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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lição Adultos - Estudo adicional

“Evite toda questão relativa à humanidade de Cristo que esteja sujeita a ser mal entendida. A verdade e a suposição estão muito próximas uma da outra. Ao tratar da humanidade de Cristo, você deve vigiar ao máximo cada afirmação, para que suas palavras não sejam interpretadas como se significassem mais do que sugerem, e assim você perca ou anuvie a clara concepção de Sua humanidade combinada com a divindade. Seu nascimento foi um milagre de Deus. […] Nunca, de nenhuma forma, deixe sobre a mente humana a mais leve impressão de que repousou sobre Cristo qualquer mácula de corrupção ou inclinação para a corrupção, ou que Ele, de algum modo, tenha cedido à corrupção. Ele foi tentado em todos os pontos como o homem é tentado, mas é chamado de ‘Ente santo’. É um mistério sem explicação para os mortais o fato de que Cristo pudesse ser tentado em todos os pontos como nós somos e, ainda assim, ser sem pecado. A encarnação de Cristo sempre foi e sempre permanecerá um mistério” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 5, p. 1260, 1261).


Perguntas para reflexão

1. Ellen G. White escreveu: “A encarnação de Cristo sempre foi e sempre permanecerá um mistério.” Por que precisamos ser cuidadosos para não julgar com severidade aqueles que não entendem esse “mistério” da mesma forma que nós?

2. Diante da transfiguração, os discípulos estavam sonolentos. Qual é a sua condição diante da volta de Jesus? Você está se preparando?

3. Diante do que Jesus disse sobre Si mesmo, haveria lógica em crer que Ele foi meramente um grande homem, um grande profeta ou um grande líder espiritual? Por que precisamos aceitar que Ele é quem disse ser, ou então que Ele é um lunático ou alguém muito enganado a respeito de Si mesmo? Por que não há outra opção com respeito à identidade de Jesus?

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Lição Adultos - A transfiguração

5. Leia os relatos da transfiguração nos três evangelhos (Lc 9:27-36; Mt 17:1-9; Mc 9:2-8). (Leia também o relato de primeira mão feito por Pedro acerca do incidente, e note a verdade que o apóstolo estabeleceu a partir de sua experiência como testemunha ocular; ver 2Pe 1:16-19). Quais informações adicionais Lucas apresenta, e por que elas são importantes?

Lucas iniciou a narrativa com um detalhe que Mateus e Marcos não mencionam: Jesus levou Pedro, Tiago e João a um monte para orar. Jesus tinha os olhos e a mente fixos na direção de Jerusalém e predisse a vereda de sofrimento que se estendia diante dEle. Jesus desejava estar seguro de que estava fazendo o que Deus queria que Ele fizesse. Em momentos como esse, a oração é a única maneira de encontrar certeza e segurança. O processo da oração fez com que a glória divina se derramasse imediatamente sobre a pessoa de Jesus: “A aparência do Seu rosto se transfigurou e Suas vestes resplandeceram de brancura” (Lc 9:29).

O Jesus transfigurado estava conversando com Moisés e Elias sobre “Sua partida, que Ele estava para cumprir em Jerusalém” (v. 31). A palavra “partida” pode ser entendida de duas formas: Sua morte iminente em Jerusalém, embora a palavra grega usada aqui, exodus, não seja usada com frequência para a morte; portanto, “partida” pode também significar o grande “êxodo” que Jesus estava para efetuar em Jerusalém, o poderoso êxodo redentor que traria livramento do pecado.

A conversa dos três terminou com uma voz de aprovação vinda do Céu: “Este é o Meu Filho […] a Ele ouvi” (v. 35). A transfiguração ungiu Jesus com glória, assegurou-Lhe novamente Sua filiação, e anunciou que a redenção custaria a vida do Filho. Esse foi o motivo da ordem celestial para os discípulos: Ouçam-nO. Sem obediência e lealdade exclusiva a Ele, não há discipulado.

Ellen G. White escreveu, referindo-se a Moisés e Elias, que esses homens, que haviam sido “escolhidos de preferência a todos os anjos que rodeiam o trono, tinham vindo para conversar com Jesus acerca das cenas de Seu sofrimento e confortá-Lo com a certeza da simpatia do Céu. A esperança do mundo, a salvação de toda criatura humana, eis o assunto de sua entrevista” (O Desejado de Todas as Nações, p. 425).

Até mesmo o próprio Jesus, que havia confortado tantas outras pessoas, buscou consolo e conforto para Si mesmo. O que isso deve nos dizer sobre o fato de que até os mais fortes espiritualmente entre nós, podem, às vezes, precisar de consolo, encorajamento e ajuda da parte de outros? Você conhece alguém que necessita de consolo, conforto e encorajamento? 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Lição Adultos - “O Cristo de Deus”

4. Leia Lucas 9:18-27. Por que Jesus teria feito aos discípulos uma pergunta cuja resposta Ele já sabia? Que lição Ele estava procurando ensinar-lhes, não apenas sobre Si mesmo, mas sobre o que significa segui-Lo?

“Mas vós […] quem dizeis que Eu sou?” (Lc 9:20). A pergunta que Jesus fez dois mil anos atrás ainda perturba a História. As pessoas têm dado diferentes respostas: um grande mestre; um profundo filósofo ético; uma personificação da verdade; um monumento de autossacrifício; um profeta destemido; um reformador social; um grande modelo de tudo que o ser humano deve ser. Mas nenhuma resposta serve, a não ser a confissão que a pergunta original arrancou dos lábios de Pedro.

Depois de revelar Sua autoridade sobre a natureza (Lc 8:22-25), Seu poder sobre os demônios (v. 26-35), Seu poder sobre as doenças (Lc 5:12-15, 8:43-48), Sua capacidade de alimentar cinco mil pessoas a partir de quase nada (Lc 9:13-17) e Seu poder sobre a própria morte (Lc 8:51-56), Jesus confrontou Seus discípulos com o que, na realidade, são duas perguntas: primeiro, o que os outros pensavam dEle; depois, o que os próprios discípulos pensavam. Ele não perguntou a fim de Se informar sobre algo que ainda não soubesse. Ao contrário, perguntou a fim de ajudá-los a compreender que o fato de Ele ser quem era exigiria deles, na verdade, uma entrega que custaria tudo.

“Nosso conhecimento de Jesus nunca deve ser de segunda mão. Podemos conhecer todas as opiniões dadas sobre Jesus; podemos conhecer toda a Cristologia já formulada por mentes humanas; podemos ser capazes de dar um resumo abalizado do que todos os grandes pensadores e teólogos já ensinaram sobre Cristo – e mesmo assim não ser cristãos. O cristianismo nunca consiste em saber sobre Jesus; sempre consiste em conhecer Jesus. Cristo sempre exige um veredito pessoal. Ele não perguntou apenas a Pedro, mas pergunta a cada um de nós: ‘Você – o que você pensa de Mim?’” (William Barclay, The Gospel of Matthew. Bangalore, Theological Publications in India, 2009; v. 2, p. 161).

Nossa resposta à pergunta que Jesus fez não pode ser outra senão a confissão de Pedro: Jesus é “o Cristo de Deus” (Lc 9:20). Cristo significa “o Ungido”, o Messias, cuja missão não é a de um libertador político, mas a de um Salvador que libertará a humanidade das garras de Satanás e do pecado e inaugurará o reino da justiça.

Não basta simplesmente saber quem foi Jesus. Precisamos conhecê-Lo por nós mesmos. Se, então, você afirma que conhece Jesus, o que, de fato, você sabe sobre Ele? Isto é, o que seu próprio conhecimento pessoal de Jesus lhe ensina sobre Ele e como Ele é?

terça-feira, 14 de abril de 2015

Lição Adultos - Filho do Homem

Embora Jesus tivesse plena consciência de que era tanto o Filho do Homem como o Filho de Deus (Lc 22:67-70), “Filho do Homem” era a maneira favorita de nosso Salvador Se referir a Si mesmo. Ninguém mais se dirigiu a Ele por esse título. As únicas outras ocorrências do termo estão no discurso de Estêvão (At 7:56) e em Apocalipse 1:13 e 14:14. O termo aparece mais de 80 vezes nos evangelhos, e 25 vezes em Lucas. O uso que Lucas faz do título mostra o profundo interesse do autor na humanidade de Jesus como o Homem universal enviado por Deus para proclamar as boas-novas da salvação.

“A humanidade do Filho de Deus é tudo para nós. É a corrente de ouro que nos liga a Cristo, e por meio de Cristo a Deus. Isso deve constituir nosso estudo. Cristo foi um homem real; deu prova de Sua humildade, tornando-Se homem. Entretanto, era Ele Deus na carne” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 244).

O uso do termo “Filho do Homem” em Lucas apresenta várias revelações da natureza, missão e destino do Jesus encarnado.
Primeira, o título O identifica como um ser humano (Lc 7:34), sem lar ou abrigo no mundo (Lc 9:58).

Segunda, Lucas usou o título para assegurar a natureza e a posição divinas de Cristo: pois “o Filho do Homem é Senhor do sábado” (Lc 6:5). Portanto, Ele é também criador, com o poder de perdoar pecados (Lc 5:24).

Terceira, para realizar a missão redentora determinada pela Divindade antes da fundação do mundo (Ef 1:3-5), o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido (Lc 9:56, 19:10). Mas a redenção em si mesma não pôde ser completada até que “o Filho do Homem [sofresse] muitas coisas, [fosse] rejeitado [… e] morto e, no terceiro dia, [ressuscitasse]” (Lc 9:22). Essa autoconsciência do Filho do Homem sobre o caminho que Ele tinha de trilhar e sobre o preço que tinha de pagar para redimir a humanidade do pecado revela não só a origem divina do plano da redenção, mas também a submissão de Cristo, em Sua humanidade, a esse plano.

Quarta, note quanto é completo o quadro que Lucas apresenta do sofrimento do Messias nas seguintes passagens: Sua presciência da cruz (Lc 18:31-33), da traição (Lc 9:44), de Sua morte em cumprimento da profecia (Lc 22:22), de Sua crucifixão e ressurreição (Lc 24:7; ver Lc 11:30) e de Sua função como Mediador diante do Pai (Lc 12:8).

Quinta, Lucas via o Filho do Homem, em termos dos últimos dias, como Aquele que voltará à Terra para recompensar Seus santos e pôr fim ao grande conflito (Lc 9:26; 12:4; 17:24, 26, 30; 21:36; 22:69).

Em resumo, o título “Filho do Homem” incorpora o aspecto multifacetado não só de quem Cristo é, mas do que Ele veio fazer, já fez e ainda fará por nós no plano da salvação.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Lição Adultos - Filho de Deus

“Filho do Homem” e “Filho de Deus” são dois nomes usados nos evangelhos para descrever Jesus. O primeiro indica que Ele era Deus encarnado; o segundo aponta para Sua natureza divina como a segunda Pessoa da Divindade. Juntas, as duas frases nos convidam a refletir no milagre de Jesus Cristo: Deus que é tanto divino quanto humano. Esse é um conceito difícil de ser entendido, mas a dificuldade de forma alguma diminui essa verdade e a grande esperança que ela nos oferece.

3. Leia Lucas 1:31, 32, 35; 2:11. O que esses versos nos dizem sobre quem Jesus realmente é?

Em Lucas 1:31, 32, o anjo liga o nome “Jesus” com o “Filho do Altíssimo” a quem o Senhor “dará o trono de Davi”. Jesus é o Filho de Deus. É também o Cristo, o Messias, que restaurará o trono de Davi, não como um libertador terreno, mas no sentido escatológico de que Ele finalmente derrotará Satanás em sua tentativa de usurpar o trono do próprio Deus. Aos pastores, o anjo anunciou que o bebê que estaria na manjedoura era “o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2:11).

Ao mesmo tempo, o título “Filho de Deus” não só afirma a posição de Cristo na Divindade, mas também revela a estreita e íntima relação que Jesus tinha com Deus, o Pai, enquanto esteve na Terra.

Contudo, a relação entre o Pai e o Filho não é a mesma que nós temos com Deus. Enquanto nossa relação é resultado da obra de Cristo, tanto como Criador quanto como Redentor, Sua relação para com o Pai, como Filho, é a de um entre três parceiros iguais e eternos. Através de Sua divindade, Jesus conservou os laços mais íntimos possíveis com o Pai. “Jesus disse: ‘Meu Pai, que está nos Céus’, como a lembrar aos discípulos que, enquanto por Sua humanidade Ele Se achava ligado a eles, participante das provações deles, e compadecendo-Se deles em seus sofrimentos, por Sua divindade estava em comunicação com o trono do Infinito” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 442).

O que significa para nós o fato de que Jesus é Deus no mais pleno sentido? Embora essa verdade tenha muitas implicações, uma delas é que, embora fosse Deus, Jesus condescendeu não apenas em tomar sobre Si nossa humanidade, mas em Se oferecer como sacrifício por nós nessa humanidade. Estamos falando de Deus, aqui! Que maravilhosa esperança essa verdade tem para nós, devido ao que ela nos diz sobre Deus e como realmente Ele é?

domingo, 12 de abril de 2015

Lição Adultos - Reações diante de Jesus

Leia os evangelhos; leia o Novo Testamento. Nesses livros são feitas incríveis reivindicações, não apenas sobre o que Jesus fez, mas, o que é mais importante, sobre quem Ele era. Essas reivindicações – de que Ele é Deus, de que é nosso Redentor e de que somente Ele é o caminho para a vida eterna – exigem nossa atenção, porque estão cheias de implicações que têm consequências eternas para todo ser humano.

1. Leia Lucas 4:16-30. O que fez com que as pessoas reagissem da maneira como o fizeram? Veja também João 3:19.

As pessoas que O ouviram em Sua cidade natal ficaram, a princípio, entusiasmadas ao ver Jesus, que havia voltado a Nazaré depois de realizar muitos milagres e maravilhas, e elas “se maravilhavam das palavras de graça” que Ele falava (Lc 4:22). Mas a reação delas à repreensão de Jesus mostrou qual era o espírito que, na verdade, as movia.

2. Leia Lucas 7:17-22. Qual foi a pergunta de João sobre Jesus, e qual seria a razão pela qual ele a fez?

Até mesmo João Batista, o precursor de Jesus, aquele que O anunciou como “o Cordeiro de Deus”, viu dúvidas se insinuarem nas profundezas de sua alma. Ele quis saber: “És Tu Aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Lc 7:19).

Note, também, que Jesus não respondeu diretamente à pergunta de João; em vez disso, apontou para os atos que davam testemunho dEle: “Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres, anuncia-se-lhes o evangelho” (v. 22). Alguém poderia argumentar que Jesus não precisava responder diretamente à pergunta de João, pois Seus atos e Seus feitos davam amplo testemunho de quem Ele era.

Em certo sentido, a resposta de Jesus poderia ter causado a João ainda mais consternação. Afinal de contas, se Jesus tinha o poder de fazer todas aquelas maravilhas, por que João estava ali definhando na prisão? Quem, em meio a suas próprias tragédias pessoais, já não teve questionamentos semelhantes: se Deus tem todo esse poder, por que isto está acontecendo comigo? Por que a cruz, e tudo o que ela representa e promete, é nossa única resposta? 

sábado, 11 de abril de 2015

Lição Adultos - Quem é Jesus Cristo?

“Mas vós, perguntou Ele, quem dizeis que Eu sou? Então, falou Pedro e disse: És o Cristo de Deus” (Lc 9:20).

Quem é Jesus Cristo?

A pergunta não é um artifício filosófico nem sociológico. Ela chega até a essência daquilo que o ser humano é e do que a eternidade lhe reserva.

As pessoas podem admirar as obras de Jesus, honrar Suas palavras, exaltar Sua paciência, advogar Sua não violência, aclamar Sua determinação, elogiar Sua abnegação e ficar sem palavras diante do cruel fim de Sua vida. Muitos podem até estar prontos a aceitar Jesus como um bom homem que tentou endireitar as coisas – infundir justiça onde havia injustiça, oferecer cura onde havia doença e levar conforto onde havia apenas miséria.

Sim, Jesus poderia perfeitamente ganhar o título de o melhor professor, de um revolucionário, de um líder por excelência e de um psicólogo capaz de sondar as profundezas da alma. Ele era tudo isso e muito mais.

Porém, nenhuma dessas coisas pode, nem de longe, ser a resposta da pergunta de suprema importância que o próprio Jesus suscitou: “Mas vós, […] quem dizeis que Eu sou?” (Lc 9:20).

Essa é uma pergunta que exige resposta, e dessa resposta depende o destino da humanidade.

Comentários LES - Quem é Jesus Cristo?

Autor: Pr. Jônatas Leal
Revisão: Josiéli Nóbrega 

Introdução

Há uma longa história de debate sobre quem foi Jesus. Na verdade esse mesmo debate foi igualmente desenvolvido dentro do judaísmo que antecedeu o primeiro século. Apenas a perspectiva era diferente: quem seria o Messias? Como Ele viria? E foram exatamente as expectativas equivocadas que levaram em grande medida muitos a rejeitar Jesus como o Messias. Por isso, a questão não é periférica. Deve-se reconhecer que, atualmente, não há menos ideias equivocadas sobre Cristo do que havia no tempo de sua primeira vinda. Pelo contrário, o tempo serviu de incubadora para tais ideias.

De fato, Jesus dividiu a História. Mas não apenas isso, dividiu as pessoas em dois grupos. Hoje não é diferente. Diante de Jesus não é possível a neutralidade. Nesta semana, temos a oportunidade de refletir sobre a importante questão de quem foi Jesus através do evangelho de Lucas. Contudo, mais do que conhecer a verdade sobre esse personagem que mudou a História, sempre será indispensável ponderar sobre o que isso significa para nós.


“Mas vós, quem dizeis que Eu sou?”

De fato, “a influência titânica desse Homem fez dEle um grande alvo das flechas do criticismo e o objeto supremo de revisão de acordo com os preconceitos do intérprete.1 Curiosamente, depois de tantos anos, “o que os eruditos descobriram por trás do véu foi um Jesus criado às suas próprias imagens, segundo seus próprios preconceitos. Os liberais do século 19 descobriram um Jesus ‘liberal’; os existencialistas descobriram um herói existencialista, e os marxistas descobriram um revolucionário político. Idealistas descobriram um idealista e os pragmáticos descobriram um Cristo pragmático”.2

Assim, a resposta à pergunta “mas vós quem dizeis que Eu sou?” tem um lado objetivo e outro subjetivo. Do ponto de vista objetivo, é importante levar em consideração aquilo que a revelação divina, por meio das Escrituras, revela acerca de Cristo. Muitos estão sinceramente enganados sobre quem foi Cristo porque levam em conta apenas suas próprias ideias preconcebidas, sem parar para ouvir o que a palavra de Deus revela sobre Sua identidade. Desse modo, criam seus próprios “messias” exatamente como fizeram muitos dos contemporâneos de Cristo.

Do ponto de vista subjetivo, devemos sempre refletir sobre o que Jesus significa para nós, individualmente, qual é o impacto disso em nossa vida. O conhecimento objetivo de Cristo por si não pode causar transformação. O termo “conhecer” nos evangelhos, principalmente em João, está intimamente ligado ao relacionamento entre o discípulo e o mestre. Contudo, se apenas a experiência e o relacionamento forem levados em conta, podemos ter uma ideia distorcida e equivocada sobre Jesus. Para isso, precisamos da revelação divina objetiva em Sua Palavra. Tudo que sabemos sobre Deus e a salvação depende do que Ele mesmo revela sobre Si. Uma das formas mais eficazes de aprender sobre a pessoa de Cristo é prestar atenção aos títulos que os evangelhos Lhe conferem e como Ele Se relacionou com os mesmos.


Os títulos de Jesus nos evangelhos

A resposta dos discípulos em Lucas 9:18 revela as diferentes concepções sobre Cristo em Sua época: um antigo profeta, Elias e mesmo João Batista ressurreto. Poderíamos passar anos estudando os muitos títulos atribuídos a Jesus nas Escrituras: Profeta, Servo Sofredor, Sumo Sacerdote, Verbo, Senhor, Mestre, Filho de Davi, Cordeiro de Deus, Salvador, Lírio dos Vales, Leão da Tribo de Judá, etc. A lista ainda se estenderia muito. Contudo, não há espaço aqui para isso. Então, nos deteremos apenas naqueles que estamos estudando nesta semana: Filho de Deus, Filho do homem e Cristo (Messias).

O título “Filho de Deus” ocorre trinta e sete vezes no Novo Testamento para designar a pessoa de Jesus3, e aponta dois aspectos: Sua submissão ao Pai ao cumprir Sua missão de salvar o mundo e Seu relacionamento único com Ele. O título deve ser entendido à luz do seu contexto. No início do século 4 d.C. alguns, liderados por Ário, interpretaram o título como uma evidência de que Cristo possuía uma pré-existência limitada e que em algum momento da eternidade Ele teria sido gerado pelo Pai.

Contudo, o título quer dizer exatamente o contrário. De fato, “este é um título de natureza e não de ofício. A filiação de Deus denota Sua igualdade com o Pai. Chamar Cristo ‘o Filho de Deus é afirmar Sua verdadeira divindade”.4 O termo aramaico bar (filho) é muitas vezes usado em sentido figurado. Por exemplo, em vez de se dizer mentiroso, fala-se “filho da mentira”, em vez de irado, “filho da ira”, em vez de rico, “filho da riqueza”. O mesmo ocorre frequentemente no hebraico do Antigo Testamento. Sendo assim, ao se designar Jesus o Filho de Deus, se quer dizer que Ele é divino. Isso fica muito claro na reação dos fariseus em João 5:18, “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-Lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era Seu próprio Pai, fazendo-Se igual a Deus”.

O título “Filho do Homem” é praticamente exclusivo dos evangelhos. Aparece apenas 4 vezes fora deles (At 7:56; Hb 2:6; Ap 1:13; 14:14). Levando em consideração a informação do parágrafo acima, o título pode ser entendido apenas como “o homem”. Por mais vago que o título possa parecer, ele tinha adquirido já nos tempos de Cristo um tom fortemente messiânico. Era usado pelo judeus “para designar um Salvador escatológico [...] um mediador especial a aparecer no fim dos tempos”.5

Contudo, por meio de seu uso nos evangelhos, “a noção de Filho do Homem é mais ampla, e mais do que qualquer outra, é suscetível a descrever a obra total de Cristo”.6 Por exemplo, Jesus usou esse título em relação a Si mesmo ao descrever Sua atividade e o exercício de Sua autoridade sobre a Terra (Mt 13:37; Mc 2:10, 28; 10:45; Lc 7:34; 9:58; 12:10; 19:10), ao predizer Seu sofrimento e morte (Mc 8:31; 9:31; 10:33), e ao falar de Seu retorno e governo escatológico (Mt 10:23; 19:28; 25:31; Mc 8:38; 14:62; Lc 17:22-30; 21:36).7

Por sua vez, o título “Cristo” acabou se tornando parte do Seu próprio nome, tanto que muitos nem mesmo se dão conta disso. Cristo (do verbo grego chrio-ungir) é a tradução da palavra hebraica “ungido” (mashiach) ou “messias”. Ela designava o Salvador prometido para o qual as profecias do Antigo Testamento apontavam. É possível observar que Jesus sempre observou a mais extrema reticência no tocante ao título de Messias. Embora não tenha recusado verdadeiramente o título, manifestou grande reserva para com ele.8

Não é difícil saber o porquê. Em Sua época, os judeus haviam criado expectativas equivocadas quanto à obra do Messias. Esperavam um libertador meramente político. Assim, “Jesus via por trás da concepção messiânica do judaísmo de então, a obra de Satanás”.9 Não obstante, o título messiânico é usado nos evangelhos em sua perspectiva correta para expressar “Sua origem celestial, Sua missão terrestre e Sua futura vinda gloriosa”.10


Mas o Céu, quem diz que Eu sou? A transfiguração

Os evangelhos são unânimes em situar a transfiguração seis dias depois do diálogo entre Cristo e Seus discípulos sobre quem a multidão e eles mesmos consideravam ser Ele (Lc 9:18-22; cf. com Mt 16:13-23; Mc 8:27-33). Lucas menciona oito dias. Tal diferença pode estar relacionada à forma de contagem, inclusiva ou não, dos dois dias que a experiência no monte durou (Lc 9:37). Seja como for, esse detalhe não afeta o ponto principal que os evangelistas querem deixar claro ao organizarem o material narrativo dessa forma: a transfiguração era uma confirmação das verdades declaradas naquela ocasião. De acordo com Mateus e Marcos, seguindo a confissão de Pedro sobre o messiado de Cristo, Jesus falou que era necessário que o Filho do homem morresse e ressuscitasse ao terceiro dia. Em outras palavras, a obra do Messias envolvia glória e cruz. No monte foram confirmados “os dois fatos do messiado e a capacidade salvadora de Cristo”.11 Desse modo, “o monte endossou a confissão de Pedro e o ensino de Cristo”12 sobre Sua morte de cruz. Era necessário que Cristo subisse os dois montes: o monte da transfiguração e o monte do Calvário.

Os discípulos eram relutantes em entender a segunda parte. E até o fim fixaram-se na glória, brigando pelos primeiros assentos no reino, mesmo momentos antes da paixão de Cristo. Sua fuga em massa e mesmo a traição de Judas não apenas se deu por medo no primeiro caso ou cobiça no segundo. Era em grande medida desilusão. Eles não esperavam um Messias crucificado, mesmo depois de muitos avisos de Cristo. O mesmo sentimento de desilusão não poupou nem mesmo a mente do grande precursor do Messias, João Batista (Lc 7:20). A atitude de Pedro na ocasião é emblemática. Seis dias antes ele havia dito: “tem compaixão de Ti, Senhor”(Mt 16:22), em vista da cruz. Agora, na transfiguração, ele afirmou: “É bom estar aqui” (Lc 9:33), diante da luz da glória. Em outras palavras, “A cruz? Não! A glória, sim”.13

Desse modo, a transfiguração visava fortalecer a fé dos apóstolos. Ellen White afirmou: “O Salvador havia notado a tristeza dos discípulos, e desejou amenizar-lhes a mágoa, com a certeza de que sua fé não havia sido em vão”. Em oração “rogou que testemunhassem uma manifestação de Sua divindade que, na hora de Sua suprema agonia, os confortasse com o conhecimento de que Ele é o Filho de Deus e que Sua ignominiosa morte era parte do plano da redenção”.14 As três testemunhas (Pedro, Tiago e João) escolhidas eram deveras influentes entre os discípulos. Logo após a ascensão, eles assumiram importante papel de liderança na igreja primitiva. Esses mesmos personagens acompanhariam algum tempo depois a angústia de Cristo no Getsêmani, onde diferentemente desse caso, Sua oração não seria respondida de modo positivo. Louvado seja Deus, pois reconhece nossas debilidades e nos ajuda em nossas fraquezas!

Seis dias antes, Jesus havia indagado sobre quem os homens diziam que Ele era. No monte foi a opinião de Deus que se fez ouvir: “Este é o Meu Filho, o Meu eleito, a Ele ouvi” (Lc 9:35). Não importava o que os homens diziam. Como Pedro no monte da transfiguração, muitos falam sem saber o que estão dizendo (Lc 9:33). Mas nas Escrituras Deus abriu as cortinas invisíveis dos Céus, revelando à humanidade quem Ele é o que está disposto a fazer por amor.


Conclusão

Quem é Jesus? É o Deus encarnado, é o amor encarnado. É tudo o que o Céu tinha a oferecer. É o infinito dentro do finito. É eternidade dentro do tempo. É a única esperança que a humanidade tem para ter esperança. É aquele cujas definições nunca serão suficientes.

A pergunta direta de Cristo aos discípulos em Lucas 9:20: “Mas vós quem dizeis que Eu sou?”, traz a questão para o âmbito pessoal. A resposta não será achada em livros, em debates, na opinião alheia, nos documentários ou comentários. A resposta sempre estará em nosso coração. E sempre será decisiva. As implicações de nossa resposta só poderão ser medidas apropriadamente pela eternidade.


Referências:

1. SPROUL, R. C. Who Is Jesus?. v.1 Lake Mary, FL: Reformation Trust Publishing, 2009, p. 2.
2. Ibid, p. 3.
3. Easton, M. G. In Easton’s Bible dictionary. New York: Harper & Brothers, 1893.
4. Idem.
5. CULLMANN, Oscar. Cristologia do Novo Testamento. Tradução de Daniel Costa, Daniel de Oliveira. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 184.
6. CULLMAN, 2008, p. 184.
7. MYERS, A. C. In The Eerdmans Bible Dictionary. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1987, p. 962.
8. CULLMAN, 2008, p. 166, 167.
9. Idem, p. 165.
10. ELWELL, W. A., & BEITZEL, B. J. In Baker Encyclopedia of the Bible. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988, p.1983.
12. MORGAN, G. C. The Crises of the Christ (p. 215). New York; London: Fleming H. Revell Company, 1936, p. 215.
13. MORGAN, 1936, p. 216.
14. Idem, 1936, p. 217.
15. WHITE, Ellen Gould. O Desejado de Todas as Nações. Tradução de Isolina A. Waldvogel. 22ª ed., Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004, p. 297.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lição de Adultos - Estudo adicional

“Se José e Maria houvessem firmado a mente em Deus, mediante meditação e oração, teriam avaliado a santidade do depósito que lhes era confiado, e não teriam perdido Jesus de vista. Pela negligência de um dia perderam o Salvador. Custou-lhes, porém, três dias de ansiosas buscas para tornar a encontrá-Lo. O mesmo quanto a nós; pelas conversas ociosas, por maledicência ou negligência da oração, podemos perder num dia a presença do Salvador, e talvez leve muitos dias de dolorosa busca para tornar a achá-Lo, e reconquistar a paz que perdemos” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 83).

Perguntas para reflexão

1. A tentação em si não é pecado. No sentido bíblico, a tentação tem o potencial de confirmar a possibilidade de santidade. Ser tentado é uma coisa; cair em pecado é outra. Qual é nossa responsabilidade com respeito a fazer tudo o que podemos até mesmo para evitar a tentação?

2. Filósofos e teólogos muitas vezes falam sobre o que chamam de “metanarrativa”, isto é, uma grande história ou tema global dentro do qual ocorrem outras histórias. Em outras palavras, uma metanarrativa é a tela de fundo, o contexto em que outras histórias e eventos se desenrolam. Como adventistas do sétimo dia, vemos o grande conflito como a “metanarrativa”, ou a tela de fundo do que tem acontecido na Terra e no Céu. Quais passagens da Bíblia nos mostram a realidade do grande conflito, e como ele nos ajuda a explicar o que está acontecendo no mundo?

3. Quais são algumas das passagens bíblicas mais fortes que nos prometem vitória sobre as tentações que cruzam nosso caminho? Por que, porém, mesmo com essas promessas, ainda é tão fácil cair?

4. “Duvidar da Palavra de Deus é o primeiro passo para ceder à tentação”. Você concorda?

5. De que maneiras a idolatria pode ser muito mais sutil do que curvar-se e adorar algo que não seja o Senhor?

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Lição Adultos - Cristo, o Vencedor

Lucas e Mateus apresentam a segunda e a terceira tentações em ordem invertida. A razão para tanto não é clara, mas não precisamos nos demorar nisso. A questão importante é a vitória final de Jesus sobre Satanás, proclamada pelos dois evangelhos. O fator significativo que emerge do estudo das tentações é que Jesus Cristo é uma Pessoa real. Ele foi tentado como nós, mas sem pecado (Hb 4:15). Com a vitória em cada uma das tentações, com Seu triunfo sobre Satanás, com a Palavra de Deus em Sua boca e ligado à fonte celestial de poder por meio da oração, Jesus saiu para proclamar o reino de Deus e para inaugurar a era messiânica.

5. Leia Lucas 4:9-13 e Mateus 4:5-7. Nas duas primeiras tentações, Jesus usou as Escrituras para vencer as provocações de Satanás. Então, na terceira, Satanás fez o mesmo e citou as Escrituras para testar se Jesus realmente levava a Palavra de Deus a sério. O que estava acontecendo ali, e como Jesus reagiu?

Satanás levou Jesus ao pináculo do templo em Jerusalém, que é o lugar mais sagrado da história judaica. A cidade de Sião, o templo onde Deus habitava entre Seu povo, se tornou o palco do confronto entre Satanás e Cristo. Novamente, o prefácio foi: “Se és o Filho de Deus.” Observe o que Satanás disse: Se Deus é de fato Seu Pai, e se Sua missão de fato é ordenada por Ele, atire-Se do pináculo abaixo e comprove isso de uma vez por todas. Certamente, se tudo isso é verdade, Deus não deixará que Você Se machuque. Ele então cita as Escrituras: “Aos Seus anjos ordenará a Teu respeito que Te guardem” (Lc 4:10).

Satanás conhecia a Bíblia, mas torceu sua interpretação. Sua tática foi levar Jesus a colocar Deus à prova. Deus, de fato, prometeu proteção por parte de Seus anjos, mas somente dentro do contexto da execução de Sua vontade, como no caso de Daniel e seus companheiros. Novamente Jesus, usando as Escrituras, deu uma resposta decisiva a Satanás, declarando que não nos compete pôr Deus à prova (v. 12). Nosso dever é nos colocar nas mãos de Deus e deixar que Ele faça o resto.

Note quatro ensinos importantes da Bíblia sobre a tentação: (1) Ninguém está livre de tentações; (2) quando Deus permite que tentações nos sobrevenham, também provê graça para resistirmos a elas e força para as vencermos; (3) as tentações não vêm da mesma forma todas as vezes; (4) ninguém é tentado além do que é capaz de suportar (1Co 10:13).

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Lições Adultos - “Se… me adorares”

4. Leia Lucas 4:5-8. Por que Satanás desejava que Jesus o adorasse? Que assunto crucial estava em jogo?

Receber adoração é prerrogativa exclusiva de Deus; esse é o único fator que separa para sempre a criatura do Criador. Uma das questões na rebelião de Lúcifer contra Deus no Céu foi a adoração. A ambição de Lúcifer é bem sintetizada por Isaías 14:13, 14: ascender ao Céu, exaltar seu trono acima das estrelas de Deus, ser semelhante ao Altíssimo. Foi uma tentativa de usurpar a autoridade que pertence apenas ao Criador.

Nesse contexto, podemos entender melhor o que estava acontecendo nessa tentação. Quando Jesus estava prestes a iniciar Sua missão de redimir o mundo e restaurá-lo à posse e à autoridade de Deus, Satanás O levou ao topo de um monte, apresentou-Lhe uma visão panorâmica de todos os reinos e Lhe ofereceu a glória deles em troca de um simples ato: “Portanto, se prostrado me adorares, toda será Tua” (Lc 4:7).

Satanás estava tentando desviar a perspectiva de Cristo de Sua prioridade divina, e tentando seduzi-Lo com pompa e glória ao preço de apenas um gesto Seu de curvar-Se. Ele estava tentando obter aqui, novamente, a autoridade e a adoração que não conseguira no Céu. 
Note como Cristo despediu o tentador com total desprezo: “Vai-te, Satanás” (Lc 4:8, ARC). A adoração e o serviço que a acompanha pertencem somente ao Deus criador. Então, novamente a Palavra de Deus veio para ajudar Jesus. Não disse a inspiração, através de Moisés: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus […] O Senhor, teu Deus, temerás, a Ele servirás” (Dt 6:4, 5, 13)? A resposta suprema às mentiras e engodos de Satanás é decidir seguir a Deus de maneira absoluta, em fé e obediência.

Qualquer um de nós pode enfrentar a tentação de comprometer a fé, mesmo que seja em “pequenas coisas”: seu emprego, sua aprovação num exame na universidade ou sua promoção requer uma transigência com respeito ao sábado. Seu visto para entrar num país melhor depende de uma mudança de nome que oculte sua fé. Em que ponto você pode fazer uma concessão? O preço alguma vez é justo? Se sim, quando? 

terça-feira, 7 de abril de 2015

Lição Adultos - “Não só de pão”

“Jesus, cheio do Espírito Santo […] foi levado pelo Espírito ao deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo” (Lc 4:1, 2, NVI). Nascido para uma missão designada por Deus, comissionado para essa tarefa em Seu batismo, capacitado com o poder do Espírito Santo, Jesus, o Cristo, Se retirou para o deserto a fim de meditar na tarefa que tinha pela frente. A tentação no deserto foi uma batalha significativa entre Cristo e Satanás no grande conflito que tem sido travado desde a rebelião de Lúcifer no Céu. No deserto, quando o Salvador estava enfraquecido pelos 40 dias de jejum, quando a jornada à frente parecia árida e cansativa, Satanás assumiu pessoalmente o comando em seu ataque contra Jesus. “Satanás viu que, ou venceria, ou seria vencido. Havia muitas coisas em jogo no resultado do conflito para que ele o confiasse aos anjos confederados. Ele mesmo devia dirigir o conflito” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 116).

3. Note o que Satanás disse a Cristo: “Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão” (Lc 4:3). Nesse relato, o que Satanás estava procurando fazer que reflete o que ele tentou fazer no Céu?

A questão central ali não era o pão. Sim, o jejum de 40 dias no deserto deve ter deixado o Salvador faminto, e Satanás usou a circunstância como isca. Mas Satanás sabia que Jesus é o criador do Universo. Para Aquele que criou o Universo do nada, fazer uma pedra se transformar em pão não era problema. O ponto crucial da tentação se encontra em sua introdução: “Se és o Filho de Deus.” Apenas 40 dias antes, a voz do Céu havia atestado que Jesus era, de fato, o Filho de Deus; e então, Jesus duvidaria da certeza dada pelo Céu? Duvidar da Palavra de Deus é o primeiro passo para ceder à tentação. No Céu, Satanás havia desafiado a autoridade de Jesus; e ele faz isso aqui também, ainda que de uma forma muito mais sutil do que a usada por ele no Céu.

De que forma podemos aprender a não sucumbir às tentativas de Satanás para conseguir que duvidemos das promessas de Deus? 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Lição Adultos - “Tu és Meu Filho amado”

Em Lucas 2:41-50, lemos a famosa história de quando José e Maria perderam Jesus de vista em Jerusalém. O que é especialmente fascinante é a resposta de Jesus a Maria quando ela O censurou (v. 48). Sua resposta é uma afirmação de Sua divina autoconsciência de ser o Filho de Deus. “‘Por que é que Me procuráveis? Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?’“ (v. 49, ARC). Como diz o verso seguinte, José e Maria não compreenderam as implicações do que Jesus lhes havia dito. E, para sermos justos, como poderiam compreender? Afinal de contas, nem mesmo os discípulos, depois de terem passado vários anos com Jesus, tinham plena certeza de quem Ele era e do que iria fazer.

Por exemplo, após Sua ressurreição, Jesus estava conversando com dois discípulos no caminho para Emaús. Um deles, ao se referir a Jesus, havia dito que Ele “era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo” (Lc 24:19). Jesus, é claro, era muito mais do que um profeta. Mesmo naquele momento eles ainda não compreendiam quem Ele era e o que viera fazer.

2. Leia Mateus 3:13-17, João 1:29-34 e Lucas 3:21, 22. Qual é o significado do batismo de Jesus?

Por ocasião de Seu batismo, o Céu atestou o fato de Jesus ser o Filho de Deus. Jesus buscou o batismo, não porque precisasse dele como parte de um processo que vem após o arrependimento, mas como um exemplo aos outros (Mt 3:14, 15). Três importantes fatores se destacam com relação ao batismo de Jesus: (1) a proclamação de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29); (2) A unção de Jesus pelo Espírito Santo para a missão que Ele tinha pela frente; (3) a proclamação celestial de que Jesus é o Filho de Deus, em quem o Pai Se compraz.

O imaculado Filho de Deus, o criador do cosmos, foi batizado por um mero ser humano, como parte do plano da salvação. Como essa condescendência de Sua parte nos ajuda a estar dispostos a nos humilhar sempre que for necessário?

domingo, 5 de abril de 2015

Lição Adultos - “Preparai o caminho do Senhor”

Em Lucas 3, João aparece em seu papel singular e fundamental na história da salvação. Qualquer outra coisa poderia ser dita a respeito da pregação de João, exceto que ele amenizasse suas palavras para agradar à multidão.

1. Leia Lucas 3:1-14. As palavras de João Batista estão carregadas de importantes verdades para todos nós. Que lições em particular você pode tirar do que João estava dizendo?

O arrependimento não é apenas uma noção teórica; é um modo de vida. A palavra vem do grego metanoia, que significa mudança de mentalidade, e isso leva a uma nova vida.

“Batizar” significa mergulhar ou imergir completamente na água. A imersão tem um significado profundo. Mesmo antes do tempo de João, os judeus haviam atribuído um significado ao batismo por imersão. Ele constituía uma prática comum quando os prosélitos gentios escolhiam se unir à fé judaica.

Ao convidar os judeus para que fossem batizados, João Batista estava apresentando um novo princípio: o batismo é uma ocasião para se renunciar publicamente aos antigos caminhos pecaminosos e preparar-se para a vinda do Messias. Assim, João Batista introduziu para os cidadãos do reino messiânico, que estava para ser inaugurado, um ato simbólico de renúncia ao pecado e de consagração a um novo modo de vida. João se apressou a acrescentar que estava batizando apenas com água, mas Aquele que viria após Ele “os [batizaria] com o Espírito Santo e com fogo” (Lc 3:16, NVI). Assim, é dada uma lição crucial: o batismo, como ato de imersão na água, é apenas um símbolo exterior de uma mudança interior – uma mudança que posteriormente seria selada pelo batismo do Espírito Santo.

Leia Romanos 6:1-6. Que lições espirituais o apóstolo Paulo extraiu do ato do batismo? Note a comparação que ele fez entre o ato de imersão e saída da água com o morrer para o pecado e viver para a justiça. Como você experimentou a realidade dessa nova vida em Cristo? Que áreas de sua vida ainda permanecem “submersas”?

sábado, 4 de abril de 2015

Lição Adulto - O batismo e as tentações

O Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o Meu Filho amado, em Ti Me comprazo. Lc 3:22

Leituras da Semana:
Lc 3:1-14; Rm 6:1-6; Lc 3:21, 22; 4:5-8; Is 14:13, 14; Lc 4:9-13

Como vimos na semana passada, Lucas apresenta uma lista de grandes dignitários da História, para ajudar a mostrar, cremos nós, que seu relato sobre Jesus e João é tão real e histórico quanto esses influentes homens. Mas há outra razão importante para mencionar esses homens de grande poder e influência: é contrastá-los com o humilde homem do deserto, João Batista, o mensageiro escolhido por Deus que devia preparar o caminho para o evento mais significativo de toda a história humana até esse momento: a vinda de Jesus, o Redentor do mundo. Que interessante é o fato de que Deus escolheu, não um dos “grandes” homens do mundo para anunciar o Messias, mas um dos mais humildes!

Os estudiosos reúnem todos esses personagens históricos e nos dão uma data próxima a 27 ou 28 d.C. para o início do ministério de João Batista e de Jesus. Foi dentro do período histórico desses homens ilustres do Império Romano que Jesus foi batizado e recebeu Sua consagração como o “Filho amado” de Deus (Lc 3:22). Lucas estabelece isso logo de início, mesmo antes de apresentar a seus leitores a “exposição em ordem” da missão e do ministério de Jesus Cristo.

Comentários da Lição - O batismo e as tentações

Autor: Pr. Jônatas Leal
Revisão: Josiéli Nóbrega

Ampliação

O início do ministério público de Jesus foi marcado por dois importantes eventos. Seu batismo no rio Jordão e Sua tentação no deserto por quarenta dias. Ambos os eventos foram antecedidos por um grande reavivamento e reforma realizados pela obra de João Batista. Tão impactante foi seu ministério que muitos pensavam ser ele o Cristo, o Messias prometido (Lc 3:15).

Nesta semana tivemos a oportunidade de reexaminar essas três importantes etapas do plano da salvação: o ministério de João, o batismo de Jesus e Sua tentação no deserto. Ali Cristo começou a trilhar o caminho que João havia de antemão preparado. Desde o início ficaria claro que, embora o fim do caminho fosse glorioso, como a voz do Céu no batismo o atestou, Jesus não chegaria nele sem passar pelo deserto da tentação. Por isso, vamos acompanhar Cristo nesse movimento do Jordão para o deserto, das águas para a sequidão. Mas acima de tudo, da tentação para a vitória. 


O ministério de João

Uma das marcas distintivas do ministério de João era sua prática de batizar. Isso acabou conferindo-lhe o título de “o Batista”. O batismo por imersão no judaísmo não era novidade. Alguns rabis chegaram a afirmar que o rito foi inaugurado antes da entrega da lei no Sinai1. Durante a existência do templo, o batismo por imersão, juntamente com a circuncisão e o devido sacrifício, eram exigidos dos novos prosélitos. Para esses, o rito visava limpar a impureza da idolatria e restaurar o homem à pureza de um recém-nascido. Além disso, também era praticado como forma de penitência pelo antigo judaísmo essênio e hassídico.

Contudo, o batismo de João ia além. Era um chamado ao arrependimento à luz da chegada da era messiânica. Sua pregação era contundente (Lc 3:7) e urgente (Lc 3:9). Seu chamado ao arrependimento envolvia reforma de vida pelo abandono dos pecados conhecidos (Lc 3:10-14). Com coragem profética, ele denunciou os pecados de líderes civis como Herodes e religiosos como os fariseus (Mt 3:7; Lc 3:19). Sua influência se tornou tão abrangente que ambos os grupos temiam fazer-lhe mal. A Bíblia fala de multidões que iam ouvir João e ser por ele batizadas (Lc 3:7).

Conforme o relato de Lucas “quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi” (Lc 3:21, NVI). Mesmo um leitor superficial do evangelho é levado a indagar a razão do batismo de Jesus. Se o batismo de João era um chamado ao arrependimento e um sinal público de renúncia da vida de pecado em preparação para a vinda do Messias, então como entender o fato de o próprio Messias ter sido batizado por ele? Ademais, a própria Bíblia é inequívoca ao afirmar a impecabilidade de Jesus (Hb 4:15). Isso nos leva a refletir sobre o verdadeiro significado do batismo de Cristo. 


O batismo de Jesus

Depois de trinta anos de anonimato na Galileia (pelo menos naquilo que os evangelhos narram), Jesus apareceu para Seu primeiro ato público. Embora fosse época das grandes festas religiosas do outono (Trombetas, Expiação e Tabernáculos), em que grandes peregrinações ocorriam em Jerusalém, Jesus foi à Judeia especificamente “para ser batizado por João” (Mt 3:13). Tais festas sequer são mencionadas. O motivo da viagem de 100 km era claro. A princípio nem o próprio João compreendeu (Mt 3:14), chegando até mesmo a resistir. Se muitos dos fariseus não eram adequados para receber o batismo, no caso de Jesus era o batismo que não lhe era adequado. 
Mas Jesus foi incisivo com João ao afirmar que naquele momento isso era necessário “a fim de cumprir toda a justiça” (Mt 3:15). Nesse contexto, “‘cumprir toda a justiça’ significava completar tudo que faz parte de um relacionamento de obediência a Deus. Assim, Jesus Se identificou e ao mesmo tempo endossou o ministério de João como divinamente ordenado e sua mensagem como algo que deve ser ouvido”.2

Algumas observações devem ser feitas sobre o batismo de Cristo. Em primeiro lugar, não foi um batismo de arrependimento. Então, não nos batizamos com o mesmo propósito de Cristo. Em segundo lugar, Seu batismo não foi uma simples formalidade. Cristo mesmo Se opôs tenazmente à religião formalista de Sua época. De fato, havia uma profecia que apontava para o início de Seu ministério como “ungido”, o Messias prometido. No batismo, Ele foi ungido pelo Espírito Santo e começou a última semana de Daniel 9:24-27. Por fim, da mesma forma, Seu batismo não pretendia ser apenas um exemplo a outros. Pois nele, Jesus verdadeiramente recebeu de modo especial o poder do Espírito Santo para cumprir Sua missão.  

Como resultado de Seu batismo, houve uma visão e uma audição. O céu se abriu e o Espírito desceu em forma de pomba (Lc 3:21, 22). O paraíso foi fechado por Adão, mas o céu se abriu para Cristo. O batismo marcou o caminho de volta para casa (Mc 16:16). O batismo não deve ser visto como o fim, mas o início da jornada rumo à santificação. A voz do Céu (Lc 3:22b) citou porções de Salmo 2:7 (“Tu é o Meu Filho”) e Isaías 42:1 (“em quem a Minha alma se compraz”). Respectivamente, ambas as profecias tratam da entronização do Filho divino como rei e da comissão do servo sofredor que, com Seu próprio sangue, tornou-se Mediador da nova aliança. Assim, em Seu batismo, Cristo foi empossado e comissionado. É somente à luz desse contexto que o significado de Seu batismo pode ser entendido.                           


As tentações de Jesus

Os evangelhos sinóticos (Mt, Mc, Lc) são unânimes em afirmar que o evento subsequente ao batismo de Cristo foi Sua tentação no deserto. Imediatamente (Mc 1:12) após o Jordão, Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito para ser tentado. (Lc 4:1, 2). De acordo com Hebreus 2:17,18, “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, Se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.”

Curiosamente, Lucas é o único evangelista que insere uma genealogia de Jesus entre esses eventos (Lc 3:23-38). Do ponto de vista literário e teológico, duas razões podem ser apontadas aqui. Em primeiro lugar, a genealogia vem entre dois eventos em que a filiação de Jesus estava em questão3. No primeiro, ela é afirmada (Lc 3:22), no segundo ela é questionada (Lc 4:3). Em segundo lugar, a genealogia de Lucas termina em Adão, filho de Deus (Lc 3:38). Essa não é uma ordem comum para as genealogias na Bíblia, que geralmente começam nos ancestrais mais antigos até chegar aos mais contemporâneos. A de Lucas parte do presente em direção ao passado. Por meio disso, Lucas enfatizou o caráter universal da obra messiânica. Porém, mais do que isso, ele preparou o cenário para a cena seguinte, em que Cristo, o segundo Adão, foi tentado no deserto. Exatamente na primeira tentação Jesus foi questionado sobre Sua posição como Filho de Deus.

Na teologia paulina, cuja influência sobre Lucas deve ter sido grande, fica claro o paralelo entre Adão e Cristo. Adão “prefigurava Aquele que havia de vir” (Rm 5:14). Assim como por meio da derrota de Adão todos compartilham da morte, por meio da vitória de Cristo todos obtêm vida livremente (1Co 15:22). Por Sua vida vitoriosa “o último Adão é espírito vivificante” (1Co 15:45). Da mesma forma, Ellen White destacou esse relacionamento. Ela afirmou: “Cristo, no deserto da tentação, ficou no lugar de Adão para suportar a prova que ele deixou de resistir”.4 Contudo, “Ele não estava em posição favorável para suportar as tentações de Satanás, como estava Adão quando foi tentado no Éden”5. De fato, Adão foi derrotado no paraíso, enquanto Cristo foi vitorioso no deserto.

As tentações demonstram que as táticas do inimigo das almas não tinham, em essência, mudado desde o Éden. Na primeira tentação, ao questionar a filiação de Cristo, Satanás estava pondo em dúvida a própria palavra de Deus que, dias antes, havia declarado no batismo de Jesus: “Tu és o Meu Filho”. Essa não seria a última vez que Satanás pronunciaria essa indagação. Na cruz, mais uma vez, por meio de porta vozes humanos, ele exclamaria: “Se és o Filho de Deus, salva a Ti mesmo e desce da cruz” (Mt 27:40). As palavras de Satanás ecoam aquelas ditas no Éden: “É assim que Deus disse [...]?” (Gn 3:1). Diferente de Adão e Eva, Jesus optou por viver da palavra que sai da boca de Deus (Lc 4:4).

Na segunda tentação, Satanás buscou desviar Cristo de Sua missão como servo sofredor Lhe oferecendo “os reinos do mundo” (Lc 4:5). Na verdade, essa era a expectativa tanto do povo como dos líderes judaicos; um messias conquistador, cujo cetro não só livraria Judá da dominação romana, mas os levaria a conquistar os reinos deste mundo. Essa foi uma tentação constante em Seu ministério. Até mesmo Pedro, levado pelos pensamentos humanos de um messias político, usou um refrão parecido, buscando dissuadir Cristo de Sua missão na cruz. O mesmo recebeu uma das mais duras repreensões registradas no Novo Testamento: “Arreda-te de mim Satanás” (Mt 16:22, 23). 
Ao que parece, nem mesmo Satanás percebeu o tamanho de sua presunção, pois oferecia a Cristo o que já era dEle. A lógica dessa tentação também evoca a estratégia usada no Éden. A serpente ofereceu para Eva mais do que ela já tinha. Como se Deus a tivesse privado de algum bem. Ambos poderiam ter mais: Naquele caso, ser “como Deus” (Gn 3:5). Contudo, Eva se esqueceu que já possuía a semelhança e imagem de Deus. O diabo buscava criar a necessidade de algo que ambos aparentemente não possuíam. Por vezes, ainda é assim. A tentação funciona como uma oferta de algo que Deus Se esqueceu de nos dar e que, sem isso, não poderíamos ser felizes. Eis o grande engano por trás das tentações!

Por fim, na última tentação, Satanás apelou para a única autoridade que Cristo havia reconhecido até ali, a Palavra de Deus. No entanto, a distorceu a seu bel prazer, fazendo-a dizer aquilo que nunca tinha pretendido expressar. O diabo citou o Salmo 91:10, 11. Trata-se de uma afirmação do cuidado de Deus para com o salmista. Assim, “a tentação é um teste do cuidado de Deus e da confiança de Cristo em Deus”6. De fato, o homem piedoso não precisa fazer esse teste porque ele tem fé em Deus, e por isso, o ato de atirar-se representa exatamente o oposto: é um sinal de falta de fé.7 Ao longo de Seu ministério, Jesus lutaria para colocar a palavra de Deus na sua devida perspectiva. A vontade de Deus havia sido tão distorcida pelos intérpretes de Seu tempo que havia se tornado um fardo difícil de carregar.

Assim foi no Éden também; ali a serpente distorceu o que Deus havia dito. Ela deu novo significado para o “conhecimento do bem e do mal”, fazendo com que parecesse algo bom que Deus lhes havia privado (Gn 3:5).

Como podemos ver, os mesmos elementos presentes na queda do homem estão presentes na tentação de Cristo no deserto. Na primeira, Ele foi tentado a não crer na palavra de Deus. Na segunda, foi tentado a rejeitar Sua autoridade. Enfim, na terceira, Ele foi tentado a desconfiar da bondade de Deus. Todos esses elementos estavam presentes na estratégia da serpente com Adão e Eva. A diferença é que Cristo venceu todas elas. A lógica da tentação continua a mesma. Apenas a palavra de Deus objetivamente revelada nas Escrituras deve ser nossa salvaguarda. Em Cristo podemos ser vitoriosos. Ele nos deixou o exemplo de como enfrentar a tentação e nos concede o poder, por meio do Espírito, para obter a vitória.


Conclusão

No início de Seu ministério, Cristo começou a trilhar o caminho que Israel havia trilhado muitos séculos antes. Além de ser o segundo Adão, Cristo é o novo Israel. Como Cristo, Israel foi batizado tanto na nuvem como no mar (1Co 10:2) antes de enfrentar o deserto. Para cada ano de Israel no deserto, Cristo passou um dia. Não foi por acaso que todos os textos mencionados por Cristo durante a tentação são extraídos de algum momento da experiência de Israel (Dt 8:3; Êx 20:3-6; Dt 6:14). Cristo não representa apenas Israel, mas a humanidade inteira. Ele carrega em Seus ombros nossas fragilidades, derrotas, e incapacidades. Em troca, coloca sobre nós Sua força, Sua vitória e Seu poder. A vitória de Cristo no deserto é a nossa vitória. Por isso, não hesitemos em dizer que nEle “somos mais que vencedores” (Rm 8:37).


Referências:

1. BAPTISM. Jewish Encyclopedia. Disponível em: http://www.jewishencyclopedia.com
/articles/2456-baptism.    
2. BLOMBERG, C. The New American Commentary: Matthew. v. 22. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 1992. p.81
3. BOCK, D. L. Luke: 1:1-9:50. v. 1. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 1994. p. 349.
4. WHITE, Ellen Gould; SILVA, Horne P. No deserto da tentação: os primeiros e decisivos lances da vitória sobre o pecado. 6ª ed. , 2. reimp. São Paulo - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012. P.38.
5. Idem, p. 38
6. BOCK, 1994, p. 380.
7. Marshall, I. H. The Gospel of Luke: a commentary on the Greek text. Exeter: Paternoster Press, 1978. p. 173.

domingo, 29 de março de 2015

Lição Adultos - “Uma exposição em ordem” (Lc 1:1-3; At 1:1-3)

Atos 1:1 nos diz que, antes que esse livro fosse escrito, seu autor escreveu “o primeiro livro”. Isso, além do fato de que ambos os relatos foram endereçados a Teófilo, nos ajuda a concluir que um só autor foi o responsável por ambos os livros. Os dois relatos podem ser considerados a parte 1 e a parte 2 da “Origem e História da Igreja Cristã”. A parte 1 é uma narrativa da vida e obra de Jesus (o Evangelho de Lucas) e a parte 2 (Atos dos Apóstolos) é um relato da propagação da mensagem de Jesus e da igreja primitiva.

1. Como o Evangelho de Lucas foi escrito? Leia Lucas 1:2, 3 e 2 Timóteo 3:16.

Lucas tinha conhecimento de muitos que haviam escrito sobre os eventos que abalaram tanto a cidade de Jerusalém como outros locais além de suas fronteiras: os eventos relativos a Jesus Cristo. As fontes de tais obras literárias incluíam muitas “testemunhas oculares e ministros da Palavra” (Lc 1:2) – uma clara referência aos discípulos e a outros contemporâneos de Jesus. O próprio Lucas teve contato com essas testemunhas e ministros (como Paulo e outros líderes apostólicos), e possivelmente também com os evangelhos escritos por Marcos e Mateus. Lucas, obviamente, não foi uma testemunha ocular da história de Jesus, mas foi um autêntico converso a Cristo, digno de confiança.

Mateus escreveu para um público judeu, apresentando Jesus como o grande mestre, o cumprimento das profecias e o rei dos judeus. Referiu-se muitas vezes a profecias do Antigo Testamento que se cumpriram em Cristo. Marcos escreveu para um público romano sobre Jesus como um homem de ação. Lucas, um médico gentio, escreveu para os gregos e os gentios sobre Jesus como uma figura universal – o Salvador do mundo. Lucas mencionou que seu propósito ao escrever era duplo: apresentar uma “exposição em ordem” (Lc 1:3) e mostrar a certeza dos grandes ensinos desse novo tempo. Um dos objetivos de seu evangelho é proporcionar certeza sobre a verdade tal qual é em Jesus.

Lucas, escritor bíblico inspirado, usou material de outras pessoas em seus escritos. Obviamente, esse uso de outras fontes não nega a inspiração nem a autoridade do que ele escreveu. Que lições isso deve ter para nós, como adventistas do sétimo dia, com respeito à questão de como a inspiração, canônica ou não canônica, atua nos escritores inspirados?

Ele viveu por você! Esse é o tema de hoje no programa da Semana Santa. Abra sua casa ou participe em algum pequeno grupo.

Comentário - O evangelho de Lucas

O elevado estilo linguístico do Evangelho de Lucas revela a capacidade intelectual de seu autor. Provavelmente escrito até 63 d.C., ele tinha como alvo, em especial, leitores gregos. Não é em vão que, em Lucas, Cristo é apresentado como o Amigo da Humanidade, que está “em contato íntimo com as necessidades humanas, enfatizando o lado humano de Sua natureza”.2

O Evangelho de Lucas revela o Salvador compassivo e amoroso que não tolera o preconceito em qualquer de suas formas, seja racial, social ou mesmo religioso. Ele se relaciona em todas as facetas diárias com aqueles que a elite social e religiosa israelita ou romana nem sequer ousava tocar. Por isso, não seria exagero afirmar que em Lucas 19:10 encontramos o resumo mais apropriado da obra do Salvador: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.”

A partir do prefácio de Lucas (1:1-4) também é possível inferir que sua tarefa era oferecer a seus contemporâneos “um relato da história de Jesus capaz de habilitá-los a ver que a história com a qual eles tinham parcialmente se familiarizado era uma base confiável para sua fé”.3 Isso mostra que, em seu lugar adequado, as evidências podem desempenhar um papel muito importante em nosso crescimento espiritual.

Além disso, muitos poderiam questionar como a revelação e inspiração podem se encaixar na “acurada investigação” (1:3) que resultou na obra de Lucas, o que pode parecer um tanto quanto “secular” ou “profano” para alguns. Contudo, Lucas nos ajuda a entender que Deus é capaz de Se comunicar tanto mediante formas significativas criadas por Ele miraculosamente como por aquelas criadas de maneira invisível quando Ele fez uso de objetos, documentos e circunstâncias aparentemente comuns.4

De fato, Deus pode falar muitas vezes e de muitas maneiras (Hb 1:1, 2). Ao longo da Bíblia podemos discernir muitos padrões reveladores. Por exemplo, o padrão teofânico no qual o próprio Deus fala diretamente ao profeta e o padrão profético, no qual Deus usa sonhos e visões para Se comunicar. Como o prefácio revela, Lucas produziu seu evangelho pelo padrão histórico. Qualquer que seja o envolvimento humano na revelação, mesmo aquele mais direto como em Lucas, Deus está em constante controle e supervisão do trabalho editorial ou mesmo da seleção das fontes orais e escritas. Portanto, esse controle divino alcança tanto o pensamento quanto as palavras do profeta. Não obstante, a atuação divina sempre levou em conta a individualidade de cada autor bíblico. É exatamente por isso que a Bíblia pode ser considerada uma obra divino-humana. Ambas as dimensões sempre estão relacionadas inseparável e miraculosamente como acontece na natureza divino-humana de Cristo.5

Vale lembrar que a obra de Lucas é mais do que história sagrada. Do ponto de vista teológico e literário, o livro é um evangelho, ou seja, “uma apresentação do ministério de Jesus a partir de seu significado savífico”.6 De fato, por meio da inspiração Lucas, que era médico de homens (Cl 4:14), passou a ser também médico de almas.

sábado, 28 de março de 2015

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Você já perguntou por que foram escritos quatro evangelhos? Se eles fossem unidos harmoniosamente sendo retiradas as histórias duplicadas e as pequenas dessemelhanças teríamos uma história mais compreensível da vida de Cristo. Contudo, não foi assim que ocorreu. Mas, à medida que lemos os evangelhos podemos perceber a razão.

Os evangelhos são mais do que meras biografias de Jesus. Por meio deles, o “Espírito Santo tem fotografado o Senhor Jesus de quatro diferentes ângulos”.1 Embora reconheçamos com o apóstolo João em seu evangelho que, se todas as coisas que Cristo fez fossem registradas, nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos (21:25), os quatro evangelhos nos proporcionam um retrato mais completo do Salvador. Neste trimestre teremos a alegria de explorar o encantador retrato de Cristo conforme registrado no evangelho de Lucas.

O evangelho de Lucas

O elevado estilo linguístico do Evangelho de Lucas revela a capacidade intelectual de seu autor. Provavelmente escrito até 63 d.C., ele tinha como alvo, em especial, leitores gregos. Não é em vão que, em Lucas, Cristo é apresentado como o Amigo da Humanidade, que está “em contato íntimo com as necessidades humanas, enfatizando o lado humano de Sua natureza”.2

O Evangelho de Lucas revela o Salvador compassivo e amoroso que não tolera o preconceito em qualquer de suas formas, seja racial, social ou mesmo religioso. Ele se relaciona em todas as facetas diárias com aqueles que a elite social e religiosa israelita ou romana nem sequer ousava tocar. Por isso, não seria exagero afirmar que em Lucas 19:10 encontramos o resumo mais apropriado da obra do Salvador: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.”

A partir do prefácio de Lucas (1:1-4) também é possível inferir que sua tarefa era oferecer a seus contemporâneos “um relato da história de Jesus capaz de habilitá-los a ver que a história com a qual eles tinham parcialmente se familiarizado era uma base confiável para sua fé”.3 Isso mostra que, em seu lugar adequado, as evidências podem desempenhar um papel muito importante em nosso crescimento espiritual.

Além disso, muitos poderiam questionar como a revelação e inspiração podem se encaixar na “acurada investigação” (1:3) que resultou na obra de Lucas, o que pode parecer um tanto quanto “secular” ou “profano” para alguns. Contudo, Lucas nos ajuda a entender que Deus é capaz de Se comunicar tanto mediante formas significativas criadas por Ele miraculosamente como por aquelas criadas de maneira invisível quando Ele fez uso de objetos, documentos e circunstâncias aparentemente comuns.4

De fato, Deus pode falar muitas vezes e de muitas maneiras (Hb 1:1, 2). Ao longo da Bíblia podemos discernir muitos padrões reveladores. Por exemplo, o padrão teofânico no qual o próprio Deus fala diretamente ao profeta e o padrão profético, no qual Deus usa sonhos e visões para Se comunicar. Como o prefácio revela, Lucas produziu seu evangelho pelo padrão histórico. Qualquer que seja o envolvimento humano na revelação, mesmo aquele mais direto como em Lucas, Deus está em constante controle e supervisão do trabalho editorial ou mesmo da seleção das fontes orais e escritas. Portanto, esse controle divino alcança tanto o pensamento quanto as palavras do profeta. Não obstante, a atuação divina sempre levou em conta a individualidade de cada autor bíblico. É exatamente por isso que a Bíblia pode ser considerada uma obra divino-humana. Ambas as dimensões sempre estão relacionadas inseparável e miraculosamente como acontece na natureza divino-humana de Cristo.5

Vale lembrar que a obra de Lucas é mais do que história sagrada. Do ponto de vista teológico e literário, o livro é um evangelho, ou seja, “uma apresentação do ministério de Jesus a partir de seu significado savífico”.6 De fato, por meio da inspiração Lucas, que era médico de homens (Cl 4:14), passou a ser também médico de almas.

O precursor do Messias

Apesar de um período tão grande entre Malaquias e Lucas, o nascimento e obra de João Batista já haviam sido preditos no Antigo Testamento. Nos últimos dois versos do Antigo Testamento Deus deixou a promessa: “Eu vos enviarei o profeta Elias”(Ml 4:5, 6). Claramente, desde o anúncio de seu nascimento (Lc 1:17), até mesmo nas declarações de Cristo (Mt 17:12), João Batista cumpriu essa profecia. A prática do batismo para arrependimento (Mt 3:11) pode ser uma indicação de que ele converteria “o coração dos pais aos filhos, e dos filhos aos pais” (Ml 4:6), conforme Malaquias havia predito.

A relação entre a profecia de Malaquias e João Batista demonstra que a história não terminaria em Malaquias 4:6. A última palavra do Antigo Testamento, registrada nesse verso é “maldição” (herem). Essa não seria a palavra final. A história termina no último verso de Apocalipse com “a graça do nosso Senhor Jesus” (Ap 22:21). A missão de João era anunciar a manifestação dessa graça, a chegada da salvação.

Para isso, Deus enviaria o maior “entre os nascidos de mulher” (Lc 7:28). Com um estilo de vida simples, mas com autoridade de uma vida coerente, João Batista relembrava o ministério de seu antecessor tipológico, o Elias do Antigo Testamento. Como a geração para a qual Elias pregou, os contemporâneos de João não poderiam ficar neutros. Não seria possível “coxear entre dois pensamentos” (1Rs 18:21). Como nas palavras de Simeão, o Cristo seria alvo de contradição, quer para levantamento ou ruína (Lc 2:34).

O Messias que ninguém esperava

Diferente de todos os profetas que o antecederam, João Batista pôde ver o cumprimento final de sua pregação. Jacó profetizou sobre o Rei universal (Gn 49:10), Moisés falou de “um Profeta” a quem todos ouviriam (Dt 18:18), Balaão viu a “estrela que procederia de Jacó” (Nm 24:7), o salmista vislumbrou o Filho do Altíssimo ungido como Rei (Sl 2:6) e Isaías viu o Servo sofredor que morreria em nosso lugar (Is 53:4-6). No entanto, João Batista obteve de Cristo a certeza de que não era mais necessário esperar (Mt 11:3-5). O Messias havia chegado!

Mas surpreendentemente poucos estavam preparados, apesar da clareza das profecias, mesmo quanto ao tempo (Dn 9:24-26) e lugar (Mq 5:2) do nascimento do Messias. As pessoas daquele tempo haviam criado seus próprios “messias”, seus próprios estereótipos de glória, honra, sucesso e poder. E suas expectativas não combinavam com o Homem nascido na manjedoura, outro nome para um cocho. Não havia lugar para um messias que nem a hospedaria queria receber.

Esse é o Messias apresentado por Lucas. O Messias que conhece a pobreza por experiência própria. O início humilde dAquele que fundaria um reino eterno era em si mesmo uma pedra de toque. Seu ministério em grande medida foi voltado aos pobres a quem chamou bem-aventurados (Lc 6:20). Quem não se surpreenderia com um Messias assim? A lista oferecida por Lucas indicando aqueles que estavam preparados para esse grande evento é quase escandalosa: uns poucos pastores e dois idosos. Evidentemente, ela não é exaustiva, mas por sua representação ela pode dizer muito.

A menção dos pastores é surpreendente. Verdadeiramente, o evangelho em Lucas desconsidera os estereótipos sociais e religiosos. Embora ao longo da Bíblia os pastores que cuidavam de rebanhos sejam vistos sob luz favorável7, em geral, para os leitores do evangelho na época eles eram considerados desonestos e impuros, de acordo com os padrões cerimoniais da lei.8 Eles representam os proscritos e pecadores para os quais Jesus veio. Foram os primeiros recebedores das boas-novas (euangelion), termo que aparece onze vezes no Novo Testamento, sendo dez vezes apenas em Lucas. Não obstante, tudo indica que, apesar das aparências, esses eram homens devotos e provavelmente familiarizados com as profecias messiânicas, como os dois personagens seguintes.9

Nada é mencionado sobre Simeão, a não ser sua condição espiritual. Ele foi justo e piedoso, títulos reservados para poucos na literatura bíblica. Contudo, mais importante do que isso, ele vivia “na esperança de que a promessa de Deus se cumpriria”.10 Ele aguardava a consolação de Israel, termo que aparece constantemente em conexão com a obra do Servo do Senhor (Is 40:1; 49:13; 51:3; 57:18; 61:2). Os rabis posteriormente se refeririam ao Messias como Menahem, o Consolador. Importante na descrição é a influência do Espírito Santo sobre ele. O Espírito o impeliu ao templo e o capacitou a ver além das aparências, pois o indefeso bebê daquele humilde casal era o salvador de Israel e fonte de luz para os gentios. As palavras de Simeão demonstram que suas expectativas não estavam distorcidas. Ele revelou uma consciência da missão e obra do Messias que não mais aparece no evangelho de Lucas. Nem mesmo é encontrada em João Batista (Lc 7:19) nem nos discípulos mais íntimos de Cristo até Sua morte.

A última testemunha do nascimento de Cristo em Lucas é a profetisa Ana. Diferentemente de Simeão, muitos detalhes sobre sua identidade são fornecidos, talvez porque, devido à sua conhecida reputação, seu encontro com Jesus seria importante para os leitores daqueles dias. Sua avançada idade (alguns calculam em torno de 105, considerando que tenha se casado aos 14, com mais 7 de casamento e 84 de viuvez) atesta para sua paciência em esperar o cumprimento da redenção de Israel. O silêncio total de Lucas sobre qualquer personagem dignitário na chegada do Messias pode falar ainda mais alto do que a menção dos anônimos pastores ou desses dois idosos.

Conclusão

Algumas verdades saltam aos olhos no início do evangelho de Lucas. Em primeiro lugar, a salvação é uma iniciativa divina. O ser humano depende inteiramente de um poder sobrenatural. O nascimento virginal só confirma esse fato. Em segundo lugar, a iniciativa divina requer uma resposta humana. Às vezes, tal resposta implica perigo, como foi o caso de Maria. Não era incomum em sua época mulheres recorrerem a gestações “divinas” para explicar relações sexuais ilícitas. Em terceiro lugar, a percepção do cumprimento das promessas divinas veio para quem estava pronto a ouvir. Em outras palavras, conhecimento bíblico ou doutrinário sem discernimento espiritual não tem valor. Ambos são necessários. No segundo capítulo de Lucas, os doutores podiam apenas admirar-se da inteligência e das respostas (v. 47) daquele pobre e desconhecido galileu, pois Ele sequer havia frequentado suas escolas. Isso encerra uma importante lição para os que aguardam a consumação das promessas divinas, na segunda vinda de Cristo, e o estabelecimento do reino que Cristo inaugurou: Precisamos de discernimento espiritual para interpretar o tempo em que vivemos. Por fim, não há lugar no evangelho para estereótipos preconceituosos. Não é posição nem tradição que nos tornarão “prontos”, mas nossa ligação com Deus pela guia do Espírito Santo.


Referências:

1. PINK, A. W. Why Four Gospels?. Swengel: Bible Truth Depot, 1921.
2. NICHOL, F. D. (Org.). The Seventh-day Adventist Bible Commentary. Hagerstown: Review and Herald Publishing Association, 1980. p. 664.
3. MARSHALL, I. H. The Gospel of Luke: a commentary on the Greek text. Exeter: Paternoster Press, 1978. p.35.
4. CANALE, Fernando. O princípio cognitivo da teologia cristã: um estudo hermenêutico sobre reveleção e inspiração. Tradução de Neumar de Lima. 1. ed. São Paulo: UNASPRESS, 2011. 
5. WHITE, Ellen G. O Grande Conflito: entre Cristo e Satanás. 43. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2010. p.7-9. 
6. MARSHALL, 1978, p. 35.
7. BOCK, D. L. Luke: 1:1–9:50. v. 1 Grand Rapids: Baker Academic, 1994. p. 213.
8. STEIN, R. H. Luke. v. 24. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 1992. p. 108.
9. HENDRIKSEN, W., & KISTEMAKER, S. J. Exposition of the Gospel According to Luke. v. 11. Grand Rapids: Baker Book House, 2001. p.149.

10. BOCK, 1994, p. 238.