafios que enfrentei, meus colegas de trabalho sempre me perguntavam se eu estava com medo. E eu sempre respondia: “Fiz um trato com Deus antes de vir para o Haiti. Portanto, não tenho nada a temer.”

Contudo, têm existido momentos ao longo da vida em que me sinto como João Batista atrás das grades da prisão, mesmo que teoricamente eu saiba que Cristo está comigo e que virá em meu socorro. Nesses momentos em que a vida parece me encurralar, preciso buscar reafirmação em relação a Cristo e a tudo o que Ele representa para mim. Tenho questionado: “‘És Tu Aquele’? (Lc 7:19)?” E toda vez Seu amor tem me provado quem Ele é. Tenho visto os milagres de Cristo em minha vida e na vida daqueles que estão ao meu redor. Pessoalmente tenho conhecido o Cristo do Evangelho de Lucas. E Ele é meu tudo.

Um mês após chegar a Porto Príncipe, eu não mais vivia atrás de paredes de dois metros de altura e não mais havia um guarda armado no meu portão. O trabalho exigiu que eu morasse aproximadamente a uma hora da cidade, na comunidade em que eu servia. Ali, a tranquilidade da água e a magnificência das montanhas revestiam cada dia com a presença de Cristo. Frequentemente, antes de sair para o trabalho, eu escalava a colina para ver os fazendeiros indo para seus campos e os barcos vindo da Ilha de la Gonâve, em dias de compras. Mas o mais importante era que eu encontrava paz na natureza. Nas ocasiões em que meu espírito estava atribulado, eu orava para que Cristo honrasse Sua promessa de me manter segura. No coração, eu estava decidida a fazer dessa uma experiência como nenhuma outra – não pedia simplesmente proteção nesta vida, mas preparo para a vida por vir. A pergunta: “Quem é Cristo Jesus?” pode ser respondida somente pelo estudo da Bíblia e por um relacionamento pessoal com o Senhor. Nesta semana, buscaremos responder a essa pergunta individualmente ao continuarmos o estudo do Evangelho de Lucas.

Mãos à Bíblia

1. Leia Lucas 4:16-30. O que fez com que as pessoas reagissem da maneira como o fizeram? Veja também João 3:19.

2. Leia Lucas 7:17-22. Qual foi a pergunta de João sobre Jesus, e qual seria a razão pela qual ele a fez?

Até mesmo João Batista, o precursor de Jesus, aquele que anunciou Jesus como “o Cordeiro de Deus”, viu dúvidas se insinuarem nas profundezas de sua alma. Ele quis saber: “És Tu Aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Lc 7:19).

Camaria Holder | Calgary, Alberta, Canadá 

sábado, 11 de abril de 2015

Lição Jovens - Quem é Jesus Cristo?

“‘E vocês, o que dizem?’, perguntou [Jesus]. ‘Quem vocês dizem que Eu sou?’ Pedro respondeu: ‘O Cristo de Deus’” (Lc 9:20).

Prévia da semana: Foi a natureza humana do Filho de Maria transformada na natureza divina do Filho de Deus? Não. As duas naturezas fundiram-se misteriosamente numa só pessoa: O Homem Cristo Jesus” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 5, p. 1.242).

Leitura adicional: Salmo 23; Mateus 1:23. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, “Servo dos Servos”, p. 642 

Comentários LES - Quem é Jesus Cristo?

Autor: Pr. Jônatas Leal
Revisão: Josiéli Nóbrega 

Introdução

Há uma longa história de debate sobre quem foi Jesus. Na verdade esse mesmo debate foi igualmente desenvolvido dentro do judaísmo que antecedeu o primeiro século. Apenas a perspectiva era diferente: quem seria o Messias? Como Ele viria? E foram exatamente as expectativas equivocadas que levaram em grande medida muitos a rejeitar Jesus como o Messias. Por isso, a questão não é periférica. Deve-se reconhecer que, atualmente, não há menos ideias equivocadas sobre Cristo do que havia no tempo de sua primeira vinda. Pelo contrário, o tempo serviu de incubadora para tais ideias.

De fato, Jesus dividiu a História. Mas não apenas isso, dividiu as pessoas em dois grupos. Hoje não é diferente. Diante de Jesus não é possível a neutralidade. Nesta semana, temos a oportunidade de refletir sobre a importante questão de quem foi Jesus através do evangelho de Lucas. Contudo, mais do que conhecer a verdade sobre esse personagem que mudou a História, sempre será indispensável ponderar sobre o que isso significa para nós.


“Mas vós, quem dizeis que Eu sou?”

De fato, “a influência titânica desse Homem fez dEle um grande alvo das flechas do criticismo e o objeto supremo de revisão de acordo com os preconceitos do intérprete.1 Curiosamente, depois de tantos anos, “o que os eruditos descobriram por trás do véu foi um Jesus criado às suas próprias imagens, segundo seus próprios preconceitos. Os liberais do século 19 descobriram um Jesus ‘liberal’; os existencialistas descobriram um herói existencialista, e os marxistas descobriram um revolucionário político. Idealistas descobriram um idealista e os pragmáticos descobriram um Cristo pragmático”.2

Assim, a resposta à pergunta “mas vós quem dizeis que Eu sou?” tem um lado objetivo e outro subjetivo. Do ponto de vista objetivo, é importante levar em consideração aquilo que a revelação divina, por meio das Escrituras, revela acerca de Cristo. Muitos estão sinceramente enganados sobre quem foi Cristo porque levam em conta apenas suas próprias ideias preconcebidas, sem parar para ouvir o que a palavra de Deus revela sobre Sua identidade. Desse modo, criam seus próprios “messias” exatamente como fizeram muitos dos contemporâneos de Cristo.

Do ponto de vista subjetivo, devemos sempre refletir sobre o que Jesus significa para nós, individualmente, qual é o impacto disso em nossa vida. O conhecimento objetivo de Cristo por si não pode causar transformação. O termo “conhecer” nos evangelhos, principalmente em João, está intimamente ligado ao relacionamento entre o discípulo e o mestre. Contudo, se apenas a experiência e o relacionamento forem levados em conta, podemos ter uma ideia distorcida e equivocada sobre Jesus. Para isso, precisamos da revelação divina objetiva em Sua Palavra. Tudo que sabemos sobre Deus e a salvação depende do que Ele mesmo revela sobre Si. Uma das formas mais eficazes de aprender sobre a pessoa de Cristo é prestar atenção aos títulos que os evangelhos Lhe conferem e como Ele Se relacionou com os mesmos.


Os títulos de Jesus nos evangelhos

A resposta dos discípulos em Lucas 9:18 revela as diferentes concepções sobre Cristo em Sua época: um antigo profeta, Elias e mesmo João Batista ressurreto. Poderíamos passar anos estudando os muitos títulos atribuídos a Jesus nas Escrituras: Profeta, Servo Sofredor, Sumo Sacerdote, Verbo, Senhor, Mestre, Filho de Davi, Cordeiro de Deus, Salvador, Lírio dos Vales, Leão da Tribo de Judá, etc. A lista ainda se estenderia muito. Contudo, não há espaço aqui para isso. Então, nos deteremos apenas naqueles que estamos estudando nesta semana: Filho de Deus, Filho do homem e Cristo (Messias).

O título “Filho de Deus” ocorre trinta e sete vezes no Novo Testamento para designar a pessoa de Jesus3, e aponta dois aspectos: Sua submissão ao Pai ao cumprir Sua missão de salvar o mundo e Seu relacionamento único com Ele. O título deve ser entendido à luz do seu contexto. No início do século 4 d.C. alguns, liderados por Ário, interpretaram o título como uma evidência de que Cristo possuía uma pré-existência limitada e que em algum momento da eternidade Ele teria sido gerado pelo Pai.

Contudo, o título quer dizer exatamente o contrário. De fato, “este é um título de natureza e não de ofício. A filiação de Deus denota Sua igualdade com o Pai. Chamar Cristo ‘o Filho de Deus é afirmar Sua verdadeira divindade”.4 O termo aramaico bar (filho) é muitas vezes usado em sentido figurado. Por exemplo, em vez de se dizer mentiroso, fala-se “filho da mentira”, em vez de irado, “filho da ira”, em vez de rico, “filho da riqueza”. O mesmo ocorre frequentemente no hebraico do Antigo Testamento. Sendo assim, ao se designar Jesus o Filho de Deus, se quer dizer que Ele é divino. Isso fica muito claro na reação dos fariseus em João 5:18, “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-Lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era Seu próprio Pai, fazendo-Se igual a Deus”.

O título “Filho do Homem” é praticamente exclusivo dos evangelhos. Aparece apenas 4 vezes fora deles (At 7:56; Hb 2:6; Ap 1:13; 14:14). Levando em consideração a informação do parágrafo acima, o título pode ser entendido apenas como “o homem”. Por mais vago que o título possa parecer, ele tinha adquirido já nos tempos de Cristo um tom fortemente messiânico. Era usado pelo judeus “para designar um Salvador escatológico [...] um mediador especial a aparecer no fim dos tempos”.5

Contudo, por meio de seu uso nos evangelhos, “a noção de Filho do Homem é mais ampla, e mais do que qualquer outra, é suscetível a descrever a obra total de Cristo”.6 Por exemplo, Jesus usou esse título em relação a Si mesmo ao descrever Sua atividade e o exercício de Sua autoridade sobre a Terra (Mt 13:37; Mc 2:10, 28; 10:45; Lc 7:34; 9:58; 12:10; 19:10), ao predizer Seu sofrimento e morte (Mc 8:31; 9:31; 10:33), e ao falar de Seu retorno e governo escatológico (Mt 10:23; 19:28; 25:31; Mc 8:38; 14:62; Lc 17:22-30; 21:36).7

Por sua vez, o título “Cristo” acabou se tornando parte do Seu próprio nome, tanto que muitos nem mesmo se dão conta disso. Cristo (do verbo grego chrio-ungir) é a tradução da palavra hebraica “ungido” (mashiach) ou “messias”. Ela designava o Salvador prometido para o qual as profecias do Antigo Testamento apontavam. É possível observar que Jesus sempre observou a mais extrema reticência no tocante ao título de Messias. Embora não tenha recusado verdadeiramente o título, manifestou grande reserva para com ele.8

Não é difícil saber o porquê. Em Sua época, os judeus haviam criado expectativas equivocadas quanto à obra do Messias. Esperavam um libertador meramente político. Assim, “Jesus via por trás da concepção messiânica do judaísmo de então, a obra de Satanás”.9 Não obstante, o título messiânico é usado nos evangelhos em sua perspectiva correta para expressar “Sua origem celestial, Sua missão terrestre e Sua futura vinda gloriosa”.10


Mas o Céu, quem diz que Eu sou? A transfiguração

Os evangelhos são unânimes em situar a transfiguração seis dias depois do diálogo entre Cristo e Seus discípulos sobre quem a multidão e eles mesmos consideravam ser Ele (Lc 9:18-22; cf. com Mt 16:13-23; Mc 8:27-33). Lucas menciona oito dias. Tal diferença pode estar relacionada à forma de contagem, inclusiva ou não, dos dois dias que a experiência no monte durou (Lc 9:37). Seja como for, esse detalhe não afeta o ponto principal que os evangelistas querem deixar claro ao organizarem o material narrativo dessa forma: a transfiguração era uma confirmação das verdades declaradas naquela ocasião. De acordo com Mateus e Marcos, seguindo a confissão de Pedro sobre o messiado de Cristo, Jesus falou que era necessário que o Filho do homem morresse e ressuscitasse ao terceiro dia. Em outras palavras, a obra do Messias envolvia glória e cruz. No monte foram confirmados “os dois fatos do messiado e a capacidade salvadora de Cristo”.11 Desse modo, “o monte endossou a confissão de Pedro e o ensino de Cristo”12 sobre Sua morte de cruz. Era necessário que Cristo subisse os dois montes: o monte da transfiguração e o monte do Calvário.

Os discípulos eram relutantes em entender a segunda parte. E até o fim fixaram-se na glória, brigando pelos primeiros assentos no reino, mesmo momentos antes da paixão de Cristo. Sua fuga em massa e mesmo a traição de Judas não apenas se deu por medo no primeiro caso ou cobiça no segundo. Era em grande medida desilusão. Eles não esperavam um Messias crucificado, mesmo depois de muitos avisos de Cristo. O mesmo sentimento de desilusão não poupou nem mesmo a mente do grande precursor do Messias, João Batista (Lc 7:20). A atitude de Pedro na ocasião é emblemática. Seis dias antes ele havia dito: “tem compaixão de Ti, Senhor”(Mt 16:22), em vista da cruz. Agora, na transfiguração, ele afirmou: “É bom estar aqui” (Lc 9:33), diante da luz da glória. Em outras palavras, “A cruz? Não! A glória, sim”.13

Desse modo, a transfiguração visava fortalecer a fé dos apóstolos. Ellen White afirmou: “O Salvador havia notado a tristeza dos discípulos, e desejou amenizar-lhes a mágoa, com a certeza de que sua fé não havia sido em vão”. Em oração “rogou que testemunhassem uma manifestação de Sua divindade que, na hora de Sua suprema agonia, os confortasse com o conhecimento de que Ele é o Filho de Deus e que Sua ignominiosa morte era parte do plano da redenção”.14 As três testemunhas (Pedro, Tiago e João) escolhidas eram deveras influentes entre os discípulos. Logo após a ascensão, eles assumiram importante papel de liderança na igreja primitiva. Esses mesmos personagens acompanhariam algum tempo depois a angústia de Cristo no Getsêmani, onde diferentemente desse caso, Sua oração não seria respondida de modo positivo. Louvado seja Deus, pois reconhece nossas debilidades e nos ajuda em nossas fraquezas!

Seis dias antes, Jesus havia indagado sobre quem os homens diziam que Ele era. No monte foi a opinião de Deus que se fez ouvir: “Este é o Meu Filho, o Meu eleito, a Ele ouvi” (Lc 9:35). Não importava o que os homens diziam. Como Pedro no monte da transfiguração, muitos falam sem saber o que estão dizendo (Lc 9:33). Mas nas Escrituras Deus abriu as cortinas invisíveis dos Céus, revelando à humanidade quem Ele é o que está disposto a fazer por amor.


Conclusão

Quem é Jesus? É o Deus encarnado, é o amor encarnado. É tudo o que o Céu tinha a oferecer. É o infinito dentro do finito. É eternidade dentro do tempo. É a única esperança que a humanidade tem para ter esperança. É aquele cujas definições nunca serão suficientes.

A pergunta direta de Cristo aos discípulos em Lucas 9:20: “Mas vós quem dizeis que Eu sou?”, traz a questão para o âmbito pessoal. A resposta não será achada em livros, em debates, na opinião alheia, nos documentários ou comentários. A resposta sempre estará em nosso coração. E sempre será decisiva. As implicações de nossa resposta só poderão ser medidas apropriadamente pela eternidade.


Referências:

1. SPROUL, R. C. Who Is Jesus?. v.1 Lake Mary, FL: Reformation Trust Publishing, 2009, p. 2.
2. Ibid, p. 3.
3. Easton, M. G. In Easton’s Bible dictionary. New York: Harper & Brothers, 1893.
4. Idem.
5. CULLMANN, Oscar. Cristologia do Novo Testamento. Tradução de Daniel Costa, Daniel de Oliveira. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 184.
6. CULLMAN, 2008, p. 184.
7. MYERS, A. C. In The Eerdmans Bible Dictionary. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1987, p. 962.
8. CULLMAN, 2008, p. 166, 167.
9. Idem, p. 165.
10. ELWELL, W. A., & BEITZEL, B. J. In Baker Encyclopedia of the Bible. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988, p.1983.
12. MORGAN, G. C. The Crises of the Christ (p. 215). New York; London: Fleming H. Revell Company, 1936, p. 215.
13. MORGAN, 1936, p. 216.
14. Idem, 1936, p. 217.
15. WHITE, Ellen Gould. O Desejado de Todas as Nações. Tradução de Isolina A. Waldvogel. 22ª ed., Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004, p. 297.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lição Jovens - Marcos vivos

O mundo não precisa de mais discursos de líderes mundiais e políticos que fazem grandes promessas aos cidadãos de seus países. O mundo também não precisa de mais tropas de exércitos em tentativas de aquisições. A maior necessidade do mundo é a de jovens, “marcos vivos”, que reflitam a luz de seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Isso só é possível pelo novo nascimento e pela habitação do Espírito de Deus.

O batismo de Jesus é um exemplo para nós. A sequência dos eventos – Seu batismo, Sua oração, o Espírito Santo e o testemunho do Pai em conexão com o evento – oferecem profundos ensinamentos a respeito de Sua morte e ressurreição, e a morte de nosso ser para o pecado.1 O mundo pode testemunhar que nossa renovação espiritual é o resultado do Espírito Santo em nossa vida. “Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5:22, 23) – por esses frutos as pessoas nos conhecerão (Mt 7:20).

Cada passo após o batismo deve ser dado com Cristo ao nosso lado. O estudo diário de Sua Palavra iluminará o caminho para o Céu. Claro que essa nova vida não estará livre de dificuldades. Por isso, é importante lembrar que Deus nos ama e Se importa conosco e que o Espírito Santo vive em nós para nos tornar fortes. O Espírito nos concede uma armadura espiritual para que sejamos vitoriosos contra o pecado – uma vitória que Cristo nos garantiu por meio de Sua própria vitória, no deserto, contra Satanás. “Paulo declara que essa armadura consiste no cinturão da verdade, no peitoral da justiça, nos sapatos do evangelho da paz, no escudo da verdade, no capacete da salvação, na espada do Espírito e no infalível poder da oração. [...] Protegidos por essa armadura e dependendo inteiramente do infalível poder do Espírito, não há como não crescer em valor espiritual e vencer a guerra em que estamos engajados.”2

1. Nisto Cremos, p. 243.

2. Ibid., p. 180.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Lição Jovens - Uma vida devocional

Assim como as multidões vinham até João Batista e perguntavam o que deveriam fazer para ser salvas, também nós, precisamos estar atentos ao que Deus nos pede.

Viver como Jesus. Com a ajuda do Espírito Santo, podemos ser justos em tudo o que fazemos. Ao compartilharmos nossa fé, também devemos compartilhar nossos bens com aqueles que têm pouco. De acordo com as necessidades das pessoas, Deus nos dá palavras bondosas e sábias a fim de ajudarmos ao próximo. Ele prepara aqueles que desejam compartilhar Seu amor segundo o dom de cada um.
Ser cheio do Espírito Santo. As palavras de Lucas devem estar gravadas em nosso coração. Elas revelam como devemos nos achegar a Deus em nossa vida diária. O Espírito Santo nos transforma para que possamos produzir o fruto do arrependimento (Lc 3:8). Paulo descreve esse fruto em Gálatas 5:22-26: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.”

Ter uma vida de louvor e adoração. Conheço um membro da igreja que ora enquanto está lavando a louça para que Deus lave também seu coração. Ela faz orações semelhantes enquanto realiza atividades domésticas. Separar um tempo específico, diariamente, para a comunhão com Deus é importante, mas transformar situações comuns em momentos de oração nos fortificará para resistir às tentações de Satanás.

Use a armadura divina contra o inimigo. Deus conhece nossos limites e nos capacita com as armas de que precisamos para que não fiquemos indefesos contra Satanás. Mas precisamos ter a Palavra de Deus em nosso coração. Isso implica um relacionamento constante com Ele. Precisamos fazer de Deus nossa prioridade em todos os aspectos da vida e clamar por Suas promessas. Então Ele nos dará discernimento, inteligência espiritual, disciplina e perseverança.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Lição Jovens - A família real

“Na ocasião do batismo de Cristo, Satanás achava-se entre os espectadores. Viu a glória do Pai cobrir o Filho. Ouviu a voz de Jeová testificando da divindade de Jesus. Desde o pecado de Adão, a humanidade tinha estado separada da direta comunhão com Deus; a comunicação entre o Céu e a Terra se fez por meio de Cristo; mas então, quando Jesus veio ‘em semelhança da carne do pecado’ (Rm 8:3), o próprio Pai falou. Antes, comunicara-Se com a humanidade por intermédio de Cristo; fazia-o agora em Cristo. Satanás havia esperado que, devido ao aborrecimento de Deus pelo pecado, se daria eterna separação entre o Céu e a Terra. Era, então, manifesto que a ligação entre Deus e o homem tinha sido restaurada.”1

“Jesus não recebeu o batismo como confissão de pecado de Sua própria parte. Identificou-Se com os pecadores, dando os passos que nos cumpre dar. A vida de sofrimento e paciente perseverança que viveu depois do batismo, foi também um exemplo para nós.”2
“O batismo simboliza soleníssima renúncia do mundo. Os que, ao iniciar a carreira cristã, são batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo declaram publicamente que renunciaram o serviço de Satanás, e se tornaram membros da família real, filhos do celeste Rei. Obedeceram ao preceito que diz: ‘Saiam do meio deles, e separem-se [...] não toquem em coisas impuras’ (2Co 6:17). Cumpriu-se em relação a eles a promessa divina: ‘E Eu os receberei e lhes serei Pai, e vocês serão Meus filhos e Minhas filhas, diz o Senhor todo-poderoso’ (2Co 6:17, 18).”3

“Cristo sabia que o inimigo viria a toda criatura humana, para se aproveitar da fraqueza hereditária e, por suas falsas insinuações, enredar todos cuja confiança não se firma em Deus. E, passando pelo terreno que devemos atravessar, nosso Senhor nos preparou o caminho para a vitória. Não é de Sua vontade que estejamos em desvantagem no conflito com Satanás. Não quer que fiquemos intimidados nem desfalecidos pelos assaltos da serpente. ‘Tenham ânimo!’, diz Ele, ‘Eu venci o mundo’ (Jo 16:33).”4

1. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 116.

2. Ibid., p. 111.

3. Ellen G. White, Evangelismo, p. 307.

4. ___________ , O Desejado de Todas as Nações, p. 122, 123.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Lição Jovens - Um novo amanhecer

João Batista – o primeiro evangelista (Mt 3:1-12; Mc 1:1-13; Lc 3:1-14).

A vinda de João Batista foi parte do plano divino para salvar Israel e a humanidade. De fato, o aparecimento do precursor marcou o fim da velha era e anunciou a nova aliança (Lc 16:16). Por quase quatro séculos não houve profeta em Israel. A chegada de João Batista cumpriu a profecia de Isaías 40:3-5. Lucas 3:5, 6 diz: “Toda a humanidade verá a salvação de Deus”.

A pregação de João Batista (Mt 3:1-10; Mc 1:1-8; Lc 3:7-14). João encorajou seus contemporâneos a aceitar o batismo do arrependimento. Essa proclamação poderosa ocorre principalmente nas seguintes passagens:

1. O chamado para o arrependimento verdadeiro (Mt 3:1-10). Não havia utilidade no fato de os judeus se autodenominarem “filhos de Abraão”, se não produziam os frutos do verdadeiro arrependimento. “Toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo” (verso 10).

“Compare a parábola de Isaías sobre as uvas selvagens (Is 5:1-7) e a parábola de Cristo da figueira estéril (Lc 13:6-9). Implícito na parábola de Jesus está o fato de que Deus é longânimo, mas, se Sua oferta de bênçãos e misericórdia não for apreciada, elas serão retiradas. A nação judaica tinha praticamente sobrevivido a seus dias de misericórdia e estava a ponto de ser rejeitada.”1

2. O chamado para um novo padrão de vida (Lc 3:7-14). João deu instruções específicas para as diferentes multidões que o escutavam. Por exemplo, ele advertiu aos cobradores de impostos (publicanos) que eles não deveriam exigir nada além do que lhes fosse ordenado; disse aos soldados que não usassem de violência para com ninguém.

Prepare o caminho do Senhor (Mt 3:11, 12; 14:3, 4; Mc 1:7, 8; 6:17, 18; Lc 3:15-17; Jo 1:24-28). É essencial estar preparado para um evento importante como o nascimento de uma criança, um casamento, um exame acadêmico ou uma entrevista de trabalho. Ainda mais importante era o preparo para a primeira vinda do Messias. Essa foi a missão de João Batista. Ele direcionou seus ouvintes para Aquele que iria batizá-los “com o Espírito e com fogo” (Lc 3:16).

João Batista permaneceu fiel à verdade, mesmo após Herodes tê-lo lançado na prisão (Lc 3:19, 20).

O batismo de Jesus (Mt 3:13-17; Mc 1:9-11; Lc 3:21-38; Jo 1:29-34). João Batista batizou Jesus. Que privilégio deve ter sido para ele! Lucas relata a presença do Espírito Santo na forma de uma pomba descendo sobre Jesus no momento em que Ele Se levantou da água. A expressão “forma corpórea” (Lc 3:22) ressalta a vinda do Espírito, que também desempenha papel fundamental no processo da conversão. É o Espírito que nos convence do pecado (Jo 16:8-11), e o mesmo Espírito capacitou Jesus para Seu ministério.

As tentações e a vitória (Sl 91; Mt 4:1-11; Mc 1:12, 13; Lc 4:1-13). As tentações de Satanás foram parte da preparação de Jesus para Seu ministério. Ele enfrentou Satanás após quarenta dias de jejum, portanto, Sua condição física estava debilitada, tornando, assim, mais difícil resistir às tentações.

As duas primeiras tentações começaram com a mesma frase: “Se és o Filho de Deus” (Lc 4:3; 4:9). Assim Satanás instigou Jesus a utilizar Sua divindade. Ele também esperava que Cristo usasse Seus poderes divinos para Seus próprios interesses egoístas ao desafiar a autoridade do Pai.

A terceira tentação de Satanás mostra a intenção que ele tem desde o princípio do conflito cósmico – conseguir que as pessoas o sigam em lugar de seguirem seu Criador. “A intenção do Salmo 91 é mostrar a proteção de Deus para com Seu povo, não para motivá-lo a usar o poder divino para demonstrações sensacionalistas ou tolas.”2

1. The Seventh-day Adventist Bible Commentary, 2ª edição, v. 5, p. 299.

2. Life Application Study Bible, New International Version (Zondervan Publishing House, 1984), p. 1800.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Lição Jovens - O preparador do caminho

Lucas 3:1, 2 apresenta as autoridades que governavam o povo quando o ministério público de Jesus estava para começar. Tibério César era um rei “suspeito e cruel”.1 Pôncio Pilatos era o governador da Judeia. Ele colaborou com o sinédrio para processar Jesus e, mais tarde, lavou as mãos para dizer que era inocente do Seu sangue.2 Herodes era tetrarca da Galileia, enquanto seu irmão Filipe, governava a Itureia e a região de Traconites. Em Lucas 13:32, Jesus Se referiu a Herodes como “aquela raposa”. Lisânias “é mencionado repetidamente por Josefo [...] e o nome, precedido pelo título tetrarca, aparece em uma inscrição grega descoberta em Abilene. [...] Nada mais é conhecido de seus antepassados, vida e reino.3 Anás era filho de Sete e foi apontado como sumo-sacerdote por Quirino.4 O historiador Flávio Josefo menciona ainda o nome completo do outro sumo-sacerdote, Josefo ben Caifás. Em 1990, arqueólogos descobriram um sepulcro fora de Jerusalém, contendo um caixão-urna, com o nome dele escrito.5

Por que Lucas mencionou esses líderes políticos e religiosos? Será que ele desejava mostrar um contraste entre essa elite e o humilde João Batista? Os líderes políticos controlavam sua jurisdição pelas leis nacionais, mas João Batista representava Aquele que falaria de amor, arrependimento e salvação. Os líderes religiosos eram vistos como pilares espirituais, mas Jesus podia ver seus intentos como sepulcros caiados (Mt 23). Apesar disso, Jesus apelou para que eles se arrependessem e cressem nEle.

No sermão de João Batista, Lucas enfatizou a necessidade e a grande obra que se realizaria com a chegada do Messias. É como a aparição da maior autoridade na abertura do desfile, significando que algo maravilhoso está para começar. Que dia inspirador foi quando Jesus pediu a João que O batizasse! Isso marcou o início de Seu ministério e Sua identidade claramente foi proclamada.

1. The SDA Bible Dictionary, ver “Tiberius Caesar”.

2. Ibid., ver “Pilate”.

3. Ibid., ver “Lysanias”.

4. Ibid., ver “Annas”.

5. “Historical Evidence for Annas and Caiaphas”, BibleHistory.net, acessado em 26 de março de 2014, http://www.biblehistory.net/newsletter/joseph_caiaphas.htm.

domingo, 5 de abril de 2015

Lição Jovens - Vozes no deserto

“Ei, vocês se lembram de quando George W. Bush foi presidente dos Estados Unidos e Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia? João Paulo II era o papa nessa época. Lembram-se de quando essas pessoas famosas estavam no poder? Também havia esse ‘joão-ninguém’ pelo deserto que anunciava a chegada do Salvador, e umas poucas pessoas o escutaram.” Esse seria mais ou menos o estilo de cenário criado por Lucas para a lição que estudaremos nesta semana.

Lucas era um excelente jornalista investigativo. Ele se inteirou do contexto histórico e dos temas relativos à pessoa de Jesus. Também escreveu um lindo relato de tudo, certamente com a ajuda do Espírito Santo. Ao estudarmos sobre o batismo e as tentações de Jesus, podemos compreender melhor o cenário histórico e sua relevância espiritual por intermédio da contribuição de Lucas.

Você consegue perceber que havia uma intenção ao considerar as circunstâncias do nascimento de Cristo? Por que razão Jesus foi batizado? Ele precisava provar alguma coisa para Seu Pai? Isso foi símbolo de alguma coisa?

Sobre as tentações de Jesus, você poderia pensar: “Isso não é o óbvio? Uma pessoa é batizada, então o diabo começa com suas tentações e a pessoa luta como nunca antes.” Mas, considere isto: Não houve uma voz que falou no momento do batismo de Jesus? Sim. E veja, não se trata de uma voz comum. É a voz que traz poder espiritual ao ouvinte. Aqui encontramos o primeiro segredo do sucesso espiritual de Jesus.

Entretanto, você necessita de algo mais em sua lista. Você precisa saber do segundo segredo de Jesus: Conhecer o Manual de Instruções antes de precisar dele. Nosso Salvador não estava dando uma rápida olhada na Sua versão preferida da Bíblia quando Ele disse a Satanás: “Está escrito.” Ele citou as passagens ao enfrentar as tentações porque tinha conhecimento profundo daqueles textos. Você saberia aplicar as Escrituras ao enfrentar pressões e provações? Durante a semana, também estudaremos o assunto da adoração. Você consegue imaginar a afronta de Satanás quando tentou Jesus para que o adorasse?

Ao estudar a lição desta semana, peça que Deus o ajude a compreender o que as significativas vitórias de Jesus representam para nós.

sábado, 4 de abril de 2015

Comentários da Lição - O batismo e as tentações

Autor: Pr. Jônatas Leal
Revisão: Josiéli Nóbrega

Ampliação

O início do ministério público de Jesus foi marcado por dois importantes eventos. Seu batismo no rio Jordão e Sua tentação no deserto por quarenta dias. Ambos os eventos foram antecedidos por um grande reavivamento e reforma realizados pela obra de João Batista. Tão impactante foi seu ministério que muitos pensavam ser ele o Cristo, o Messias prometido (Lc 3:15).

Nesta semana tivemos a oportunidade de reexaminar essas três importantes etapas do plano da salvação: o ministério de João, o batismo de Jesus e Sua tentação no deserto. Ali Cristo começou a trilhar o caminho que João havia de antemão preparado. Desde o início ficaria claro que, embora o fim do caminho fosse glorioso, como a voz do Céu no batismo o atestou, Jesus não chegaria nele sem passar pelo deserto da tentação. Por isso, vamos acompanhar Cristo nesse movimento do Jordão para o deserto, das águas para a sequidão. Mas acima de tudo, da tentação para a vitória. 


O ministério de João

Uma das marcas distintivas do ministério de João era sua prática de batizar. Isso acabou conferindo-lhe o título de “o Batista”. O batismo por imersão no judaísmo não era novidade. Alguns rabis chegaram a afirmar que o rito foi inaugurado antes da entrega da lei no Sinai1. Durante a existência do templo, o batismo por imersão, juntamente com a circuncisão e o devido sacrifício, eram exigidos dos novos prosélitos. Para esses, o rito visava limpar a impureza da idolatria e restaurar o homem à pureza de um recém-nascido. Além disso, também era praticado como forma de penitência pelo antigo judaísmo essênio e hassídico.

Contudo, o batismo de João ia além. Era um chamado ao arrependimento à luz da chegada da era messiânica. Sua pregação era contundente (Lc 3:7) e urgente (Lc 3:9). Seu chamado ao arrependimento envolvia reforma de vida pelo abandono dos pecados conhecidos (Lc 3:10-14). Com coragem profética, ele denunciou os pecados de líderes civis como Herodes e religiosos como os fariseus (Mt 3:7; Lc 3:19). Sua influência se tornou tão abrangente que ambos os grupos temiam fazer-lhe mal. A Bíblia fala de multidões que iam ouvir João e ser por ele batizadas (Lc 3:7).

Conforme o relato de Lucas “quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi” (Lc 3:21, NVI). Mesmo um leitor superficial do evangelho é levado a indagar a razão do batismo de Jesus. Se o batismo de João era um chamado ao arrependimento e um sinal público de renúncia da vida de pecado em preparação para a vinda do Messias, então como entender o fato de o próprio Messias ter sido batizado por ele? Ademais, a própria Bíblia é inequívoca ao afirmar a impecabilidade de Jesus (Hb 4:15). Isso nos leva a refletir sobre o verdadeiro significado do batismo de Cristo. 


O batismo de Jesus

Depois de trinta anos de anonimato na Galileia (pelo menos naquilo que os evangelhos narram), Jesus apareceu para Seu primeiro ato público. Embora fosse época das grandes festas religiosas do outono (Trombetas, Expiação e Tabernáculos), em que grandes peregrinações ocorriam em Jerusalém, Jesus foi à Judeia especificamente “para ser batizado por João” (Mt 3:13). Tais festas sequer são mencionadas. O motivo da viagem de 100 km era claro. A princípio nem o próprio João compreendeu (Mt 3:14), chegando até mesmo a resistir. Se muitos dos fariseus não eram adequados para receber o batismo, no caso de Jesus era o batismo que não lhe era adequado. 
Mas Jesus foi incisivo com João ao afirmar que naquele momento isso era necessário “a fim de cumprir toda a justiça” (Mt 3:15). Nesse contexto, “‘cumprir toda a justiça’ significava completar tudo que faz parte de um relacionamento de obediência a Deus. Assim, Jesus Se identificou e ao mesmo tempo endossou o ministério de João como divinamente ordenado e sua mensagem como algo que deve ser ouvido”.2

Algumas observações devem ser feitas sobre o batismo de Cristo. Em primeiro lugar, não foi um batismo de arrependimento. Então, não nos batizamos com o mesmo propósito de Cristo. Em segundo lugar, Seu batismo não foi uma simples formalidade. Cristo mesmo Se opôs tenazmente à religião formalista de Sua época. De fato, havia uma profecia que apontava para o início de Seu ministério como “ungido”, o Messias prometido. No batismo, Ele foi ungido pelo Espírito Santo e começou a última semana de Daniel 9:24-27. Por fim, da mesma forma, Seu batismo não pretendia ser apenas um exemplo a outros. Pois nele, Jesus verdadeiramente recebeu de modo especial o poder do Espírito Santo para cumprir Sua missão.  

Como resultado de Seu batismo, houve uma visão e uma audição. O céu se abriu e o Espírito desceu em forma de pomba (Lc 3:21, 22). O paraíso foi fechado por Adão, mas o céu se abriu para Cristo. O batismo marcou o caminho de volta para casa (Mc 16:16). O batismo não deve ser visto como o fim, mas o início da jornada rumo à santificação. A voz do Céu (Lc 3:22b) citou porções de Salmo 2:7 (“Tu é o Meu Filho”) e Isaías 42:1 (“em quem a Minha alma se compraz”). Respectivamente, ambas as profecias tratam da entronização do Filho divino como rei e da comissão do servo sofredor que, com Seu próprio sangue, tornou-se Mediador da nova aliança. Assim, em Seu batismo, Cristo foi empossado e comissionado. É somente à luz desse contexto que o significado de Seu batismo pode ser entendido.                           


As tentações de Jesus

Os evangelhos sinóticos (Mt, Mc, Lc) são unânimes em afirmar que o evento subsequente ao batismo de Cristo foi Sua tentação no deserto. Imediatamente (Mc 1:12) após o Jordão, Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito para ser tentado. (Lc 4:1, 2). De acordo com Hebreus 2:17,18, “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, Se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.”

Curiosamente, Lucas é o único evangelista que insere uma genealogia de Jesus entre esses eventos (Lc 3:23-38). Do ponto de vista literário e teológico, duas razões podem ser apontadas aqui. Em primeiro lugar, a genealogia vem entre dois eventos em que a filiação de Jesus estava em questão3. No primeiro, ela é afirmada (Lc 3:22), no segundo ela é questionada (Lc 4:3). Em segundo lugar, a genealogia de Lucas termina em Adão, filho de Deus (Lc 3:38). Essa não é uma ordem comum para as genealogias na Bíblia, que geralmente começam nos ancestrais mais antigos até chegar aos mais contemporâneos. A de Lucas parte do presente em direção ao passado. Por meio disso, Lucas enfatizou o caráter universal da obra messiânica. Porém, mais do que isso, ele preparou o cenário para a cena seguinte, em que Cristo, o segundo Adão, foi tentado no deserto. Exatamente na primeira tentação Jesus foi questionado sobre Sua posição como Filho de Deus.

Na teologia paulina, cuja influência sobre Lucas deve ter sido grande, fica claro o paralelo entre Adão e Cristo. Adão “prefigurava Aquele que havia de vir” (Rm 5:14). Assim como por meio da derrota de Adão todos compartilham da morte, por meio da vitória de Cristo todos obtêm vida livremente (1Co 15:22). Por Sua vida vitoriosa “o último Adão é espírito vivificante” (1Co 15:45). Da mesma forma, Ellen White destacou esse relacionamento. Ela afirmou: “Cristo, no deserto da tentação, ficou no lugar de Adão para suportar a prova que ele deixou de resistir”.4 Contudo, “Ele não estava em posição favorável para suportar as tentações de Satanás, como estava Adão quando foi tentado no Éden”5. De fato, Adão foi derrotado no paraíso, enquanto Cristo foi vitorioso no deserto.

As tentações demonstram que as táticas do inimigo das almas não tinham, em essência, mudado desde o Éden. Na primeira tentação, ao questionar a filiação de Cristo, Satanás estava pondo em dúvida a própria palavra de Deus que, dias antes, havia declarado no batismo de Jesus: “Tu és o Meu Filho”. Essa não seria a última vez que Satanás pronunciaria essa indagação. Na cruz, mais uma vez, por meio de porta vozes humanos, ele exclamaria: “Se és o Filho de Deus, salva a Ti mesmo e desce da cruz” (Mt 27:40). As palavras de Satanás ecoam aquelas ditas no Éden: “É assim que Deus disse [...]?” (Gn 3:1). Diferente de Adão e Eva, Jesus optou por viver da palavra que sai da boca de Deus (Lc 4:4).

Na segunda tentação, Satanás buscou desviar Cristo de Sua missão como servo sofredor Lhe oferecendo “os reinos do mundo” (Lc 4:5). Na verdade, essa era a expectativa tanto do povo como dos líderes judaicos; um messias conquistador, cujo cetro não só livraria Judá da dominação romana, mas os levaria a conquistar os reinos deste mundo. Essa foi uma tentação constante em Seu ministério. Até mesmo Pedro, levado pelos pensamentos humanos de um messias político, usou um refrão parecido, buscando dissuadir Cristo de Sua missão na cruz. O mesmo recebeu uma das mais duras repreensões registradas no Novo Testamento: “Arreda-te de mim Satanás” (Mt 16:22, 23). 
Ao que parece, nem mesmo Satanás percebeu o tamanho de sua presunção, pois oferecia a Cristo o que já era dEle. A lógica dessa tentação também evoca a estratégia usada no Éden. A serpente ofereceu para Eva mais do que ela já tinha. Como se Deus a tivesse privado de algum bem. Ambos poderiam ter mais: Naquele caso, ser “como Deus” (Gn 3:5). Contudo, Eva se esqueceu que já possuía a semelhança e imagem de Deus. O diabo buscava criar a necessidade de algo que ambos aparentemente não possuíam. Por vezes, ainda é assim. A tentação funciona como uma oferta de algo que Deus Se esqueceu de nos dar e que, sem isso, não poderíamos ser felizes. Eis o grande engano por trás das tentações!

Por fim, na última tentação, Satanás apelou para a única autoridade que Cristo havia reconhecido até ali, a Palavra de Deus. No entanto, a distorceu a seu bel prazer, fazendo-a dizer aquilo que nunca tinha pretendido expressar. O diabo citou o Salmo 91:10, 11. Trata-se de uma afirmação do cuidado de Deus para com o salmista. Assim, “a tentação é um teste do cuidado de Deus e da confiança de Cristo em Deus”6. De fato, o homem piedoso não precisa fazer esse teste porque ele tem fé em Deus, e por isso, o ato de atirar-se representa exatamente o oposto: é um sinal de falta de fé.7 Ao longo de Seu ministério, Jesus lutaria para colocar a palavra de Deus na sua devida perspectiva. A vontade de Deus havia sido tão distorcida pelos intérpretes de Seu tempo que havia se tornado um fardo difícil de carregar.

Assim foi no Éden também; ali a serpente distorceu o que Deus havia dito. Ela deu novo significado para o “conhecimento do bem e do mal”, fazendo com que parecesse algo bom que Deus lhes havia privado (Gn 3:5).

Como podemos ver, os mesmos elementos presentes na queda do homem estão presentes na tentação de Cristo no deserto. Na primeira, Ele foi tentado a não crer na palavra de Deus. Na segunda, foi tentado a rejeitar Sua autoridade. Enfim, na terceira, Ele foi tentado a desconfiar da bondade de Deus. Todos esses elementos estavam presentes na estratégia da serpente com Adão e Eva. A diferença é que Cristo venceu todas elas. A lógica da tentação continua a mesma. Apenas a palavra de Deus objetivamente revelada nas Escrituras deve ser nossa salvaguarda. Em Cristo podemos ser vitoriosos. Ele nos deixou o exemplo de como enfrentar a tentação e nos concede o poder, por meio do Espírito, para obter a vitória.


Conclusão

No início de Seu ministério, Cristo começou a trilhar o caminho que Israel havia trilhado muitos séculos antes. Além de ser o segundo Adão, Cristo é o novo Israel. Como Cristo, Israel foi batizado tanto na nuvem como no mar (1Co 10:2) antes de enfrentar o deserto. Para cada ano de Israel no deserto, Cristo passou um dia. Não foi por acaso que todos os textos mencionados por Cristo durante a tentação são extraídos de algum momento da experiência de Israel (Dt 8:3; Êx 20:3-6; Dt 6:14). Cristo não representa apenas Israel, mas a humanidade inteira. Ele carrega em Seus ombros nossas fragilidades, derrotas, e incapacidades. Em troca, coloca sobre nós Sua força, Sua vitória e Seu poder. A vitória de Cristo no deserto é a nossa vitória. Por isso, não hesitemos em dizer que nEle “somos mais que vencedores” (Rm 8:37).


Referências:

1. BAPTISM. Jewish Encyclopedia. Disponível em: http://www.jewishencyclopedia.com
/articles/2456-baptism.    
2. BLOMBERG, C. The New American Commentary: Matthew. v. 22. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 1992. p.81
3. BOCK, D. L. Luke: 1:1-9:50. v. 1. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 1994. p. 349.
4. WHITE, Ellen Gould; SILVA, Horne P. No deserto da tentação: os primeiros e decisivos lances da vitória sobre o pecado. 6ª ed. , 2. reimp. São Paulo - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012. P.38.
5. Idem, p. 38
6. BOCK, 1994, p. 380.
7. Marshall, I. H. The Gospel of Luke: a commentary on the Greek text. Exeter: Paternoster Press, 1978. p. 173.

domingo, 29 de março de 2015

Lição Adultos - “Uma exposição em ordem” (Lc 1:1-3; At 1:1-3)

Atos 1:1 nos diz que, antes que esse livro fosse escrito, seu autor escreveu “o primeiro livro”. Isso, além do fato de que ambos os relatos foram endereçados a Teófilo, nos ajuda a concluir que um só autor foi o responsável por ambos os livros. Os dois relatos podem ser considerados a parte 1 e a parte 2 da “Origem e História da Igreja Cristã”. A parte 1 é uma narrativa da vida e obra de Jesus (o Evangelho de Lucas) e a parte 2 (Atos dos Apóstolos) é um relato da propagação da mensagem de Jesus e da igreja primitiva.

1. Como o Evangelho de Lucas foi escrito? Leia Lucas 1:2, 3 e 2 Timóteo 3:16.

Lucas tinha conhecimento de muitos que haviam escrito sobre os eventos que abalaram tanto a cidade de Jerusalém como outros locais além de suas fronteiras: os eventos relativos a Jesus Cristo. As fontes de tais obras literárias incluíam muitas “testemunhas oculares e ministros da Palavra” (Lc 1:2) – uma clara referência aos discípulos e a outros contemporâneos de Jesus. O próprio Lucas teve contato com essas testemunhas e ministros (como Paulo e outros líderes apostólicos), e possivelmente também com os evangelhos escritos por Marcos e Mateus. Lucas, obviamente, não foi uma testemunha ocular da história de Jesus, mas foi um autêntico converso a Cristo, digno de confiança.

Mateus escreveu para um público judeu, apresentando Jesus como o grande mestre, o cumprimento das profecias e o rei dos judeus. Referiu-se muitas vezes a profecias do Antigo Testamento que se cumpriram em Cristo. Marcos escreveu para um público romano sobre Jesus como um homem de ação. Lucas, um médico gentio, escreveu para os gregos e os gentios sobre Jesus como uma figura universal – o Salvador do mundo. Lucas mencionou que seu propósito ao escrever era duplo: apresentar uma “exposição em ordem” (Lc 1:3) e mostrar a certeza dos grandes ensinos desse novo tempo. Um dos objetivos de seu evangelho é proporcionar certeza sobre a verdade tal qual é em Jesus.

Lucas, escritor bíblico inspirado, usou material de outras pessoas em seus escritos. Obviamente, esse uso de outras fontes não nega a inspiração nem a autoridade do que ele escreveu. Que lições isso deve ter para nós, como adventistas do sétimo dia, com respeito à questão de como a inspiração, canônica ou não canônica, atua nos escritores inspirados?

Ele viveu por você! Esse é o tema de hoje no programa da Semana Santa. Abra sua casa ou participe em algum pequeno grupo.